GUILHERME BELIDO

Em pleitos enxutos pela pandemia, a difícil missão de escolher
O Brasil vai às urnas em aproximadamente 60 dias para eleger os prefeitos e vereadores dos municípios. A Covid empurrou as eleições para 15 de novembro, retomando a data que assinala a proclamação da República a qual, por longas décadas, abrigou o processo eleitoral.
O adiamento foi uma deliberação do Congresso juntamente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevendo, ainda, que em eventuais casos de cidades que não apresentem condições sanitárias seguras, novas datas poderão ser estabelecidas.
Restrições – Mas, para além da mudança de calendário, o que se deseja enfocar é o quanto campanhas mais curtas e repletas de restrições irão impactar a escolha do eleitor e, numa reflexão talvez exótica, o quão melhor ou pior o ‘novo ambiente’ terá influência na busca pelo melhor candidato.
Sem o corpo-a-corpo de apertos de mãos e abraços, somados às demais normas de distanciamento social, a comunicação dos candidatos com o eleitor será basicamente via Horário Eleitoral Gratuito e redes sociais.
Considerando que as fake news abalaram sobremaneira a já então frágil confiança do que é impulsionado nas redes – tema que nos últimos meses vem ganhando enorme visibilidade, pondo em xeque os conteúdos compartilhados –, resta ao eleitor pôr maior atenção nas falas dos candidatos e buscar o histórico e as propostas de cada qual.
Menos alvoroço – Nem precisava dizer, todos desejaríamos campanhas eleitorais amplas e sem as restrições que o momento exige. Por outro lado (e agora retomo à ‘reflexão exótica’) a Justiça Eleitoral há muito vem impondo limites absolutamente corretos no afã de evitar abusos, de tornar os processos mais equânimes e, ainda, para que todos tenham chances iguais.
Lembro-me que em 2000, quando a legislação eleitoral foi alterada, definindo fronteiras para que houvesse equilíbrio entre candidatos com maior e menor capacidade econômico-financeira – moderando os espaços publicitários veiculados na imprensa, fixando normas para entrevistas e matérias com os postulantes, regulando a exibição de out-doors e tamanho de placas, estabelecendo regras para comícios, enfim, diversas medidas para evitar a prevalência econômica – fiz uma longa entrevista com o juiz Geraldo Batista de Silva Jr., que estava tendo o maior trabalhão para que todos entendessem e cumprissem o conjunto de regulamentações que trazia mudanças profundas no sentido de tornar mais justo e igualitário o processo de escolha.
Em tempos mais recentes, entrevistei duas ou três vezes o juiz Elias Pedro Sader Neto, cujas observações firmaram esse mesmo sentido: a Justiça Eleitoral evoluindo para permitir que todos tenham as mesmas oportunidades. Isso, sem falar na redução da poluição sonora e visual, que tanto enfeavam a cidade como produziam barulho infernal.
Enfim, neste ano por um motivo lamentável e catastrófico, o eleitor vai precisar pesquisar e se orientar com maior afinco para que seu voto não seja prejudicado por distrações.
Fonte Terceira Via