terça-feira, 18 de abril de 2023

Enem: estudantes já podem pedir isenção de taxa Pedidos devem ser feitos até 28 de abril na página do participante

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudantes que forem fazer o Enem 2023 – o Exame Nacional do Ensino Médio – podem pedir a isenção da taxa de inscrição a partir desta segunda feira, dia 17. Os pedidos devem ser feitos na página do participante.

Podem solicitar a isenção, estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio em escolas da rede pública, ou que tenham sido bolsista integral em rede privada; que tenham renda familiar per capita inferior a 1 salário mínimo e meio; ou ainda, estudantes com declaração de vulnerabilidade econômica e inscritos no cadúnico do governo federal.

Para assegurar a acessibilidade, além da versão tradicional, este ano o Inep disponibilizou duas versões do edital de isenção da taxa de inscrição e da justificativa voltadas a participantes com deficiência. Uma em Libras – a Língua Brasileira de Sinais – e outra com adaptações para pessoas com deficiências visuais.

O prazo para fazer o pedido é até o dia 28 de abril.

Esse prazo vale também para os estudantes que ganharam a isenção e não compareceram na prova do ano passado devem apresentar justificativa.

Caso não apresente justificativa ou ela seja recusada, o estudante terá que pagar a taxa de inscrição. O resultado da análise das justificativas sairá no dia 08 de Maio.

As provas do Enem 2023 estão marcadas para os dias 5 e 12 de novembro.
Foto: Agência Brasil/Show Francisco

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Balcão de Emprego com vaga para empregada doméstica e estágio remunerado em Direito

O Balcão de Emprego de São Francisco de Itabapoana (SFI), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Humano (SMTDH), está anunciando uma vaga de empregada doméstica e outra para estágio remunerado em Direito. As oportunidades são para atuar no município.

Para empregada doméstica a pessoa contratante levará em consideração como diferencial ter experiência e gostar de crianças. Já para o estágio remunerado os pré-requisitos exigidos são estar cursando entre o 5º e 9º ano de Direito e disponibilidade para estagiar três vezes na semana, sendo que ter estágio na área de Direito Previdenciário será um diferencial na hora da avaliação do candidato.

Os interessados devem enviar currículo para o e-mail balcaodeemprego@pmsfi.rj.gov.br ou ainda entregá-lo na nova sede da SMTDH, situada na Avenida Vereador Edenites da Silva Viana, nº 141, no Centro da cidade, de segunda a sexta-feira, exceto feriados e pontos facultativos, das 8h às 17h.

“Quem tiver oportunidades de emprego ou de estágio remunerado e desejar participar desta parceria de sucesso com o Balcão é só procurar a equipe da SMTDH que a gente divulga as vagas disponíveis e ainda se encarrega de receber os currículos dos candidatos”, orientou o secretário da pasta, Fagner Azeredo.
AsCom

Plantão do Sebrae e palestra empresarial “Como criar postagens criativas” nesta quinta (20)

Os microempresários do município interessados na consultoria gratuita do plantão de atendimento do Sebrae-RJ, que acontecerá nesta quinta-feira (20), já podem realizar o agendamento através do número de WhatsApp (22) 99906-4243. No mesmo dia, haverá palestra empresarial gratuita com o tema “Como criar postagens criativas”. As duas ações acontecem por intermédio de parceria entre a Prefeitura de São Francisco de Itabapoana (SFI) e o Sebrae-RJ.

Em SFI, a analista do Sebrae Jéssica Rangel é a responsável por prestar orientação especializada durante o plantão mensal no município esclarecendo dúvidas sobre finanças, marketing, inovação, legislação, gestão de pessoas, entre outros assuntos. O atendimento ocorrerá na sede da SMTDH, na Avenida Vereador Edenites da Silva Viana, nº 141, na área central da cidade.

Regularmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, através da Sala do Trabalhador e Microempreendedor, a SMTDH já presta aos microempreendedores o serviço de parcelamento e consultoria especializada, além de emissão de boletos DAS (Documento de Arrecadação do Simples), legalização de MEI (microempreendedor individual), emissão de Declaração Anual e baixa no CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica).

Palestra - Já em relação à palestra empresarial, o evento acontecerá às 16h, na sede da SMTDH. Os interessados devem se inscrever gratuitamente acessando o link https://forms.office.com/r/hJT696CkAU

“O tema é bastante pertinente em tempos de tecnologia, ‘Como criar postagens criativas’, aproveitando todo o potencial das redes sociais e dos aplicativos de mensagens para promover a divulgação da sua marca, produto ou serviço, e o que é melhor, sem precisar realizar nenhum investimento financeiro adicional”, destacou o secretário municipal de Trabalho e Desenvolvimento Humano, Fagner Azeredo.
AsCom

Inscrições abertas para o Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2023

Estão abertas, até 21/8, as inscrições gratuitas para o Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2023. “A intenção da Firjan é reconhecer as ações bem-sucedidas desenvolvidas pelas empresas e instituições no estado do Rio de Janeiro. Queremos divulgar e motivar melhores práticas, que envolvam o aprimoramento dos processos produtivos industriais, projetos socioambientais e iniciativas de cunho sustentável”, destaca Isaac Plachta, presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da Firjan.

Podem participar empresas, associações, sindicatos, instituições de ensino e pesquisa, terceiro setor, universidades e demais pessoas jurídicas com projetos concluídos ou em fase de implantação, desenvolvidos no território fluminense e com resultados mensuráveis em 2021 e/ou 2022. Os finalistas e vencedores serão revelados durante a cerimônia presencial de premiação, que será realizada no segundo semestre.

A edição atual, a décima primeira desde 2013, possui seis categorias: Estratégias de Engajamento e Promoção da Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável; Água e Efluentes; Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos; Mudança do Clima e Eficiência Energética; Resíduos Sólidos; e Gestão de Impacto e Investimento Social. O regulamento completo e o link para inscrições estão disponíveis no site do Prêmio.
Firjan

Zé Neto e Cristiano, Ludmilla, Belo e Ferrugem já confirmados na Expo Campos, em agosto

MATHEUS BERRIEL 
Nomes foram divulgados no perfil do evento no Instagram

Ainda faltam quase quatro meses para a 61ª Exposição Agropecuária de Campos, que ocorrerá de 3 a 6 de agosto. Porém, quatro das atrações principais já foram divulgadas. A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano fará o show no dia 3, uma quinta-feira. Na sexta-feira (4), o palco principal ficará por conta da cantora Ludmilla, com vários sucessos emplacados no funk e no pagode. Já no domingo (6), haverá dose dupla para os pagodeiros, com shows de Belo e Ferrugem.
A organização da Expo Campos ainda não divulgou o shows de sábado (5). Também não há ainda informações sobre shows que farão parte do camarote, tradicionalmente montado.
Fonte:Fmanhã

Restaurante do Povo comemora a marca de 1 milhão de refeições servidas

Data contou com programação especial

(Fotos: PMCG)

O Restaurante do Povo comemorou neste domingo (16) a marca de 1 milhão de refeições servidas. E, para marcar a data, além de oferta de diversos serviços para os usuários do equipamento, como vacinação, consultas médicas, corte de cabelo, atendimentos sociais e atrações culturais e musicais, autoridades e funcionários foram homenageados.

O Grupo Gotta, da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, encenou a rotina do restaurante e o cantor Ed. Ébano promoveu uma roda de samba.

O Prefeito Wladimir Garotinho foi homenageado pelos usuários do equipamento e em seu discurso lembrou do período em que o local esteve fechado e os meios que encontrou para não deixar a população que dependia do restaurante desassistida.

“Começamos a luta com um café solidário entre amigos, que durou por dois anos. Hoje como prefeito conseguimos reabrir o Restaurante Popular. Eu disse que se eu ganhasse a eleição, eu iria abrir. Não sabia como seria, foi pela fé. Aquela promessa foi concretizada em quatro meses de governo. O Restaurante do Povo passou a ser um local de convivência e acolhimento da população de rua. Eles saem do local encaminhados para rede de assistência social e saúde. Quem nunca passou fome, não sabe da importância do Restaurante do Povo. Tenho muito orgulho de dar continuidade aos programas sociais iniciado pelos meus pais. Um milhão de vezes obrigado a todos que fizeram parte desse sonho”, afirmou.

Após 4 anos fechado, o Restaurante do Povo foi reaberto em Campos no dia 7 de maio de 2021, fruto de uma parceria bem-sucedida da Prefeitura de Campos, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social, com o Governo do Estado, pelo Programa RJ Alimenta.

Ele funciona diariamente, com café da manhã, almoço e jantar. A subsecretária adjunta de Desenvolvimento Humano e Social, Grazielle Gonçalves, agradeceu o empenho e parceria dos funcionários do equipamento. “O dia de hoje é de muita gratidão. Eu agradeço a toda a equipe que está aqui de segunda a segunda, fazendo esse equipamento funcionar, acolhendo os usuários. Agradeço ao Prefeito Wladimir, ao governador Claudio Castro, ao deputado Bruno Dauaire e ao ex-governador Garotinho, por todo o trabalho desenvolvido para oferecer assistência aos mais vulneráveis”.
AsCom


Filhote de onça parda é resgatado em zona rural de Cambuci

MÁRIO SÉRGIO JUNIOR

Filhote de onça parda / Divulgação

Um filhote de onça parda, que seria alvo de maus-tratos, foi resgatado em Cambuci, no último sábado (15). Segundo a Polícia Ambiental, o animal foi encontrado em uma área de mata no sítio Natividade, em Cruzeiro, zona rural de Cambuci. O felino foi levado para o Parque APA Maria Paula, em São Gonçalo, onde ficou sob cuidados veterinários.
Ainda de acordo com a Polícia Ambiental, uma denúncia dava conta de que o filhote de onça parda estaria sofrendo maus tratos por ficar rondando as proximidades da propriedade. Nenhum suspeito foi detido.

Antes de ser levado para a APA Maria Paula, o animal foi examinado pela veterinária da Polícia Ambiental, que constatou que o filhote estava em condições de seguir viagem até São Gonçalo.
O caso foi registrado na 142ª Delegacia de Polícia (Cambuci).Fonte:Fmanhã

Carro bate em poste e derruba rede elétrica próximo à Ponte Barcelos Martins

Trânsito no local deve ser liberado após às 13h

(Foto: Divulgação)

Na madrugada desta segunda-feira (17) um veículo SUV bateu em um poste na Avenida Francisco Lamego, em Guarus. Com o impacto o poste caiu e ficou atravessado interrompendo o trânsito, em ambas as pistas, durante a manhã. O acidente aconteceu próximo à Ponte Barcelos Martins. Duas pessoas ficaram levemente feridas e foram socorridas para o Hospital Ferreira Machado (HFM). Não há informações sobre o que teria ocasionado o acidente.

A previsão é que o tráfego no local seja liberado após às 13h. A ENEL esteve no local para realizar reparos emergenciais na rede elétrica.
Fonte:J3News

Festa de Nossa Senhora da Penha, termina nesta segunda (17), em Atafona

Encerramento conta com os principais eventos religiosos e queima de fogos

Divulgação: SECOM

Os festejos em homenagem a Nossa Senhora da Penha, em Atafona, terminam nesta segunda-feira (17), dia da Padroeira, quando ocorrem os principais eventos religiosos, além da queima de fogos à meia-noite. Atração desta segunda (17), o cantor católico Tony Allyson, faz show às 21h. A programação têm apoio da Prefeitura de São João da Barra e integra o Circuito Religioso no município. No domingo, a procissão fluvial reuniu centenas de fiéis que aguardaram no Cais de Nossa Senhora da Penha, a imagem da padroeira. O cortejo saiu do Santuário e foi acompanhado pela Banda União dos Operários até as embarcações para a procissão pelas águas do Rio Paraíba do Sul.
Divulgação: SECOM

A prefeita Carla Caputi, o padre Michel Bruno e o provedor da irmandade de Nossa Senhora da Penha, Adyvan Pedra, seguiram no barco da padroeira, no cortejo que reuniu 20 embarcações e passou pela Ilha da Convivência e Ilha do Pessanha. À frente estava o barco que levava a imagem de Jesus Misericordioso e, logo atrás, a que conduzia a imagem de Nossa Senhora da Penha.

“A festa da Penha é a maior celebração Mariana do interior do estado. Um verdadeiro mar de fé”, pontuou o pároco Michel Bruno. Todo o percurso da procissão fluvial foi acompanhado pelas equipes da Capitania dos Portos e da Defesa Civil de São João da Barra. As embarcações participantes estavam com equipamentos de segurança de acordo com as exigências e obedecendo ao limite do número de passageiros.
Divulgação: SECOM

Após a chegada ao Santuário, foi realizada a cerimônia de coração de Nossa Senhora da Penha da Penha com a participação de crianças da comunidade e artistas do município. A procissão é uma realização da Paróquia São João Batista e Irmandade de Nossa Senhora da Penha, com apoio da prefeitura de São João da Barra.

Além do show de Tony Allison, Natalha Fernandes também se apresenta hoje.

Durante os dias de festividades, foram realizados eventos musicais, esportivos, recreativos e, principalmente os eventos religiosos: Auto de Maria, procissões fluvial e terrestre, missa campal, cerimônia de coroação e batizados.

*Com informações da Prefeitura de São João da Barra

Trabalhadores nascidos em maio e junho recebem hoje abono salarial

Calendário de liberação segue mês de nascimento ou fim do Pasep

Real Moeda brasileira. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Os trabalhadores da iniciativa privada nascidos em maio e junho recebem nesta segunda-feira (17) o abono salarial ano-base 2021. A Caixa Econômica Federal iniciou o pagamento em 15 de fevereiro e prosseguirá com a liberação até 17 de julho, baseada no mês de nascimento do beneficiário.

O abono salarial de até um salário mínimo é pago aos trabalhadores inscritos no Programa de Integração Social (PIS) ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) há, pelo menos, cinco anos. Recebe o abono agora quem trabalhou formalmente por pelo menos 30 dias em 2021, com remuneração mensal média de até dois salários mínimos.

Para servidores públicos, militares e empregados de estatais, inscritos no Pasep, a liberação ocorre pelo Banco do Brasil, nas mesmas datas do PIS. Nos dois casos, no PIS e no Pasep, o dinheiro estará disponível até 28 de dezembro. Após esse prazo, os recursos voltam para o caixa do governo.

Neste lote, 4.694.323 trabalhadores receberão R$ 4,71 bilhões. Desse total, 4.139.132 têm direito ao PIS; e 555.191, ao Pasep. O benefício também será pago a 1.383.694 trabalhadores nascidos de janeiro a abril não contemplado nos dois lotes anteriores. Eles receberão R$ 1,4 bilhão após a Dataprev, estatal responsável pelo cadastro de trabalhadores, reprocessar os dados e liberar o abono salarial.

Trabalhadores da iniciativa privada que recebem pela Caixa Econômica Federal:

Mês de nascimento……….Data do pagamento

Janeiro e fevereiro………..15 de fevereiro

Março e abril………………15 de março

Maio e junho………………17 de abril

Julho e agosto……………15 de maio

Setembro e outubro………15 de junho

Novembro e dezembro…..17 de julho

Trabalhadores do setor público, que recebem pelo Banco do Brasil:

Final da inscrição Pasep….Data do pagamento

0……………………………..15 de fevereiro

1……….……….……………15 de março

2 e 3……….……….……….17 de abril

4 e 5……….……….………15 de maio

6 e 7……….……….………15 de junho

8 e 9……….……….………17 de julho

Os valores pagos a cada trabalhador variam de acordo com a quantidade de dias trabalhados durante o ano-base 2021.

Devem receber o benefício cerca de 22 milhões de trabalhadores, com valor total de mais de R$ 20 bilhões. Os recursos vêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A Caixa informou que o crédito será depositado automaticamente para quem tem conta no banco. Os demais beneficiários receberão os valores por meio da Poupança Social Digital, podendo ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

Caso não seja possível a abertura da conta digital, o saque poderá ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, Caixa Aqui ou agências, sempre de acordo com o calendário de pagamento.

Abonos esquecidos

Desde 15 de fevereiro, cerca de 400 mil trabalhadores que esqueceram de retirar o abono do PIS/Pasep referente a 2020 podem pedir o dinheiro ao Ministério do Trabalho. Os valores ficaram disponíveis até 29 de dezembro do ano passado, mas quem perdeu o prazo tem até cinco anos para retirar os recursos, desde que entre com recurso administrativo.

Segundo o Ministério do Trabalho, 399.975 pessoas não sacaram o abono salarial de 2020, dos quais 120.947 não retiraram o PIS e 279.028 não sacaram o Pasep. Isso equivale a menos de 1% dos trabalhadores com direito ao PIS e a 10% com direito ao abono do Pasep.

A abertura do recurso administrativo ao Ministério do Trabalho pode ser feita de três formas: presencialmente, por telefone ou pela internet. O pedido presencial pode ser feito em qualquer unidade do Ministério do Trabalho, o que inclui Superintendências Regionais de Trabalho e Emprego, Gerências Regionais do Trabalho e Emprego, agências regionais, agências do Sistema Nacional do Emprego (Sine) e unidades móveis do trabalhador.

O endereço mais próximo pode ser encontrado na página da pasta na internet.

Os pedidos por telefone devem ser pedidos por meio da Central Alô Trabalhador, no número 158. As ligações podem ser feitas das 7h às 19h e são gratuitas para telefones fixos e cobradas para celulares. Pela internet, o trabalhador pode fazer o pedido no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital ou por e-mail. Os e-mails devem ser escritos para trabalho.uf@economia.gov, trocando “UF” pela sigla da unidade da federação onde o trabalhador mora.

Fonte: Agência Brasil

Brasil registrou um conflito no campo a cada quatro horas em 2022

Dados da CPT apontam que Amazônia é principal foco de disputas

Divulgação Polícia Federal

Em 2022, foram registrados 2.018 casos de conflitos no campo, envolvendo 909,4 mil pessoas e mais de 80,1 milhões hectares de terra em disputa em todo o território nacional, o que corresponde à média de um conflito a cada quatro horas. Os dados constam no relatório anual sobre violência no campo, divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta segunda-feira (17). Esses números indicam incremento de 10,39% em relação ao ano anterior, quando houve o registro de 1.828 ocorrências totais de conflitos rurais.

Essas ocorrências abrangem não apenas as disputas específicas pela terra, mas também a disputa por água, trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, contaminação por agrotóxico, assassinatos, mortes e outros casos de violência.

“Nos últimos dez anos, foi só em 2020 que tivemos um número geral de conflitos maior do que esse, em plena pandemia. Por isso, os números do ano passado são muito graves”, observa Isolete Wichinieski, da coordenação nacional da CPT.

Em termos de conflito pela terra, foram 1.572 ocorrências no país. O número representa aumento de 16,70% em relação ao ano anterior.

Ao todo, 181.304 famílias viveram diante da mira desse tipo de conflito no Brasil, o que dá 4,61% a mais que o registrado em 2021. Os casos inseridos nesse eixo são as ocorrências de violências contra a ocupação e a posse e contra as pessoas, além das ações coletivas de ocupação de terras e acampamentos.

Amazônia sob ataque
Das unidades da federação com índices mais elevados de conflitos por terra, quatro integram a Amazônia Legal. A região concentrou, em 2022, um total de 1.107 conflitos no campo, o que representa mais da metade de todos os conflitos ocorridos no país (54,86%), aponta o relatório.

Outro dado alarmante é que, dos 47 assassinatos no campo registrados no Brasil no ano passado, 34 ocorreram na Amazônia Legal, o que representa 72,35% de todos os assassinatos no país.

“A curva ascendente na Amazônia Legal a torna um dos mais graves epicentros da violência no campo na atualidade”, diz a CPT no levantamento. O relatório descreve a região da maior floresta tropical do planeta como “palco de exploração e devastação, criando um verdadeiro campo minado, no qual foram atingidas 121.341 famílias de povos originários e comunidades camponesas em 2022”.

Os dados da CPT também apresentam os principais causadores desses conflitos. No ano passado, os fazendeiros foram responsáveis por 23% das ocorrências de conflito por terra, seguidos do governo federal, com 16%. Em seguida, aparecem empresários (13%) e grileiros (11%). A principal mudança em relação ao ano de 2021 foi o crescimento da participação do governo federal nos conflitos por terra, que saltou de 10% para 16%.

Áreas de fronteira agrícola na Amazônia têm registrado índices crescentes de conflito. É o caso da Zona de Desenvolvimento Sustentável (ZDS) Abunã-Madeira (Amacro), que engloba 32 municípios localizados no sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rondônia, compreendendo uma área de mais de 454 mil quilômetros quadrados. A região tem sido palco de crescente número de conflitos por terra nos últimos anos, tendo como foco sobretudo comunidades tradicionais, como territórios indígenas. Em 2022, foram registrados 150 casos de conflitos por terra nessa região especificamente, o terceiro número mais alto dos últimos dez anos, segundo a CPT.

“A comissão tem observado que, de 2004 para cá, está havendo mudança no foco desses conflitos, que deixaram de ser, em sua grande maioria, com os sem-terra, de disputa pela terra e contra a reforma agrária, para conflitos que vão para cima das comunidades, especialmente indígenas, por meio da grilagem mesmo ou invasões”, destaca Isolete Wichinieski.

Trabalho escravo
O relatório da CPT indica que, ao longo de 2022, foram notificados 207 casos de trabalho análogo à escravidão no meio rural, com 2.615 pessoas envolvidas nas denúncias e 2.218 resgatadas, o maior número dos últimos dez anos. Em comparação ao ano anterior, o aumento foi de 29% no número de pessoas resgatadas e 32% no número de casos.

O levantamento revela que o estado de Minas Gerais concentrou o maior número desse tipo de violência (62 casos com 984 pessoas resgatadas), seguido por Goiás (17 casos com 258 pessoas resgatadas); Piauí (23 casos com 180 pessoas resgatadas); Rio Grande do Sul (10 casos com 148 pessoas resgatadas); Mato Grosso do Sul (10 casos com 116 pessoas resgatadas) e São Paulo (10 casos com 87 pessoas resgatadas). Esses números referem-se exclusivamente às pessoas resgatadas no meio rural, que representam 88% desses casos no país. Os outros 12% são casos de trabalho escravo em áreas urbanas, que não são incluídas no relatório.

“Esses dados não representam o total de pessoas que trabalham em condições subumanas no campo brasileiro, uma vez que nem todas as ocorrências são notificadas ou mesmo descobertas”, diz a entidade.

De acordo com a CPT, o agronegócio e as empresas de monocultivos são os principais responsáveis pela situação de trabalho degradante flagrada no país. Apenas no setor sucroalcooleiro, por exemplo, 523 pessoas foram resgatadas no ano passado.

Chuva de agrotóxicos
Outro agravamento das violações no meio rural foi observado com o aumento dos casos de contaminação por agrotóxicos. Foram 193 pessoas atingidas, um crescimento de 171,85% em relação ao ano de 2021.

O número de famílias afetadas pela aplicação de veneno nas lavouras somou 6.831, o que representa 86% a mais que 2021 e o maior número registrado pela CPT desde 2010, quando esse tipo de violência passou a ser apurada pela Pastoral.

Fonte: Agência Brasil

Previsão de inflação do mercado financeiro sobe para 6,01% em 2023

Estimativa de expansão da economia é de 0,9%, diz BC

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, subiu de 5,98% para 6,01% este ano. A estimativa consta do Boletim Focus desta segunda-feira (17), pesquisa divulgada semanalmente, em Brasília, pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2024, a projeção da inflação ficou em 4,18%. Para 2025 e 2026, as previsões são de inflação de 4% para os dois anos.

A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3,25% para 2023, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior, 4,75%. Segundo o BC, a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2023 é de 83%.

A projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Em março, a inflação desacelerou para todas as faixas de renda. Ainda assim, puxado pelo aumento dos preços dos combustíveis, o IPCA ficou em 0,71%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é inferior à taxa de fevereiro (0,84%). Em 12 meses, o indicador acumula 4,65%, abaixo de 5% pela primeira vez em dois anos.

Juros básicos
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado e é o maior nível desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2023 em 12,5% ao ano. É a primeira vez em dois meses que os agentes econômicos preveem uma redução maior da taxa básica de juros para o fim deste ano; anteriormente, ela ficou em 12,75% por oito semanas seguidas.

O patamar da Selic é motivo de divergência entre o governo federal e o Banco Central. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Para o fim de 2024, a estimativa é que a taxa básica caia para 10% ao ano. Já para o fim de 2025 e de 2026, a previsão é de Selic em 9% ao ano e 8,75% ao ano, respectivamente.

PIB e câmbio
A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano passou de 0,91% para 0,9%.

Para 2024, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 1,4%. Para 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,72% e 1,8%, respectivamente.

A expectativa para a cotação do dólar está em R$ 5,24 para o fim deste ano. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5,26.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 16 de abril de 2023

Festa de Nossa Senhora da Penha segue até a próxima segunda, em Atafona

Os destaques musicais da festa são Israel e Rodolffo, no domingo (16), às 23h; e o cantor Tony Allyson, na segunda-feira (17), às 21h



Os festejos em homenagem a Nossa Senhora da Penha, em Atafona, seguem até a próxima segunda-feira (17). Segundo a Prefeitura do município, os festejos têm o ponto alto no final de semana e na segunda-feira (17), dia da Padroeira, quando acontecem, também, as programações musicais, esportivas, recreativas e os principais eventos religiosos: Auto de Maria, procissões fluvial e terrestre, missa campal, cerimônia de coroação e batizados. As festividades têm apoio da Prefeitura de São João da Barra e integram o Circuito Religioso no município.

Segundo a Prefeitura de São João da Barra, os destaques musicais da festa são Israel e Rodolffo, no domingo (16), às 23h, e o cantor Tony Allyson, na segunda-feira (17), às 21h. Completam a programação musical, elaborada pela Secretaria Municipal de Turismo e Lazer, atrações locais e regionais. Neste sábado (15), animam a noite a banda Energia Universitária, às 22h; Xandão e Banda, 0h; e Banda Malandragem, 1h. Domingo (16) se apresenta, ainda, Rebeka Monteiro, 1h. Na segunda-feira (17), Natalha Fernandes se apresenta às 22h.

Na parte esportiva, no domingo, às 9h, acontece a tradicional prova ciclística. No ciclismo serão as seguintes categorias: Elite, Elite Local, Master A, Master B, Master C, MTB Geral e Speed Feminino. Haverá premiação.

As competições da parte recreativa dos festejos também começaram durante a semana e prosseguem, no domingo e na segunda-feira, com premiações em dinheiro.

*Com informações da Prefeitura de São João da Barra

Segurança hídrica é debatida em Campos

Rio Paraíba e seus problemas mobilizaram autoridades em simpósio

Evento foi realizado entre os dias 11 e 13 de abril, no IFF campus Centro, com participação da Nasa (Imagem: Divulgação)

Campos sediou entre os dias 11 e 13 de abril o IV Simpósio de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Paraíba do Sul. O evento aconteceu no IFF campus Centro com palestrantes da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Nasa. O simpósio reuniu a comunidade acadêmica e representantes de diversas entidades para debater as soluções e projetos para a segurança hídrica da região.

O evento contou com mesas de debates, palestras, visitas técnicas e apresentação de mais de 80 trabalhos científicos, que apontaram os principais problemas da Bacia e suas possíveis soluções. “O problema mais crítico é a diminuição de vazão aqui no Baixo Paraíba. Com esse fenômeno e o abaixamento da cota, ocorrem duas coisas: O mar avança em Atafona, cada vez mais, porque o rio fica fraco, causando tanto a intrusão salina, quanto a destruição do entorno e a invasão das casas. Essa diminuição de vazão no rio impede a adução de água para os canais da Baixada Campista no período seco”, ressalta o vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), João Siqueira. “O rio aqui, diferente dos outros lugares, aduz água pra fora, ele exporta água para fora da sua calha, então, com essa vazão e essa cota baixa, a Baixada sofre sem água, completa”, destaca.
Vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), João Siqueira (Imagem: Divulgação)

O Simpósio contou com mais de 250 participantes, de várias partes do país, “Foi muito importante termos aqui representantes de outras partes da Bacia, pessoas de São Paulo e Minas, o Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam), o Inea, Agência Nacional de Águas, isso nos dá um respaldo de quando nós solicitarmos ações de políticas públicas de gestão nesse sentido, para mitigar nossos problemas, essas pessoas vão ouvir com muito mais atenção”, diz João Siqueira.

“Esse evento serviu principalmente para dar visibilidade ao Baixo Paraíba, dos problemas que nós temos aqui referentes à Bacia do Rio Paraíba do Sul, baixa vazão de água, cheias enormes todo ano, excesso de estiagem e de cheias, e todas essas questões, nós entendemos que são causadas pelas porções acima de nós, a porção mineira e a porção paulista. Então é preciso haver integração e responsabilização de toda a Bacia, para que os problemas sejam resolvidos por todos”, ressalta o vice-presidente do Ceivap.

Durante os três dias de evento, os participantes também fizeram visitas técnicas à foz do Rio Paraíba do Sul, à Reserva Caruara, em São João da Barra, ao sistema de canais da Baixada, à Estação de tratamento de água da Coroa e ao Centro de Educação Ambiental de Campos (CEA).
Secretário de Agricultura de Campos, Almy Júnior (Imagem: Divulgação)

O secretário de Agricultura de Campos, Almy Júnior, destacou que economicamente, a insegurança hídrica impacta toda a região. “A gente poderia, por exemplo, discutir um terminal pesqueiro pra cá, mas temos a questão do avanço do mar que precisamos solucionar. Outro problema, hoje um barco não consegue entrar no Paraíba ou no Canal das Flechas para desembarcar uma pesca, então na agricultura, olha o impacto da falta de limpeza de um canal e do avanço de um lençol de água, por exemplo, no momento de uma colheita!”, explica Almy.

Ações imediatas
De acordo com o vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), João Siqueira, a revitalização das comportas dos canais da Baixada, que será realizada com o apoio da Prefeitura de Campos deve ser iniciada de imediato. O projeto já está pronto e aguarda recursos para este semestre. “Nós contratamos uma empresa, que durante um ano elaborou um grande projeto de revitalização das comportas do Rio Paraíba, temos comportas no canal de Coqueiro, Cacomanga, Macaé, Cambaíba, e todas vão ser reconstruídas e terão instaladas bombas, para na época da seca, bombear água para esses canais e manter a Baixada com água o ano todo”, afirma Siqueira.

Durante o Simpósio, também foi elaborada a proposta para que os recursos oriundos da compensação da captação de água e da contrapartida ambiental, principalmente do Porto do Açu, sejam aplicados aqui na região, para revitalização dos canais e para dar segurança hídrica ao Noroeste Fluminense. “Há um estudo do Ceivap, que propõe a utilização de recursos federais para a construção de cisternas no Rio Pomba, Muriaé, e elas servirão para manter uma vazão mínima no Noroeste, impedindo as cheias e permitindo que haja um fluxo de água num todo, com isso, possibilitando desenvolvimento e atração de empresas na região”, finaliza.

Bacia do Rio Paraíba do Sul

Aproximadamente 14 milhões de pessoas, dentre elas, os 8,7 milhões de habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, se abastecem das águas da Bacia do Rio Paraíba. A Bacia Hidrográfica se destaca pelos inúmeros e frequentes conflitos sobre o uso de suas águas.

O Rio Paraíba do Sul banha os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais atravessando a conhecida região sócio-econômica do Vale do Paraíba, sendo o rio mais importante do estado do Rio de Janeiro. Sua nascente está localizada na serra da Bocaina, no município de Areias.
Fonte: J3News

Indígena Goitacá: mitos e verdades sobre antigos habitantes da região

No mês em que lembramos o Dia dos Povos Indígenas, duas especialistas dão respostas fundamentais para nossa história

POR THABATA FERREIRA
Há relatos do uso de flechas utilizando as pernas, pelos indígenas Goitacá (imagem: Biblioteca Nacional)

Todo o universo que envolve os indígenas da nação Goitacá, aqueles que faziam parte dos povos pioneiros nas regiões alagadas de Campos — na época da antiga Capitania de São Tomé — sempre foi uma questão para despertar curiosidades. Principalmente a partir deste século, muito se tem questionado sobre hábitos, características e práticas destes indígenas, mas, também, o confronto dos relatos vem gerando dúvidas, desde alunos até estudiosos da área. Os indígenas Goitacá caçavam tubarões? Eles eram canibais? Foram exterminados com roupas contaminadas pelos povos europeus? Muitas destas questões ainda causam indagações no imaginário popular. Por isso, no mês em que se lembra o Dia dos Povos Indígenas (em 19 de abril), duas especialistas na área, as historiadoras Sylvia Paes e Graziela Escocard, buscaram dar respostas a estas e outras questões.
Museu Histórico de Campos está com exposição ‘Entre Ossos e Urnas’ sobre os vestígios arqueológicos do indígena Goitacá (Imagem: Carlos Grevi)

Segundo Graziela, guaiatacá, aitacaz e itacaz, são algumas das vertentes de nomes dadas nos relatos sobre o indígena Goitacá. No entanto, outras tribos também passaram pela região como os Coroados, Puris e Guarulhos. Contudo, o indígena Goitacá predominou neste território, reforça a especialista, sendo considerado por alguns viajantes como ‘o senhor absoluto das terras da Capitania de São Tomé’.

Quanto à literatura sobre o tema, a professora de História, dedicada à memória regional/local, Sylvia Paes, explica que há relatos do indígena Goitacá a partir de três perspectivas: dos viajantes, dos cronistas e dos memorialistas. “Os viajantes são aqueles que estiveram na Planície desde o século XVI e já falam do indígena Goitacá. Os cronistas chegam um pouco depois, mas eles vão olhar mais a cidade, falar do indígena, mas com traços culturais. Os memorialistas vão beber da fonte do viajante e do cronista e falar a mesma coisa com outras palavras. Ou seja, guardar a memória para que ela não se perca”, conta.

E Graziela completa: “os memorialistas, por um determinado período, distorceram as falas destes viajantes, levando muito a sério seus relatos, sendo que são falas eurocêntricas. Então a gente tem que tomar muito cuidado com a interpretação”, defende Escocard.
Historiadora Sylvia Paes conta suas perspectivas e impressões (Imagem: Arquivo)

Dentro destes relatos apresentados, segundo a professora Sylvia, um viajante descreveu essa caçada ao tubarão. “Na verdade, a gente não tem tubarão. A gente tem cação no nosso litoral. Mas como viajante também não era ‘expert’ em animais marinhos, ele registrou como tubarão. Hoje a gente sabe que não é tubarão, mas um cação”, desmistificou.

O indígena Goitacá era canibal?
Já sobre o indígena na nação Goitacá ser canibal, Sylvia Paes diferencia e defende que eles não eram canibais. “Há uma diferença entre canibalismo e antropofagia. São dois ritos ou práticas diferentes. O canibalismo é uma prática que você come a carne humana ou por fome ou por ‘maluquice’, como eu costumo dizer para a garotada. Isso existe. Há registros de alguns acidentes que já aconteceram e, para que os indígenas vivessem, em um período de escassez, eles tiveram que lançar mão de comer carne dos que morreram perto deles”, define, de forma descontraída, este primeiro.

Com relação à antropofagia, a historiadora pontua: “a prática da antropofagia, é comum em muitas tribos espalhadas no mundo inteiro, desde os tempos mais remotos até hoje. Não era uma prática só do indígena Goitacá. Quem descreve uma prática dessa foi um viajante francês que morou no Rio de Janeiro e viveu com os indígenas. Ele vai escrever uma obra na qual explica essa prática. Não era qualquer carne que se comia, era a carne daquele guerreiro que não corria do medo, que lutava uma guerra bravamente. Esse era o escolhido para ser honrado com o ritual da antropofagia. Ou seja, todos queremos ser iguais a ele: bravos, valentes, guerreiros, destemidos. E, aí sim, era praticada essa antropofagia”, finaliza.

Eles foram exterminados com roupas contaminadas pelos povos europeus?
“Quanto a esse termo: extermínio, eu particularmente sempre achei ele muito forte”, dispara a professora Sylvia. “Eles estavam desde o século XVI se misturando com o colonizador. Eles estavam se casando, se miscigenando, gerando filhos mestiços. Mas o sangue Goitacá estava ali. Também com negros houve essa miscigenação. Muito provavelmente, quando começaram os massacres e a morte por doenças, eles fugiram”, comenta.

Para reforçar sua teoria, a historiadora lembra que, “hoje, encontram-se muitos grupos da mesma linhagem linguística do indígena Goitacá, que é o macro-jê. Um deles é o grupo Xavante, que está no interior do Brasil. Outro grupo é o Fulni-ô, que está em Pernambuco. Então são grandes representações, quem sabe, de um ex-Goytacá. Não sei. Uns teriam fugido, outros se miscigenado e eles, com certeza, moram em mim”, acolhe Sylvia.

Outras características
Historiadora e, também, Diretora do Museu Histórico de Campos, que está recebendo exposição sobre o tema, Graziela Escocard lembra que os Goitacá sempre foram conhecidos por serem guerreiros. Não aceitavam que seu território fosse invadido. Grazi lembra, também, que os viajantes citam que o Goitacá era um exímio caçador e contavam com uma imensa reserva alimentar.

“Caçavam em bando, pelos campos e matas. Usavam arco e flecha grandes. Há, inclusive, relatos do uso de flechas utilizando as pernas”, segundo um dos viajantes. Sobre as características físicas, segundo citação de Simão de Vasconcelos, os Goitacá tinham “o cabelo no alto da cabeça raspado a modo dos calvos, e os demais crescidos até o ombro, a modo de Cesare”. Já Jean de Léry diz que o goitacá possuía “os cabelos compridos e pendentes até às nádegas”, ao contrário de outros indígenas que cortavam os cabelos na frente e na nuca. “Andavam nus, sem nenhum adereço aparente, tanto que nas escavações arqueológicas [no Sítio Arqueológico do Caju, em Campos] só foi encontrado dentro das urnas conchas, afirmando tal citação”, sinaliza Graziela.
Fonte:J3News