Núcleo de Pesquisa Econômica que funciona na Uenf tem dados e informações que iluminam a tomada de decisões para o desenvolvimento regional
Foto: Campos 24 Horas.
Os desafios do crescimento regional na era do declínio da produção dos royalties do petróleo exigem a multiplicação de esforços na busca de novos caminhos para o desenvolvimento da economia e envolve os diversos segmentos da sociedade, entre eles o poder público e a iniciativa privada. Dentro deste contexto, o Nuperj (Núcleo de Pesquisa Econômica do Estado do Rio de Janeiro) que funciona na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) assume papel de fundamental importância como fonte de conhecimento e informações sobre as potencialidades de Campos e região, com um site na internet que contém relevantes informações atualizadas sobre a realidade econômica estadual e regional. O Campos 24 Horas mostra nesta matéria especial os conteúdos que são gerados pelo Nuperj.
“A criação do Nuperj, em outubro de 2019, se deu em função das limitadas opções de estudos científicos sobre a economia do estado, com o objetivo é gerar conteúdos qualificados para apoiar o processo de tomada de decisão, tanto na esfera pública, quanto na privada, além do apoio à novas pesquisas e publicações no campo econômico e social. Entendemos que iniciativas dessa natureza se caracterizam como instrumento essencial para o processo de desenvolvimento econômico e regional”, analisa o professor e doutor Alcimar Chagas Ribeiro, um dos idealizadores do núcleo, que conta com o apoio de bolsistas e parceiros de diferentes ramos do conhecimento científico.
Importante produtor de petróleo, sede de um dos maiores portos do mundo e detentor de ricos recursos naturais, o Estado do Rio não conseguiu se apropriar das externalidades positivas dos grandes projetos implementados. Por outro lado, as rendas oriundas de royalties e participações especiais da exploração de petróleo não foram capazes de transformar o estado em condições compatíveis com os investimentos públicos e privados fixados no território.
“Com o declínio esperado da produtividade da produção de petróleo e a queda das rendas de royalties e participações especiais, a busca de alternativas econômicas passou a tomar conta das agendas das discussões econômicas entre as lideranças políticas, empresários e atores da sociedade civil. Com o olhar para o passado, logo vem o resgate da importância histórica do setor agropecuário como alternativa à atividade petrolífera, cuja riqueza de outrora dificilmente retornará, até porque os campos maduros exigem esforços de investimento distante do interesse da Petrobras, conforme indicado no seu plano estratégico para 2021 a 2025”, observa Alcimar.
De acordo com o professor Alcimar, a economia regional tradicional com base na produção agrícola, entretanto, padece de ausência de organização da cadeia produtiva. “Sem esta organização e reestruturação produtiva, que passa por renunciar ao individualismo para a organização coletiva, por associações ou cooperativas, a economia rural não tem poder competitivo. Sem isso não tem como avançar, produzir em escala comercial para gerar renda e emprego para se tornar uma atividade importante”, analisou.
O pesquisador menciona como exemplo a pecuária leiteira entre as atividades tradicionais. O professor Alcimar lembra que a atividade no Norte/Noroeste Fluminense corresponde a cerca de 50% da produção estadual, sendo Campos o maior produtor.
“Mas quando vamos ao supermercado comprar leite, manteiga, ricota ou iogurte é só ver a embalagem que são produtos procedentes de outras regiões ou mesmo de estados vizinhos como Minas Gerais e Espírito Santo”, disse.
O beneficiamento destes produtos gera melhor renda média para o produtor e mais empregos, além de melhores, a partir de fabricação de itens de maior valor agregado.
A organização desta cadeia produtiva, entretanto, esbarra nos baixos índices de confiança do produtor local. “A confiança está entre os valores e princípios fundamentais do associativismo ou do cooperativismo. E em nossa região não há um espírito de confiança mútua. É preciso mudar essa cultura”, frisou Alcimar.
A reestruturação desta produção passa por diferentes braços de apoio. “Além do conhecimento da universidade, o produtor precisa de crédito, capacitação, assistência técnica, logística e comercialização. Envolve órgãos de pesquisa e extensão que nós temos aqui como a Uenf, a Universidade Federal Rural (UFR-RJ), a Emater, o IFF e a Pesagro”, lembrou. “Sem planejamento, esta governança e integração não há como organizar e transformar as bases de produção em vantagens competitivas no sentido de conquistar mercados”, disse ainda Alcimar, que já publicou livros sobre o desenvolvimento regional como “A Economia do Norte Fluminense”.
A partir de recursos obtidos através de um projeto apresentado à Faperj (Fundação de Apoio e Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), o Nuperj foi reforçado de equipamentos e uma equipe de parceiros e bolsistas da Uenf.
“Estou bastante otimista com o futuro do Nuperj porque são estudos e pesquisas de extrema relevância enquanto ferramenta essencial para o aprofundamento do conhecimento sobre a conjuntura econômica regional. Como sabemos, a informação é um insumo fundamental para o planejamento de estratégias de negócios no setor privado e, sobretudo, para a formulação de políticas públicas, tão necessárias a este território que se constituiu como sede de projetos estruturantes de relevância nacional e internacional”.
O site na internet abriga boletins mensais da economia regional e estadual, artigos científicos, textos técnicos, além de informes sobre publicações, livros, eventos, palestras, reuniões. “O site reúne dados importantes sobre a economia da região e com muita sutileza constrói análises sobre temas relevantes, tais como: conjuntura econômica; PIB; valor adicionado fiscal; operações bancárias; atividade agrícola; emprego formal e execução orçamentária no contexto da região”.
Por fim, Alcimar avaliou que, mais do que nunca, é preciso rediscutir os caminhos para o desenvolvimento regional a partir da diversificação das atividades tradicional com o esgotamento da produção de petróleo na Bacia de Campos.
“A Bacia de Campos caminha para um processo de exaustão. São poços maduros que são explorados a pelo menos quatro décadas. Enquanto isso, a Bacia de Campos está bombando com o pré-sal que agora contempla municípios como Niterói, Maricá e Saquarema. Em 2009, a Bacia de Campos produzia 87% da produção nacional de petróleo. Hoje a produção é de 28%”, concluiu.
Fonte:Campos 24 horas