
Lara, que atua como assistente de acusação no processo, diz que tenta lidar com a dor da perda e a insegurança, caso Carlos Eduardo consiga sair da cadeia. “Esse tem sido o ano mais difícil de toda a minha vida, porque perdi a pessoa que mais me amava no mundo, que mais acreditava e torcia por mim. Tenho muito medo do que ele pode fazer comigo e com os que eu amo caso ele venha a sair, não me sinto segura de andar sozinha mais”, comentou.

Mesmo em meio à dor, Lara busca manter a memória da mãe viva e fazer com que através da história de Eliana, outras mulheres sejam ajudadas. “Minha mãe foi uma mulher forte, que lutou a vida inteira pelo amor, que tinha um coração enorme e amava incondicionalmente. Minha mãe merece ter a sua história respeitada, merece que lembrem dela com respeito e, que através da história dela, outras mulheres sejam defendidas pela justiça - que seus agressores não fiquem impunes, que o estado se responsabilize por essas mulheres que sofrem abuso, violência, e são até mortas, enquanto seus agressores e assassinos não pagam pelos seus atos”, declarou.
Na noite do atropelamento, Eliana estava em uma bicicleta elétrica quando foi atingida por trás por um carro conduzido pelo próprio filho, que também colidiu em outro veículo, deixando cinco pessoas feridas. O marido de Eliana e pai de Carlos Eduardo foi até o local para atender ao filho, mas ao ver a bicicleta elétrica caída na rua e uma bolsa, ele reconheceu que eram os pertences de Eliana.
Carlos Eduardo foi acusado de feminicídio contra a mãe e de lesão corporal por ter deixado as cinco pessoas feridas no acidente. Ele também responde por tentativa de fuga e por dirigir sob efeito de entorpecente.

De acordo com o advogado Eduardo Linhares, contratado por Lara, o processo se encontra concluso no gabinete do juízo e está aguardando para prolação da sentença de pronúncia ou impronúncia.
“A pronúncia é a decisão que reconhece a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade de crime doloso contra a vida. Tal decisão não implica condenação, mas apenas determina o envio do réu a julgamento pelo Tribunal do Júri. A impronúncia é o contrário e ocorre quando o juiz não encontra prova suficiente da materialidade do crime ou indícios suficientes de autoria, razão pela qual o réu não é levado a julgamento”, explicou Linhares.
Lara também tem acompanhando cada etapa. “Me sinto aliviada por saber que a justiça tem o mantido preso, mas infelizmente ainda sofro com questões de possível acesso dele a telefone no presídio, acesso ao mundo aqui fora, às nossas vida, e isso não me deixa descansar tranquila, não deixa o pesadelo nunca ter um fim”, comentou.
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o processo trata de um crime de feminicídio e tramita em segredo de justiça na 1ª Vara Criminal de Campos.












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