quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ex-mulher do bicheiro Maninho é presa durante Operação Tempestade no Deserto

Rio - A ex-mulher do contraventor Waldomir Paes Garcia, o Maninho, identificada como Sabrina Arrouche Garcia, foi presa em flagrante nesta terça-feira durante a Operação Tempestade no Deserto. Durante as buscas, os agentes apreenderam dezenas de jóias - inclusive uma em formato de fuzil -, relógios de marcas famosas, além de R$ 38.600; 9.550 euros e 7.100 dólares.
Os agentes cumpriram ainda três mandados de prisão preventiva e realizaram mais duas prisões em flagrante, resultando em um total de cinco prisões. A mulher de um oficial da PM, que ainda é procurado pelos policiais, foi a outra prisão em flagrante realizada. 
Entre os presos com mandados, estão os policiais militares João André Ferreira Pinto e Marcelo Alves da Silva. O terceiro mandado foi cumprido contra o policial civil Carlos Daniel, que já estava preso ao ser flagrado na companhia de um traficante em fuga da favela da Rocinha durante a Operação Choque de Paz. Depois de prestar depoimento, no fim da tarde desta terça-feira, Sabrina Garcia foi autuada por por ilegal de arma, pagou fiança e foi liberada.
Foto: Divulgação
Joias em formato de fuzil foram apreendidas durante operação | Foto: Divulgação
Operação
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MP-RJ) denunciou ao Juízo da 2ª Vara da Comarca de Cachoeiras de Macacu uma quadrilha integrada por um policial civil, quatro policiais militares e outras duas pessoas, liderada por Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004. O grupo é acusado de formação de quadrilha armada e tentativas de homicídio qualificado. 
A denúncia aponta Shanna como a líder da organização criminosa que mantém a exploração ilícita do jogo de caça-níqueis, função exercida após a morte do pai e do marido José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal. Desde o início da manhã desta terça-feira, 95 agentes cumprem oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, no  Rio. Batizada de Operação Tempestade no Deserto, a ação é um trabalho conjunto da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSINTE), Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco-IE) e Gaeco do Ministério Público.
De acordo com a denúncia, Luís Carlos Felipe Martins, o policial civil Carlos Daniel Ferreira Dias e os policiais militares Adriano Magalhães da Nóbrega, João André Ferreira Martins e Marcelo Alves da Silva tentaram matar Rogério Mesquita e outras três pessoas na madrugada do dia 10 de maio de 2008, por ordem de Shanna, no entroncamento da Estrada Vecchi com a Rodovia RJ-122. O crime foi praticado por motivo torpe, na disputa do espólio criminoso do bicheiro Maninho, no qual Rogério Mesquita estaria relacionado por ter sido considerado amigo íntimo do contraventor.
Foto: Divulgação
Dinheiro apreendido até o momento na Operação Tempestade no Deserto | Foto: Divulgação
Na ocasião, as vítimas conseguiram fugir, apesar de um dos carros que as transportavam ter sido atingido por 37 tiros. Outro denunciado, Jorge Antônio dos Santos, também teria envolvimento na tentativa de homicídio por ter acompanhado os demais até o local da emboscada.
O outro PM denunciado é Pedro Paulo dos Santos Fernandes, vulgo Pedro Fu. Ele integra a quadrilha com os demais denunciados e teria a função de “segurança” de Shanna. Ele também seria responsável por saldar as despesas de manutenção da Fazenda Haras Modelo, de propriedade da filha de Maninho, local onde eram armazenadas as armas da quadrilha. Já Adriano Magalhães da Nóbrega, capitão da PM, exercia a função de “chefe da segurança” de Shanna. 
Adriano e João André são ex-oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a denúncia, os policiais utilizam seu armamento pessoal e armas de origem clandestina nas atividades criminosas exercidas pela quadrilha.
Carlos Daniel Dias, que era lotado na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, foi preso em novembro deste ano, às vésperas da ocupação da favela da Rocinha, escoltando os traficantes conhecidos como Coelho e Peixe, braços-direitos do traficante Nem.
Rogério Mesquita acabou sendo assassinado em janeiro de 2009, em Ipanema, oito meses depois do atentado planejado por Shanna. Até o momento, três mandados de prisão foram cumpridos, além de joias, mais de 30 mil reais em dinheiro, armas e três carros apreendidos.
 

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