domingo, 16 de agosto de 2026

Revoada de colhereiros colore o céu do Açu

Por Coluna do Balbi



O fotógrafo e cinegrafista Jorge Toledo, cria de São João da Barra, segue levando as belezas do município para diferentes partes do Brasil. Seu registro mais recente mostra uma revoada de colhereiros na praia do Açu, formando uma cena rara e de grande beleza. A imagem ganhou espaço em sites de alcance nacional, entre eles o Metrópoles. É mais um trabalho que mostra a riqueza natural de São João da Barra. E Jorge vem fazendo desse olhar uma verdadeira vitrine para o município.
Enel por um fio e enrolada

Assim como os fios, a Enel está enrolada. A concessionária enfrenta uma disputa judicial em São Paulo que pode provocar mudanças importantes em sua atuação no país. Entre os possíveis reflexos está a continuidade da operação no interior do Rio de Janeiro. A questão ainda depende dos desdobramentos na Justiça paulista. O setor acompanha o caso com atenção. Para os consumidores fluminenses, fica a expectativa sobre os próximos capítulos dessa história.

Maurício Cabral na pauta para revitalizar Centro


O empresário Maurício Cabral, eleito para uma nova gestão à frente da Associação Comercial e Industrial de Campos, chega disposto a participar ativamente da revitalização do Centro. A proposta encontra sintonia com as iniciativas da CDL e da Carjopa, fortalecendo a união das entidades empresariais. Maurício já trabalha com várias ideias para ações conjuntas. A recuperação da região central exige exatamente esse tipo de articulação. O setor produtivo parece disposto a fazer sua parte.

Goitacazes e Travessão já maiores que muitas cidades do Noroeste


Goitacazes e Travessão já apresentam dimensões que impressionam quando comparadas a muitos municípios fluminenses. Goitacazes, que passou à condição de bairro de Campos, ultrapassou a marca de 55 mil habitantes. Travessão também cresce rapidamente e já reúne mais de 30 mil moradores. São duas áreas que ganharam importância econômica e populacional. O crescimento exige planejamento urbano e investimentos em infraestrutura. Campos precisa acompanhar esse movimento de perto.

Frota de Campos já tem 25 mil veículos híbridos e elétricos



Campos já conta com uma frota estimada em 25 mil veículos híbridos e elétricos, número que mostra como a mobilidade está mudando. O dado ganha ainda mais importância diante das discussões sobre o transporte coletivo. Uma eventual aprovação de financiamento federal para a aquisição de ônibus elétricos pela Prefeitura poderia representar um avanço importante. A modernização da frota ajudaria a melhorar a qualidade do serviço. Também seria uma oportunidade para discutir novos modelos de mobilidade urbana.

Câmara de Comércio, Turismo e Serviços Brasil-Líbano


O empresário Adel Abou Rejeili, libanês radicado em Campos, assumiu a presidência da recém-criada Câmara de Comércio, Turismo e Serviços Brasil-Líbano. A entidade terá escritório de negócios no Rio de Janeiro e nasce com uma proposta voltada à aproximação empresarial entre os dois países. Adel pretende trabalhar para ampliar as oportunidades comerciais. Campos pode se beneficiar diretamente dessa articulação. A expectativa é de que novas tratativas resultem em investimentos, parcerias e negócios para o município. A região continua mostrando que possui empresários dispostos a buscar novas fronteiras para seus negócios.

Funk, literatura e debate cultural


A socióloga e pesquisadora da Uenf, Luciane Silva, participou de dois eventos culturais em São Paulo durante a semana. Ela apresentou o livro de sua autoria “Funk para além da festa”, além de debates com artistas e lideranças negras na capital paulista. O livro é resultado da sua tese de doutorado na UFRJ, pesquisa feita em favelas do Rio de Janeiro. A grande questão para o lançamento em SP é a recente proibição de bailes, particularmente para Paraisópolis, Cidade Tiradentes, Heliópolis. “É preciso entender, em 2026, que a política de segurança pública não deve ser uma política contra a cultura. A cultura, e considerando o funk como uma expressão cultural, é um direito”, afirma.

J3Cast recebe Roberta Cipriani, a paquita Xiquitita

O J3Cast de quarta-feira (19) recebe a jornalista, atriz, cantora e ex-paquita Roberta Cipriani, a Xiquitita Surfista, que integrou por nove anos o Xou da Xuxa, da TV Globo. Em entrevista a Ocinei Trindade, Roberta fala sobre a volta aos palcos na turnê “O Último Voo da Nave”, ao lado de Xuxa e de outras paquitas que marcaram diferentes fases do programa. A atração vai ao ar às 13h, pelo site e TV J3News e pelo YouTube.

TRE-RJ altera 66 locais de votação por segurança; dois ficam em Campos

Mudanças atingem 20 municípios do Estado e envolvem cerca de 188 mil eleitores

(Foto: Divulgação/ Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já alterou 66 locais de votação para as Eleições de 2026 por motivos de segurança. A medida atinge cerca de 188 mil eleitores em 20 municípios, entre eles Campos dos Goytacazes, onde dois locais foram modificados. O TRE-RJ, no entanto, ainda não divulgou quais são os pontos alterados no município.

A decisão foi tomada pelo presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, após análise do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral. O grupo reúne representantes da Justiça Eleitoral e dos setores de inteligência das forças de segurança e tem como objetivo identificar áreas consideradas de alto risco ou sob influência do crime organizado.

Os locais substituídos precisam ser transferidos para áreas consideradas seguras, fora de territórios controlados por facções criminosas ou milícias. Também é necessário evitar regiões de confronto entre grupos rivais e manter os novos pontos o mais próximos possível dos locais originais.

O número de alterações já supera o registrado nas Eleições de 2024, quando 53 locais foram substituídos. Segundo o TRE-RJ, o mapeamento de áreas de risco continua e outras mudanças ainda podem ocorrer até o pleito.

“A mudança desses locais de votação é um compromisso com a higidez do processo eleitoral. Com essas trocas, buscamos garantir que o eleitorado possa ir às urnas tranquilo e escolher os candidatos que desejar, livre de pressões de qualquer tipo. Esse é um momento de exercer livremente o direito ao voto. O TRE-RJ atua para que essas escolhas possam ser confirmadas da maneira mais serena possível”, explica o desembargador Claudio Mello.

Além da mudança dos locais de votação, o Tribunal adotou outras medidas para reforçar a segurança das eleições. Entre elas está a atuação do Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral, que integra informações de inteligência das forças de segurança e pode fornecer dados à Procuradoria Regional Eleitoral.

Em agosto, também foi instalado o Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi), voltado à prevenção e repressão de crimes que possam comprometer o processo eleitoral. O TRE-RJ ainda aprovou o pedido de presença da Força Federal durante as eleições de outubro. A solicitação será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eleitor deve consultar local

Diante do número de alterações, o TRE-RJ recomenda que os eleitores consultem antecipadamente o local onde deverão votar. A verificação pode ser feita pelo site da Justiça Eleitoral, utilizando o CPF ou o número do título de eleitor.

Também é possível obter a informação pelo Disque TRE-RJ, de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h, pelo telefone (21) 3436-9000.
TRE/RJ

Uma corrida pela história de Campos

Quarta edição do J3 Run Fest é cenário para esporte, lazer e... memória

Por Leonardo Pedrosa
Fotos: Silvana Rust/Josh/Arquivo J3News/César Ferreira

“Essa relação com a cidade sempre foi uma das grandes propostas: trazer as pessoas para dentro desse percurso histórico”. A fala de Fábio Paes, diretor do J3News, resume uma das características que fazem do J3 Run Fest mais do que uma corrida de rua.

Na quarta edição, marcada para 20 de setembro, os participantes terão pela frente três distâncias e, principalmente na prova mais longa, um passeio por lugares que ajudam a contar a história de Campos.

A largada e a chegada serão na Avenida Alberto Torres, em frente à Câmara Municipal, dentro do chamado quadrilátero cultural de Campos. O espaço reúne a Praça Barão do Rio Branco e três prédios de importância histórica e arquitetônica, tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac): o Liceu de Humanidades, o Palácio Nilo Peçanha, atual sede da Câmara de Vereadores, e a Casa de Cultura Villa Maria.
Fábio Paes

É de lá que os corredores partem para percursos com características diferentes. A prova de 3 km é a mais curta e também a mais indicada para quem está começando. Os 5 km ampliam o desafio e atendem tanto iniciantes quanto corredores mais experientes. Já os 10 km levam o participante para um trajeto mais longo, que atravessa as duas margens do Rio Paraíba do Sul.

“Essa relação com a cidade sempre foi uma das grandes propostas. Trazer as pessoas para dentro desse percurso histórico mesmo. Pessoas que não têm essa oportunidade de correr nesses lugares, porque normalmente está com trânsito. Para nós, conseguir fechar todo esse circuito, dar segurança, é uma oportunidade que as pessoas gostam bastante. Correr na Beira-rio, nessas avenidas legais. Ninguém consegue correr no Centro, por exemplo. Tem que estar fechando”, afirma Fábio.
Paróquia Santo Antônio
Praça do Liceu
Villa Maria
Câmara Municipal

Paisagens com outro ritmo
No percurso de 10 km, o corredor deixa a região central e atravessa a Ponte General Dutra. Do outro lado do rio, segue pela Avenida Francisco Lamego, passa pela Paróquia Santo Antônio, até alcançar a Ponte da Lapa.

É nesse trecho que a corrida ganha uma das suas características mais marcantes. Depois de atravessar novamente o rio, o trajeto passa pelo Cais da Lapa, Igreja Nossa Senhora da Lapa e a sede do J3News, prédio erguido em 1896.

Em seguida, pela Rua 21 de Abril, chega à Praça São Salvador, onde estão a Catedral do Santíssimo Salvador e o Museu Histórico de Campos. A rota também contempla a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e o prédio da Faculdade de Medicina de Campos (FMC).

São referências que, em um dia comum, fazem parte da paisagem da cidade, mas que durante o J3 Run Fest ganham outro ritmo. O trânsito é interrompido, as ruas são ocupadas pelos corredores e os pontos históricos aparecem como parte do cenário de uma manhã dedicada ao esporte.
Cais da Lapa
Museu Histórico de Campos
Praça do Santíssimo Salvador
Igreja Nossa Senhora da Lapa

Desenhando o percurso
Para Fábio Paes, o desenho também favorece quem está em busca de desempenho. “O percurso foi pensado com muitas retas, um percurso fácil para a pessoa bater o RP, um percurso que tem muita sombra. Um bom trecho é debaixo de árvore e isso favorece bastante. Então é um percurso realmente bom, confortável e rápido”, afirma.
Ricardo Cardoso

Ricardo Cardoso, coordenador técnico da prova, explica ainda que o percurso permite que pessoas em momentos diferentes da prática esportiva participem do mesmo evento.

“A prova de três tem uma característica de atender uma demanda de pessoas que estão iniciando no esporte, de atletas que vão para se desafiar. Por ser uma distância curta, possibilita principalmente quem está num processo de evolução dentro do esporte que possa participar, se desafiar, fazer essa prova como objetivo de saúde e, a partir daí, ter uma porta de entrada para que possa continuar crescendo e se desenvolvendo no esporte”, explica.

Os 5 km, segundo Ricardo, fazem uma ponte entre os iniciantes e os atletas de melhor desempenho. Já os 10 km exigem mais experiência, mas também foram pensados para oferecer condições favoráveis a quem busca melhorar sua marca.

“De uma forma geral, os percursos do J3 Run Fest têm uma característica das pontes. A prova de 5 km pega o centro da cidade e a Beira-rio. A prova de 3 km é totalmente plana e rápida, ideal para quem está iniciando. A de 10 km é a mais desafiadora, mas encanta porque conseguimos passar pelas pontes da cidade”, diz Ricardo.

A intenção, porém, é que o evento continue crescendo. E o objetivo traçado pelo diretor do J3News é ainda mais ambicioso: “A gente quer chegar na meia maratona, então ainda falta muita coisa em termos de estruturação. A gente precisa qualificar mais a cidade para receber um evento desse porte. Fazer fora de Campos é mais fácil, tranquilo, mas não é o nosso objetivo. O objetivo realmente é fazer isso dentro da cidade, o que torna tudo ainda mais complexto”, completa Fábio.
J3News

Região com previsão de ressaca até a madrugada de domingo

Segundo alerta emitido pela Marinha, as ondas podem chegar a 2,5 metros

(Foto: Arquivo)

Alerta emitido pela Marinha do Brasil é de ressaca no litoral do Rio de Janeiro, trecho compreendendo Paraty a Campos dos Goytacazes, a partir do início da madrugada deste sábado, 15, até a madrugada de domingo, 16. As ondas podem chegar a 2,5 metros.

Por estar na região litorânea próxima a Campos dos Goytacazes, a Defesa Civil Municipal em São João da Barra se mantém em estado de atenção, principalmente no monitoramento em pontos que sofrem com a erosão costeira em Atafona e no Açu.

A orientação, nesse período, é evitar o banho de mar e, aos pescadores, manter suas embarcações em terra.
J3News

Guarus tem rotina marcada por medo e violência

Morte de criança escancara a guerra entre facções e os problemas de segurança e infraestrutura enfrentados pelos moradores


Parque São Mateus|Mascas dos tiros onde uma bala perdida matou criança de 5 anos; PM reforçou policiamento na esquina onde crime aconteceu (Fotos: J3News)

“Tem 16 marcas de tiro aqui na parede. E mais uma ali dentro, perto do portão”. A frase foi dita por uma criança, na tarde da última terça-feira (11), no mesmo lugar onde o menino Bernardo Leite de Oliveira, de 5 anos, foi baleado na cabeça, no sábado (8). Ele faleceu horas depois, no Hospital Ferreira Machado. Na calçada, onde está a parede cheia de marcas de tiros, um homem de 30 anos morreu na hora, vítima do mesmo ataque a tiros, no Parque São Mateus, em Guarus. Outras três pessoas ficaram feridas. Entre elas, uma jovem de 18 anos. Até o momento, o que se sabe é que um carro invadiu a Rua Bartolomeu Lisandro e efetuou uma série de disparos. As primeiras informações da polícia apontam para a guerra entre facções criminosas como motivação.

A reportagem do J3News visitou o local para a reportagem especial desta semana. A residência onde os tiros foram disparados fica em frente à creche-escola do bairro. Desde segunda-feira (10), uma viatura da Polícia Militar está instalada na esquina da mesma rua. O que não muda o cenário no bairro, que é de medo, indignação e sentimento de abandono pelas autoridades públicas.

“Sempre fazemos festa de Dia dos Pais para as nossas crianças. Dessa vez, passamos em luto. Fazendo cartazes para protestar pedindo paz. Precisamos que olhem para nós não só quando acontecem tiros aqui”, comentou a moradora Fabiana Nascimento.
Reforço|Após morte de menino, viatura foi deslocada para rua onde crime ocorreu

Filme repetido em Guarus
O cenário de violência e terror no subdistrito de Guarus imposto pela guerra de facções já foi tema de reportagens especiais do J3 em janeiro deste ano e em setembro de 2024. Agora, a situação chega a um bairro diferente. Mas, novamente, o panorama é o mesmo: disputa por território, confrontos violentos, horror e medo. Cria de Guarus, Alexia Ruas destaca que periferia e criminalidade não são sinônimos e cobra um olhar mais atento do Estado à região.

“Precisamos questionar porque determinadas dinâmicas de violência armada e de disputas territoriais estão alcançando bairros onde antes não estavam presentes dessa maneira. Quando essas dinâmicas chegam a um território, elas interferem profundamente na vida cotidiana. Estamos reivindicando o direito de continuar vivendo. O direito de uma criança brincar na rua, de uma família sentar na calçada, de um trabalhador voltar para casa sem medo. Segurança Pública também precisa significar isso: garantir às pessoas o direito de viver, circular e ocupar o seu próprio lugar”, pontua.

Ela chama atenção também para a forma como o Estado encara a situação. “Outro ponto importante é a forma como o Estado chega. A presença mais visível é a policial, enquanto cultura, esporte, lazer, assistência social, oportunidades para a juventude e políticas urbanas permanentes não chegam com a mesma intensidade”, diz. A reportagem também ouviu a socióloga Luciane Silva, professora da UENF e especialista em segurança pública em Campos. Ela chama atenção para as condições que as forças de segurança têm para atuar na cidade.

A morte do pequeno Bernardo colocou em evidência o Parque São Mateus, mas o índice de criminalidade continua assustando em toda a região de Guarus.
Vítima|O pequeno Bernardo morreu com um tiro na cabeça

Na última semana, a Polícia Militar (PM) apreendeu 14 aparelhos celulares, 7 quilos de drogas e uma moto roubada, em uma residência no bairro Calabouço. Boa parte dos celulares foi encontrada embalada e lacrada, junto de carregadores, chips e fones de ouvido. A principal suspeita é de que o material seria enviado a unidades prisionais da cidade. Nessa mesma semana, um homem de 39 anos foi morto a tiros no Parque Santa Rosa. A vítima foi localizada caída em uma rua, com diversas perfurações pelo corpo. No primeiro dia deste mês, outro homem foi assassinado a tiros. Desta vez, no Parque Novo Mundo.

Em julho, chamou atenção outra ação da PM, que resultou na apreensão de um fuzil calibre 556, com munições e dois carregadores da arma, no Parque Santa Rosa. Também foram apreendidos dois quilos de cocaína e 500 gramas de crack, estimando um prejuízo de R$ 20 mil para o tráfico de drogas. O índice de ações violentas, crimes e homicídios no subdistrito é um fator que tem chamado a atenção.

A reportagem também ouviu a socióloga Luciane Silva, professora da UENF e especialista em segurança pública em Campos. Ela destaca que há uma questão mundial sobre o tema na atualidade:

“Precisamos levar em conta que há uma discussão global sobre o aumento da ação das facções no exterior e expansão dessas organizações criminosas no país. Não teria como Campos ficar de fora. Estamos falando de uma cidade de mais de 500 mil habitantes, com enorme relevância. Com universidades, com a Bacia de Campos, um quadro de incremento desse cenário. Agora, a desigualdade existe em todo o país. Nem por isso, há mancha criminal em todos os lugares que ela está presente. Ter pobreza e precariedades não traduz mecanicamente que você vai ter presença e ação de criminosos fortemente armados. Até porque, o tráfico não vai atuar em regiões onde eles não tem algum ganho”, pontua.

Domínio pelo terror

“Existem duas formas de domínio de território. Uma é a corrupção e a outra é o horror. Quando o horror é praticado de forma desordenada, como foi no caso da morte dessa criança, por exemplo. É preciso entender quem está na cabeça de ações como essa. Porque ninguém anda tão fortemente armado para ações cotidianas”, enfatiza a especialista em segurança, Luciane Silva. Ela também chama atenção para as condições que as forças de segurança têm para atuar na cidade.
Luciane Silva

“Precisamos olhar para a Polícia. As condições de trabalho precisam existir. Mais inteligência, maior efetivo e equipamento. Os policiais precisam ser respeitados e valorizados. Colocar uma viatura, com dois policiais militares no local, é estupidez. Você põe a vida deles em risco. Quando você os coloca ali, armados, em uma área densamente povoada, que eles não conhecem, são expostos. Nas delegacias, são poucos policiais civis para muito trabalho. Sem estrutura. Essas pessoas trabalham sempre no limite”, aponta.

Delegacia de homicídios e pacto social
A reportagem do J3 conversou também na última semana com o delegado titular da 146ª Delegacia de Polícia (Guarus), Márcio Caldas. Ele declarou que vê a criação de uma delegacia de homicídios como essencial para a região:
Delegado Márcio Caldas

“A criação de uma delegacia de homicídios nos ajudaria muito. Hoje, a gente perde muito tempo aqui com casos pequenos. Fizemos um levantamento aqui e temos seis mil inquéritos físicos, mais seis mil digitais. O efetivo não é suficiente para dar conta. Aí casos graves se misturam com tantos outros menores. Em uma delegacia especializada, estaríamos falando de 15 e 20 homens focados somente em inquéritos de homicídios. Seria um braço importante para reduzir o cenário atual”, disse.

Caldas falou ainda sobre como a polícia vem trabalhando, mesmo em meio às dificuldades estruturais. “Fechamos o último trimestre em primeiro lugar em produtividade investigativa, que se refere à quantidade de inquéritos concluídos. Primeiro lugar também em produtividade operacional, que é relacionada ao número de prisões. Tem inquéritos que são demorados mesmo, por conta de todo o processo judicial. Mas tem casos também que esbarramos em outras questões. Por exemplo, no caso dos celulares, 13 dos 14 estão bloqueados. Não temos tecnologia para desbloquear. Aí precisa ir para o Rio. O que pode levar até um ano”, complementa.

O delegado também foi enfático ao destacar que só policiamento não pode solucionar a questão da segurança pública como um todo.

“Não é só Polícia. Enquanto tivermos essa visão, não vamos avançar da forma adequada. É necessário um trabalho muito mais amplo, envolvendo educação, cultura e um olhar para o social. Hoje, há uma glamourização da criminalidade. Até mesmo através de músicas. Eu, por exemplo, gosto de ouvir funk. Mas, não os que fazem apologia a crimes, armas e drogas. Precisamos de um novo pacto social, educacional e cultural. Só reduzir a criminalidade, não basta só a Polícia. Mas, por outro lado, a população pode ficar ciente de que estamos trabalhando muito aqui na delegacia”, concluiu.
Clamor por justiça|Familiares de Bernardo fizeram uma manifestação pedindo solução do caso

Exemplo vizinho para Campos
Quando se olha para o lado, Campos tem um bom exemplo no município de Macaé. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) apontam para uma evolução dos indicadores no município, a partir dos números de 2025. Por exemplo, no indicador de letalidade violenta (homicídios), a cidade registrou queda ao comparar o valor inicial de 147 ocorrências, em 2018, com o total de 23 casos em 2025. A redução absoluta foi de 124 registros, o que representa uma diminuição de 84,4%. No caso do roubo de rua, a queda também foi expressiva. O indicador passou de 1.306 ocorrências em 2016 para 79 em 2025, com redução absoluta de 1.227 casos e percentual de 94%.

Mestre em Desenvolvimento Regional, Ambiente e Políticas Públicas, a cientista social Alexia Ruas destaca o avanço tecnológico e a integração das forças de segurança como pontos importantes para esse cenário positivo e afirma que trocas entre os municípios podem ser um caminho interessante.
Alexia Ruas

“Acredito que a criminalidade só pode ter sua redução de forma eficaz quando um conjunto de políticas públicas são adotadas. Para isso, os investimentos para as polícias devem ser, em maior parte, no serviço de inteligência e na construção de integração entre todos os setores de segurança pública. Junto a isso, as políticas de bem estar social são fundamentais. No geral, eu acredito que uma política pública se constrói com pesquisas, com referências, com avaliações das políticas adotadas e, por fim, com diálogo e participação da própria população”, diz. E acrescenta:

“Macaé está investindo bastante na tecnologia da polícia e na integração policial. Esses são fatores muito importantes. O que falta para o nosso município se desenvolver é a dissipação da mentalidade que ainda assola nossos políticos, de que Campos pertence a uma elite, como nos tempos de engenho. Além disso, nós vimos recentemente políticos do nosso município em meio a suspeitas de envolvimento com o tráfico. Essa prática também impede avanços significativos de desenvolvimento na segurança pública. Por isso que a integração policial e a autonomia são importantíssimas. Um diálogo entre os dois municípios é interessante. Campos e Macaé têm semelhanças. Ambas são abastecidas pelos royalties e são municípios com bastante capital financeiro. Também são cidades do interior do Rio, o que as tornam, por si só, particulares”, pontua.

População aponta para abandono do poder público
Nascida e criada no Parque São Mateus, e amiga da família do menino Bernardo, Fabiana Nascimento esteve à frente de protestos durante a semana, cobrando por uma realidade melhor no bairro.

“O Parque São Mateus está esquecido. Não temos mais posto de saúde aqui. A UBS Novo Mundo está lá abandonada, toda quebrada. Escola, só em outros bairros. Só temos a creche. Precisamos de uma área de lazer. Quando a tragédia aconteceu, estávamos brincando na rua. Somos uma comunidade unida. Fazemos festa entre a gente, para as nossas crianças terem algum entretenimento. Precisamos que olhem para nós não só quando acontecem tiros aqui”, completa.

Cientista social, Alexia Ruas teve a sua criação no Parque São Mateus. Ela chama atenção para o fato de o bairro não ter histórico de violência. “O São Mateus não era marcado por esse tipo de violência armada. É um bairro periférico, com todos os problemas históricos de acesso a políticas públicas, mas onde as crianças brincavam na rua, as pessoas ficavam nas calçadas, os vizinhos se conheciam. Quando um carro entra em plena luz do dia, pessoas saem atirando e uma criança é morta, não é somente aquele crime que modifica o território. O medo passa a fazer parte da nossa rotina”, comenta.

A socióloga Luciane Silva chama atenção para a forma como o tema é tratado e cobra mais atenção do poder público com uma pauta tão relevante. “Para mim, é básico que se precisa de educação, saúde e cultura, além da segurança. Essa é, inclusive, uma discussão que deve aparecer não só em momentos de aumento da criminalidade”, comenta.

Posicionamento da Prefeitura

A Prefeitura de Campos respondeu, atraés de algumas secretarias, sobre as questões cobradas pela população na reportagem, que se referem à gestão municipal.

Em relação à UBS Novo Mundo, a Prefeitura declaroiu que, diante dos atrasos nos repasses referentes ao cofinanciamento estadual da Saúde nos últimos anos, foi necessário interromper temporariamente a obra. O município afirmou que aguarda a regularização dos recursos para que possa dar continuidade aos serviços.

A Secretaria de Saúde informou que ainda não há previsão para obras de reforma estrutural na unidade mencionada. A pasta enfatizou que as unidades de referência para a população do bairro Novo Mundo são a UBSF Eldorado e a UBSF Félix Miranda – localizada no Parque Guarus.

Sobre a questão de escolas para o bairro, a Secretaria de Obras pontuou que a região foi contemplada recentemente com a nova sede da Escola Municipal Professor Fernando de Andrade, no Parque Guarus. “A unidade foi inaugurada em março deste ano, tem capacidade para aproximadamente 600 alunos e atende estudantes de bairros como Parque São Mateus, Parque Lebret e Parque São José. A escola conta com 11 salas de aula, brinquedoteca, laboratórios, sala de leitura, auditório, parque infantil e quadra coberta, entre outros espaços”, pontuou a nota.

A Secretaria de Educação disse que as crianças e adolescentes do bairro em questão são atendidas pelas seguintes unidades: Creche Escola São Mateus, Creche Escola Félix Miranda, Creche Escola Parque Guarus, Escola Municipal Fernando de Andrade e Ciep Wilson Batista. “Não há demanda reprimida para essa região”, destacou a pasta.

Na área de lazer, a Prefeitura afirmou vem trabalhando na revitalização de uma das praças do Parque Lebret, com o intuito de contribuir para ampliar os espaços de convivência e lazer disponíveis para os moradores da região.
Batalhão de Guarus funcionaria no CIEP Pedro Álvarez Cabral, na Terra Prometida, mas após 166 dias obras sequer começaram

Batalhão de Guarus, a promessa que não sai do papel
Uma enorme expectativa foi criada no dia 4 de março, quando o então governador Cláudio Castro prometeu que em 90 dias seria entregue o Batalhão de Polícia Militar de Guarus (46°BPM). Ele funcionaria onde fica o CIEP Pedro Álvarez Cabral, na Terra Prometida. O equipamento está desativado e o espaço foi cedido pelo município. Mais de 160 dias se passaram e a obra sequer começou. Tendo como base o prazo de entrega anunciado, já são 76 dias de atraso, sem nenhuma perspectiva de início das obras. Questionado pelo J3, o Governo do Estado não se posicionou.
PM posicionou viatura permanente em local onde ataque a tiros ocorreu

O que diz o Estado

A reportagem cobriu do Governo do Estado, tanto uma resposta sobre o Batalhão de Guarus, quanto sobre a situação da segurança pública na região. Não houve resposta sobre o 46º BPM. Em nota, a Polícia Civil enfatizou que, por meio da 146ª DP (Guarus), atua de forma permanente na região, com investigações qualificadas, ações de inteligência e operações voltadas à identificação e prisão de lideranças criminosas, além do cumprimento de mandados para atacar diretamente as estruturas responsáveis pela violência.

“O combate ao crime organizado permanece como prioridade. Para desarticular esses grupos armados e proteger a população, a instituição investe continuamente em inteligência, tecnologia, capacitação, equipamentos e planejamento operacional, ampliando a segurança de seus agentes e a efetividade das ações. Vale ressaltar que a Polícia Civil atua também em conjunto com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, para reprimir as práticas delituosas”, disse a nota.
J3News

“Educar Sorrindo” inicia nova rota em Valão Seco e divulga cronograma semanal

Os serviços acontecem semanalmente em cada unidade, sempre das 8h às 16h, mediante autorização dos pais ou responsáveis.



O “Educar Sorrindo” inicia uma nova rota nesta terça-feira (18/08), na localidade de Valão Seco. Realizado pela Prefeitura de São Francisco de Itabapoana, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Tecnologia e do Departamento de Saúde Bucal, o programa leva atendimento odontológico gratuito aos estudantes da rede municipal. Os serviços acontecem semanalmente em cada unidade, sempre das 8h às 16h, mediante autorização dos pais ou responsáveis.

O objetivo principal é incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida, reduzindo casos de cáries e a necessidade de extrações dentárias entre as crianças. O cuidado começa nas próprias salas de aula, com ações preventivas, avaliações e aplicação de flúor. Em seguida, os alunos passam pelo Odontomóvel, onde são realizados procedimentos clínicos como limpeza, restaurações e extrações simples de forma lúdica e humanizada.

Nesta primeira etapa, a unidade itinerante atende exclusivamente as creches municipais. Concluída esta fase, o programa seguirá para as escolas de Ensino Fundamental.

Confira o cronograma de atendimento nas creches nesta semana:

Segunda-feira (17/08): Creche Escola Mayara Gonçalves Areas da Silva (Macuco)
Terça-feira (18/08): Creche Escola José da Silva Leite (Valão Seco)
Quarta-feira (19/08): Creche Escola Municipal Rita de Cássia Melgaço (Barra do Itabapoana)
Quinta-feira (20/08): Creche Zenilda Freire Manhães Barreto (Imburi)
Sexta-feira (21/08): Creche Rodrigo Barros Gomes (Guaxindiba).
AsCom

Ônibus do Hemocentro estará em São Francisco na próxima terça-feira (25/08)

Objetivo é reforçar estoques e incentivar a doação voluntária na região

A unidade móvel do Hemocentro de Campos estará em São Francisco de Itabapoana para um evento de coleta de sangue. A ação acontecerá na próxima terça-feira (25/08), das 9h às 15h, no estacionamento da Prefeitura, situado na Praça dos Três Poderes, no Centro.

O objetivo da ação é reforçar os estoques de sangue do Hemocentro de Campos dos Goytacazes, que atende toda a região Norte e Noroeste Fluminense, além de incentivar a cultura da doação voluntária na região.

Para participar da coleta, o doador precisa ter entre 16 e 69 anos e pesar mais de 50 quilos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados do responsável legal. É necessário estar bem de saúde, sem sintomas de gripe ou resfriado, além de apresentar documento oficial com foto e CPF. Também é importante estar bem alimentado, evitando alimentos gordurosos nas três horas anteriores à doação.

“Essa parceria com o Hemocentro de Campos é fundamental para garantir o abastecimento de sangue na nossa região. Cada doação pode salvar até quatro vidas, e é por isso que a Prefeitura de São Francisco de Itabapoana abre as portas para facilitar esse ato de solidariedade. Convidamos toda a população que preenche os requisitos a participar e fazer parte dessa corrente do bem”, destacou o secretário municipal de Saúde, Fauazi Cherene.

A equipe do Hemocentro estará no local para prestar todas as orientações e realizar a triagem dos doadores.
AsCom

sábado, 15 de agosto de 2026

Alunos da rede municipal são contemplados com segunda entrega de uniforme do ano

Em fevereiro, logo no início do ano letivo, foi realizada a primeira entrega



Cerca de oito mil alunos da rede municipal de ensino de São Francisco de Itabapoana vão receber mais uma remessa de uniformes entre os dias 24 e 28 de agosto. O investimento da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Tecnologia (SMECT) marca a segunda entrega do ano e o início do segundo semestre letivo.

Desde o início desta semana, as camisas estão no processo final de separação para serem enviadas para as escolas e creches. Em fevereiro, logo no início do ano letivo, foi realizada a primeira entrega.

“Nossos alunos merecem todo nosso carinho. Uma forma de demostrar isso é oferecendo as melhores condições estruturais e de ensino, o que inclui a uniformização de todos. A SMECT não para em busca de oferecer o melhor para nossos estudantes”, observa o secretário municipal de Educação, Cultura e Tecnologia, Gustavo Terra.

As ações fazem parte do conjunto de investimentos realizados pela Prefeitura de São Francisco de Itabapoana para fortalecer a educação municipal, ampliar o acesso dos estudantes aos recursos necessários para o aprendizado e garantir melhores condições para o desenvolvimento das atividades escolares.
AsCom