
Auditoria aponta possível rombo de R$ 8 bilhões por ano na máquina pública do Rio
Pente-fino comandado pelo governador interino Ricardo Couto encontrou indícios de contratos superfaturados, servidores fantasmas, programas de fachada e pagamentos sem comprovação
Uma ampla auditoria realizada no Governo do Estado do Rio de Janeiro teria identificado um desperdício bilionário de dinheiro público. Segundo informações divulgadas pelo portal Agenda do Poder, as irregularidades e despesas consideradas suspeitas podem chegar a aproximadamente R$ 8 bilhões por ano.
O valor representa cerca de 8% do orçamento estadual e poderia estar sendo consumido por contratos com indícios de superfaturamento, pagamentos sem comprovação dos serviços, servidores fantasmas, projetos sociais que não entregavam os resultados prometidos e contratações de finalidade duvidosa.
O levantamento foi determinado pelo governador interino Ricardo Couto de Castro e analisa contratos, convênios, licitações, folha de pagamento, patrimônio e execução orçamentária dos órgãos estaduais.
Relatório ainda não foi divulgado
Apesar do impacto da denúncia, é importante destacar que o relatório final da auditoria ainda não foi apresentado publicamente. Portanto, os R$ 8 bilhões são uma estimativa divulgada com base em informações de bastidores e não um prejuízo definitivamente comprovado pelos órgãos de controle.
A conclusão do trabalho deverá detalhar quais contratos apresentam problemas, quem autorizou os pagamentos, quais empresas receberam os recursos e quanto poderá ser recuperado pelos cofres públicos.
Caso sejam confirmados indícios de crimes, os documentos poderão ser encaminhados ao Ministério Público, à Polícia Federal, ao Tribunal de Contas e a outras instituições responsáveis pelas investigações.
Mais de 4 mil comissionados já foram exonerados
Os primeiros resultados do pente-fino já provocaram mudanças na estrutura estadual. Mais de 4 mil servidores comissionados foram exonerados durante a gestão interina.
Uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado encontrou indícios de funcionários fantasmas em diferentes órgãos. Em uma das secretarias investigadas, 78% dos servidores foram classificados como fantasmas, segundo reportagem do UOL.
As exonerações podem gerar uma economia anual estimada em aproximadamente R$ 355 milhões, considerando salários, férias e décimo terceiro.
Veja Rio
Secretaria foi extinta após suspeitas
Outro caso ocorreu na Secretaria Intergeracional de Juventude e Envelhecimento Saudável. A pasta foi extinta após uma auditoria apontar indícios de direcionamento, conflitos de interesse e superfaturamento em contratos que somavam cerca de R$ 115 milhões.
O governo também suspendeu os repasses relacionados ao projeto 60+ Reabilita e exonerou 35 servidores. As atividades da antiga secretaria foram transferidas para a área de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.
Veja
Suspeitas chegaram à PGR
Parte das descobertas já ultrapassou os limites do Palácio Guanabara. Uma auditoria sobre contratos da Secretaria Estadual de Cidades foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República.
Entre os pontos investigados está um contrato de recapeamento em São Gonçalo que passou de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões após um aditivo de 45,4%, autorizado somente 17 dias depois do início da execução.
Os citados negam irregularidades. O caso chegou à PGR porque envolve autoridades com foro privilegiado.
Folha de S.Paulo
Auditoria também alcançou os Bombeiros
Ricardo Couto determinou ainda a revisão de todos os contratos do Corpo de Bombeiros após a tentativa de celebração de um convênio de R$ 25 milhões com o Instituto Rio Metrópole, entidade investigada por suspeitas de corrupção.
O processo foi paralisado depois de um parecer contrário da Procuradoria-Geral do Estado. Posteriormente, a fiscalização foi ampliada para todos os contratos da corporação. Corpo de Bombeiros do RJ
A pergunta que fica
Se a estimativa de R$ 8 bilhões por ano for confirmada, o caso poderá se transformar em um dos maiores escândalos administrativos da história recente do Rio de Janeiro.
É dinheiro suficiente para ampliar hospitais, melhorar escolas, recuperar estradas, reforçar a segurança pública e atender milhares de famílias que dependem dos serviços estaduais.
Agora, a população espera a divulgação completa do relatório, a identificação dos responsáveis e, principalmente, a recuperação do dinheiro público.
Afinal, se existe um ralo bilionário dentro da máquina estadual, alguém abriu a torneira e alguém precisa responder por isso.Fonte principal: Agenda do Poder