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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Wellington Levino: a maior Guarda Civil do interior do RJ

Corporação conta com efetivo de aproximadamente 800 agentes, sendo 40% de mulheres

Entrevista
Por Aloysio Balbi
Foto: Silvana Rust

Com um efetivo perto de 800 agentes, a Guarda Civil Municipal de Campos é a maior do interior do estado do Rio de Janeiro e a tendência é crescer. Nesta entrevista, seu comandante, Wellington Levino, revela que a corporação também é a que tem o maior número de mulheres, correspondendo a 40% do efetivo.

Sobre a Guarda armada, o comandante disse que o assunto é tratado de forma extremamente rigorosa, com treinamento psicológico e técnico à exaustão. Entre os muitos assuntos abordados está a sensível questão das pessoas em situação de rua.

O comandante ao mesmo tempo em que defende a Guarda armada, prima por uma guarda cidadã.

Comandante, o senhor está há quase três décadas na Guarda Municipal, onde chegou concursado. O senhor diria que a Guarda Municipal de Campos é a maior do interior do Estado do Rio de Janeiro?
No interior do Estado ela é a maior que tem, e tem a melhor estrutura. Sei que ainda almejamos aumentar nosso efetivo, hoje perto de 800. Nossa abrangência territorial é gigante porque temos dois extremos que são Serrinha e Santo Eduardo. Então, nosso patrulhamento é enorme. Nós entendemos que precisa aumentar nosso efetivo, aumentar nossa condição de locomoção, aumentar as nossas logísticas, mas hoje nós já temos a maior Guarda do interior do Estado, sim.

O senhor falou em equipamentos. A Guarda está bem aparelhada?
Para aquilo que atende as nossas condições de serviço hoje, nós temos aparelhamentos ideais para o serviço. Mas também sabemos que tudo precisa melhorar, porque nós queremos mais. Nós queremos ter condições de atender a sociedade e proteger os nossos agentes. Agora mesmo, compramos colete balístico e esse colete que foi apresentado na primeira remessa não atendia as especificações. Então, nós devolvemos, porque nós queremos o melhor para os nossos agentes. Nós adquirimos agora motocicletas para poder realizar nossas atividades no patrulhamento escolar. São motocicletas que nós adquirimos através de convênio com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Elaboramos um projeto e fomos contemplados com R$ 1 milhão. Aí, compramos as câmeras corporais, compramos seis motos e três SUV para ajudar no nosso dia a dia, no nosso patrulhamento, que será intensificado nas escolas, porque entendemos que a segurança básica é fundamental. Não adianta nada a gente focar na segurança lá em cima e a nossa segurança básica ficar de lado. Nós focamos na segurança básica, que é aquela segurança de proximidade, segurança cidadã, e isso é contemplar um policiamento eficiente e mais humano. Para isso, precisamos de equipamentos, e por isso compramos o colete balístico. Temos rádio de comunicação de última geração. Temos viaturas ideais e adequadas para contemplar nossos agentes e a sociedade.

O senhor falou da integridade física do pessoal da Guarda. Ela parece ser bem treinada, inclusive psicologicamente, porque não há um histórico de indisciplina ou abusos. Temos realmente uma Guarda cidadã?
Quero elogiar todos os membros da nossa corporação. Os nossos agentes, eu digo que eles estão de parabéns, porque procuram se qualificar, procuram se atualizar, e atender às demandas necessárias para uma boa aproximação com a sociedade, uma segurança cidadã. Então, quando a gente fala em disciplina, a gente vai lá no ensinamento. Se nós mantemos o ritmo de aprendizado constante, conseguimos manter o nosso efetivo nesta linha de conduta ideal. Muitas das vezes não é aquilo de primeiro mundo, aquilo que de repente nós gostaríamos que tivesse, mas é o que nós temos e oferecemos é bem treinado para fazer da melhor forma possível. Por isso que eu digo que a nossa Guarda Civil municipal é uma Guarda que merece todo respeito e consideração porque ela se empenha e desempenha da melhor forma possível.

A gente terminou agora o mês da mulher. Nosso efetivo tem mulheres em que proporção, falando em números?
Eu costumo dizer que a Guarda Civil Municipal, ela veste azul, mas na sua essência, ela é cor-de-rosa. Nós temos, eu acho que no Estado, ou vou arriscar dizer que no país… a Guarda Civil Municipal de Campos é a instituição que tem o maior número efetivo de mulheres, porque nós não fazemos distinção no concurso público. Elas são perfeitas. Creio que elas representam 40% do efetivo. Elas são guerreiras

Comandante, como é a integração da Guarda Civil Municipal com o Programa Segurança Presente, com a Polícia Civil e as demais forças de segurança?
Nós da Guarda Civil Municipal buscamos a integração com as demais instituições de segurança pública, até mesmo por entender que ninguém consegue fazer nada sozinho. Nós trabalhamos muito junto com a Polícia Rodoviária Federal, com a Polícia Civil e as demais. Por incrível que pareça, não atuamos só em Campos, mas na região porque nós temos o canil e muitas das vezes somos solicitados para trabalhar em conjunto com outras corporações, ajudando na detecção de armas, munições, como aconteceu recentemente no Noroeste do Estado, ocasião em que trabalhamos em busca e salvamento de uma pessoa desaparecida. Então, nós buscamos trabalhar sempre em conjunto com as demais instituições, até mesmo por entender que o espaço é para todos e o nosso objetivo é proteger a sociedade campista, e atender todas as pessoas que necessitam dos nossos serviços. Por isso que a Guarda Civil Municipal trabalha sempre e vai continuar trabalhando na integração com as demais instituições.

Agora, um assunto meio sensível. Houve um amplo debate e está aprovado: a Guarda Municipal pode portar arma de fogo. Como é que está sendo tratada essa questão?
Na verdade, o direito ao porte de arma de fogo por lei federal é desde 2003, com a lei 9.255. Isso é bom porque veio com a premissa de trazer mais rigor e controle do armamento no país. Ela trouxe o regramento para todas as instituições de segurança pública, seja ela instituição municipal, estadual ou federal e também as instituições de segurança privada. E ali contemplou as Guardas Municipais. Nisso algumas Guardas Municipais, que já atuavam armadas, tiveram que se enquadrar e se ajustar. E não é diferente em Campos.

Chegou o momento de Campos?
Chegou o momento de Campos sim e na forma da lei 9.255 elaboramos o estatuto da Guarda Civil Municipal, que contemplou a Guarda de forma armada. O estatuto diz que a Guarda Civil uniformizada e armada pode atuar. Criou-se o regramento para poder armar a Guarda em Campos. E não é fácil. O agente que está na rua armado tem que estar totalmente preparado para isso. Adotamos muito rigor com total avaliação psicológica e avaliação técnica. Nós estamos melhorando isso e vamos melhorar muito mais na nossa atuação. A qualificação é necessária, obviamente. Estamos investindo muito nisso.

Um treinamento rigoroso, então?
É um treinamento que temos que ter atenção porque a gente está falando de qualidade de vida para os nossos servidores e para a sociedade. Eu participei de um evento de segurança pública em São Paulo, no qual tinham diversas instituições civis, militares municipais, e um especialista falou o seguinte: o município que tem a sua Guarda armada tem melhor segurança possível porque, se observado o rigor para poder armar, esse rigor é extremamente superior a qualquer de outras instituições da segurança pública. Quando você vai armar um servidor da Guarda, você cria regramento e tudo isso só é possível com treinamento. Exige qualificação anual. Exige que esse servidor seja qualificado à exaustão e assim testada toda sua capacidade de portar uma arma.

Um problema social das grandes cidades são moradores de rua. Como o senhor analisa isso?
É um tema que está em todas as cidades brasileiras, principalmente nas grandes cidades, onde diversas pessoas estão em situação de rua, e aqui em Campos não é diferente. Atuamos junto com a saúde pública e outras áreas como a assistência social. Mas é um problema que tem que ser trabalhado em diversas mãos. A última coisa ali é segurança pública. Nós temos que perceber que ali existem questões sociais complexas que acabam afetando o círculo de convívio dessas pessoas. Nós trabalhamos de forma integrada com as demais instituições para tentar uma solução diante dessa problemática sensível. A abordagem tem que ter um caráter social, mas quando é necessária a pronta intervenção, ela se faz.
Fonte: J3News

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