Os rodoviários podem parar às atividades na próxima quinta-feira, por tempo indeterminado. Mais uma vez, motoristas e cobradores de várias empresas de ônibus de Campos fizeram uma paralisação de alerta no final da tarde desta quinta-feira (06), por meia hora, em pleno horário de rush, onde trabalhadores de comércios estão retornando às suas residências.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas e Passageiros, Roberto Virgílio, os trabalhadores estão insatisfeitos com as empresas, depois que as mesmas teriam dito não haver recurso para o reajuste salarial na data-base, a contar no último dia 1º de março. A categoria reivindica aumento de 17%, cesta básica, uniforme gratuito, plano de saúde e a não cobrança de valor, por parte do cobrador do coletivo, caso o veículo seja assaltado. O Sindicato das Empresas de Transportes de Campos (Setranspas) adiantou, que nenhum dos pedidos dos trabalhadores será atendido pelas empresas atualmente.

— Os trabalhadores estão com medo de que as empresas que ainda atuam na cidade tenham o mesmo destino da Tamandaré e Progresso, que faliram e não pagaram os direitos dos funcionários. Demos o prazo de uma semana para que os empresários resolvam essas pendências com os funcionários. Caso não tenhamos a pauta atendida, vamos parar por tempo indeterminado — disse Virgílio, que já registrou a pauta de reivindicação dos rodoviários junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Por volta das 17h30, rodoviários se reuniram no Terminal Rodoviário, na avenida Rui Barbosa, na Lapa, para discutir a paralisação por tempo indeterminado, que deve ocorrer na próxima semana. Enquanto isso, a população se virava como podia em transportes alternativos lotados, carros de lotação ou até mesmo táxis. “Já no início do ano estamos enfrentando problemas com o transporte público. Não há investimento algum nos coletivos. Um absurdo, uma cidade bilionária como esta ainda enfrentar esse tipo de problema. Sou trabalhador e entendo os rodoviários”, disse o comerciário Luan Ribeiro, de 33 anos.
Já um dos rodoviários, que preferiu não ser identificado, relatou que os trabalhadores não estão aguentando mais ter que trabalhar sem cesta básica, melhores salários e péssimas condições de trabalho. “Vamos parar. Chega! Não queremos ser desrespeitados mais”, relatou.
Dulcides Netto