Gestores da Saúde apresentam falta de estrutura e apelam por atenção do governo do Estado
Vereador de São Francisco de Itabapoana, Marcelo Garcia falou pelo município.Foto: Ascom/Câmara

“Abrir mais serviços (na área da Saúde Pública) neste momento de crise é suicídio, porque não temos dinheiro”. A frase emblemática não teria muita importância não fosse proferida pela Subsecretaria Executiva do Fundo Estadual de Saúde, Silvia Regina Portugal, que representou o secretário de Saúde do Estado, Felipe Peixoto,durante a audiência pública, sobre Saúde Regional, realizada nesta segunda-feira (07) na Câmara de Campos pela Comissão de Saúde da Alerj (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Gestores da Saúde e vereadores de cidades da região participaram da audiência e apresentaram para debate a falta de estrutura na área da Saúde que afeta moradores das cidades das regiões Norte e Noroeste Fluminense, e o consequente crescimento das demandas nas cidades polos regionais de Saúde, no caso Campos, Macaé e Itaperuna.O secretário de Saúde de Campos, Geraldo Venâncio, e vereadores, como Paulo Hirano e Edson Batista, que são médicos, bem como dirigentes de hospitais, apresentaram as grandes demandas e apontaram a necessidade de maior contrapartida do governo estadual e do governo federal. A audiência foi presidida pelo presidente da Comissão, o deputado estadual, Jair Bittencourt que acordou a realização do evento regional em Campos com o presidente da Câmara, Edson Batista. Bittencourt veio acompanhado dos deputados Geraldo Pudim e João Peixoto, membros da Comissão de Saúde da alerj.Dentre os principais assuntos da pauta, consta a solicitação da Unidade Móvel de Tomografia para atender a demanda reprimida da região por exames; apoio para a transformação das Unidades Básicas de Saúde, através a implementação do Programa ESF (Estratégia de Saúde da Família), que tem apresentado importantes resultados nas primeiras 26 UBS já contempladas com o Programa em Campos; o credenciamento de 10 leitos de UTI da Santa Casa de Misericórdia; Ações Integradas para o Combate à Dengue; e a formação de um Comitê Integrado para Discussão da Saúde no âmbito Regional, conforme propostas levantadas durante as discussões.Ao final da reunião, Jair Bittencourt agradeceu a acolhida à Comissão, e fez deferências elogiosas a Edson Batista e à Prefeita Rosinha Garotinho. O parlamentar prometeu que ele e os deputados Geraldo Pudim e João Peixoto, que são membros da Comissão de Saúde estiveram presentes, vão apresentar o pleito regional na Alerj, e seguida encaminhará as solicitações ao Governo do Estado.A audiência transcorreu num ambiente de cordialidade, e o secretário de Saúde, Geraldo Venâncio, que completa 20 dias no comando da Secretaria de Saúde, recebeu inclusive elogios de dirigentes da Santa Casa de Misericórdia, respondeu a todas as perguntas, fez diversas considerações sobre os avanços da Saúde em Campos, fez questionamentos sobre a defasagem da tabela SUS, que paga por exemplo R$ 70 por uma cirurgia coronariana, conforme enfatizou o vereador, também médico, Abdu Neme.Abdu perguntou ao deputado Jair Bittencourt se ele conhece alguma prefeitura no Estado do Rio que faz o complemento da tabela SUS como a Prefeitura de Campos faz para assegurar mais serviços à população de Campos e região, e Jair, que já foi prefeito de Itaperuna duas vezes, disse que não sabia. Numa de suas explanações o deputado declarou que em Itaperuna o Hospital São José do Avaí faz a gestão através de uma fundação que permite serviços particulares, que gera receita, mas em Campos, é outros sistema e os hospitais públicos não podem realizar serviços particulares e por isso somente geram despesas.Governança Regional
O vereador Edson Batista sugeriu a criação de uma governança institucional em âmbito regional para atender aos municípios menores. “Assim, essas cidades teriam uma estrutura mínima necessária, deixando de sobrecarregar os municípios-polos, como Campos, Macaé e Itaperuna que já se encontram com suas estruturas saturadas”, disse ele, destacando que a governança teria a participação das Câmaras municipais e deputados.
Presidente do Sindicato dos Médicos de Campos, José Roberto Crespo, fez críticas ao Estado que, segundo ele, é omisso e deixa os municípios abandonados.
Pacientes em apuros

Vereador em São Francisco de Itabapoana (SFI), Marcelo Garcia afirmou que os pacientes do município estão morrendo porque não há regulação de vagas de UTI pelo governo estadual. “O estado é responsável, mas não está nem aí. Se Campos não estivesse aqui ao nosso lado, com toda sua estrutura e os investimentos da prefeitura, a situação estaria bem pior”.
Segundo Garcia, quando o paciente tem dificuldade acaba indo parar na Justiça. “E quem é que acaba pagando é o município, não o governo estadual como responsável”.
Marcelo Garcia pediu à Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa (Alerj) que intervenha em favor do município, considerado um dos mais pobres do Estado do Rio de Janeiro. “Estamos perto de cidades ricas, mas somo um município pobre e precisamos da ajuda do governo estadual. Se Campos não tivesse aqui do nosso lado, se a prefeitura campista não fizesse esses investimentos, a situação para nós estaria muito pior”, admitiu.
Leonardo Ferraz, interventor judicial da Santa Casa de Misericórdia de Campos, disse que a Junta Interventora tem trabalhado atualmente para reerguer o hospital do ponto de vista administrativo.
Marco Antônio Veloso, representante da Beneficência Portuguesa, alegou os mesmos problemas. “Hoje somos regulados pela prefeitura, mas ressalto, assim como disse o doutor Leonardo, que tendo o doutor Geraldo Venâncio à frente da Secretaria Municipal de Saúde, a conversa ficou mais clara”.
ESPIRITO DO CAMPISTA – Já Cristina Lima, do Hospital Psiquiátrico João Viana, agradeceu o apoio da população. “Eu dirijo um hospital filantrópico que vem sofrendo com a política federal que recai sobre a política estadual. Desde 2006 não vemos um aumento no nosso repasse que é de R$43, subindo para R$ 70 devido à complementação da prefeitura. Sem esse repasse da prefeitura já estaríamos fechados. Ainda assim é muito pouco para manter toda a estrutura. Só não fechamos as portas por causa do espírito caridoso do campista”.



