Termos comuns na economia, e presente no dia a dia da população, são um desafio à compreensão
POR GIRLANE RODRIGUES
InvestSmart | Philipe Assis é Assessor de investimentos em Campos (Foto: divulgação)
Aumento de preços dos produtos, taxa de juros, oscilação do dólar, caderneta de poupança, investimentos em renda fixa ou variável, bolsa de valores, inflação. Selic, IPCA, IPGM, PIB, LCA, LCI… Os termos do “economês”, embora presentes no dia a dia de todos, desafiam a compreensão da dona de casa, do chefe de família, do jovem que decidiu morar sozinho, do profissional autônomo, do microempresário, empresário e até – acredite – do investidor.
Nem todos sabem como lidar com este tema tido como fundamental para uma vida financeira equilibrada e é por isso que existem os assessores de investimentos, cuja profissão não para de crescer. Eles intermedeiam a relação entre o trabalhador/investidor e o mundo das finanças, entendendo como funciona o mercado e orientando o cliente quando, onde e como investir.
“O conhecimento está acessível a todos, mas muitos preferem terceirizar, por falta de tempo, prioridade ou outros motivos. É cultural que no Brasil o entendimento sobre finanças seja passado de pai para filho e isso não é garantia de que haverá equilíbrio econômico na família, pois os filhos podem aprender e não praticar ou, ainda, o pai pode ensinar a economizar, a poupar, mas não sabe investir. É por isso que poucos poupam e investem, comportamento que vai se multiplicando a cada geração”, contextualiza o assessor de investimentos Philipe Assis, que atua no InvestSmart, credenciado à XP.
Phillipe explica que foi a partir do início dos anos 2000, com a criação da XP Investimentos que o assunto ganhou fama e popularidade entre os brasileiros. Antes disso, segundo ele, o conhecimento financeiro estava restrito a profissionais da área de exatas que se formavam em matemática, contabilidade, administração, ou cursos semelhantes.
“Naquela época, as condições do país estavam favoráveis aos investimentos, mas o brasileiro não detinha o conhecimento. Quem queria investir precisou estudar para fazer aplicações mais rentáveis. E a XP instigou esta mudança, por meio do então CEO da companhia, Guilherme Benchimol, que importou o comportamento dos Estados Unidos. Lá, toda família tem um médico e um assessor de investimentos. Não é uma área difícil de dominar, mas muitos investidores não a dominam porque preferem focar na sua profissão para gerar e aumentar renda e terceirizar os investimentos com a gente. Muitos médicos e empresários nos procuram para este fim”, comenta Philipe.
O assessor passou a atuar nesta área quando estudou o assunto para gerenciar as próprias finanças. “Apliquei primeiro na minha vida o conhecimento que adquiri no curso superior de Administração. Percebi depois que poderia ajudar muita gente e unifiquei o propósito”, diz.
A Educação Financeira é cogitada para entrar na grade curricular das escolas nos ensinos fundamental e médio. Enquanto isso não acontece, os interessados podem fazer cursos específicos de gestão financeira que são oferecidos por bancos e outras companhias de finanças. Em muitos casos, não há custo. Philipe explica também que os assessores de investimentos não recebem diretamente do cliente que os contratam, mas indiretamente, por meio das regras de mercado.
Dados
Uma pesquisa revela que apenas entre 3 e 4% da população brasileira investe atualmente. Enquanto nos Estados Unidos este número é superior a 60%. “Temos um longo caminho, mas já começamos este processo nesta geração”, diz Philipe.
Sopa de Letras
Taxa Selic – Historicamente, a caderneta de poupança sempre foi um bom negócio, até os anos 2000, assim como a compra de imóveis. Philipe explica que este cenário começou a mudar com a queda brusca da taxa Selic, a partir de 2010.
“A Selic é como se fosse a taxa mãe, todas as outras a acompanham e é definida pela Comissão de Política Monetária, o Copom, que é um braço do Banco Central (BC). Por sua vez, o BC se reúne a cada 45 dias para debater a economia e provocar mudanças para se equilibrar. Isso inclui o famoso empurrãozinho ou o freio que resulta no aumento ou na queda da Taxa Selic”, detalha o assessor. Segundo ele, se a taxa Selic está alta, aumentam também os juros que incorrem sobre o financiamento do carro, do empréstimo pessoal ou bancários, assim como aumentam os rendimentos e lucros dos investimentos.
CDI – Os investimentos estão indexados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI) que acompanha a Selic. Quem investe em renda fixa, empresta dinheiro para o governo e recebe lucros por isso, baseados na taxa Selic.
IPCA – Índice de Preço ao Consumidor Amplo, criado para medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. O IPCA não sofre impacto da Taxa Selic.
IGPM – Índice Geral de Preços ao Mercado é um indicador mensal do nível de atividade econômica do país, englobando seus principais setores. O IGPM não sofre impacto da Taxa Selic.
PIB – O Produto Interno Bruto é a soma de todas as riquezas produzidas por um país em determinado período de tempo.
LCA e LCI – Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letra de Crédito Imobiliário (LCI) são dois tipos de investimentos em renda fixa isentos de Imposto de Renda, que costumam garantir retornos superiores ao da poupança.
CDB – O Certificado de Depósito Bancário é um título de renda fixa emitido pelos bancos com a função de captar dinheiro e financiar suas atividades. Em troca deste empréstimo ao banco, o mesmo devolve ao investidor a quantia aplicada mais o juro acordado no momento do investimento.
Fonte:Terceira Via