domingo, 22 de janeiro de 2012

Violência contra a mulbher grávida, pode afetar também ao bebê

Reprodução
os elementos agressivos podem comprometer o desenvolvimento orgânico e neurológico do feto em desenvolvimento
Os elementos agressivos podem comprometer o desenvolvimento orgânico e neurológico do feto em desenvolvimento

Dados de uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc, revelam que a cada dois minutos cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. O mesmo estudo aponta que 80% das agressões acontecem dentro de casa, normalmente provocadas por maridos e namorados. As principais motivações para a violência são ciúmes, drogas e alcoolismo.

E a gestação não impede que os homens as agridam. Um estudo brasileiro, publicado no periódico Lancet, mostra que uma em cada três brasileiras sofreu algum tipo de violência pelo parceiro durante a gravidez, entre 2005 e 2006, sendo que a violência psicológica foi a mais frequente. Isoladamente, ela ocorreu em 17% dos casos.

Além das marcas físicas e psicológicas deixadas na mulher, a violência pode também trazer graves consequências para o feto. A afirmação é feita pela neurologista infantil Maria Valeriana, ex-presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil.

Como a violência prejudica a saúde do bebê?De acordo com Valeriana, os elementos agressivos podem comprometer o desenvolvimento orgânico e neurológico do feto em desenvolvimento. “Temos de pensar na gravidez como uma evolução que se dá semana a semana. Até o segundo mês, com a violência, há o risco de aborto espontâneo. Depois, o embrião se fixa na parede uterina e o risco diminui. A partir dos quatro meses gestacionais, estruturas cerebrais que dão subsídio ao comportamento futuro estão em desenvolvimento, como o hipotálamo, o pólo frontal e a amígdala”, explica.

“Quando não há estresse, elas se desenvolvem normalmente. Quando a mãe sofre algum tipo de violência, imagine o companheiro que espanca a mulher por duvidar que aquele filho que ela carrega seja dele, ou mesmo que a aponta uma arma, ela pode ter taquicardia, aumento da pressão arterial ou uma vasoconstrição”, completa Valeriana.

A violência, diz a especialista, afeta o organismo da mulher e, consequentemente, o do bebê. A criança, ainda dentro da barriga, pode também sofrer vasoconstrição em seus vasos cerebrais, o que pode levar a uma paralisia cerebral, um comprometimento motor ou intelectual. Muitas vezes é possível identificar a lesão ainda durante a gestação, por ultrassonografia.

Valeriana teve a oportunidade de acompanhar um estudo realizado com um grupo de mães que havia sofrido algum tipo de violência durante a gestação e um grupo controle, de mães que tiveram uma gravidez tranquila. Meses após o nascimento, as crianças, que nasceram de uma gestação tranquila, apresentaram menos propensão a desenvolverem transtornos emocionais ou comportamentais em comparação àqueles filhos de mães que sofreram agressão. “É um fato concreto. O que dificulta a conscientização para este problema é o número reduzido de estudos a respeito”.

Onde nasce a violência?Para Valeriana, a situação se agrava por conta da falta de preparo dos jovens em assumir a vida sexual. “O jovem inicia sua vida sexual em idade precoce, sem uma cultura objetiva das consequências deste ato, sendo a gravidez uma delas.”

Nesse sentido, a jovem quando engravida se encontra numa situação de desamparo. De um lado o companheiro que não quer assumir a paternidade, do outro, a família que, em muitos casos, também não apóia a gestação. “Colocar uma filha para fora de casa porque ela engravidou também é um tipo de violência contra a gestante.”

A aceitação da gestação pela mãe, independentemente da idade, também é um fator que influencia a saúde psicológica do bebê. De acordo com Valeriana, é um elemento ambiental afetivo do feto.

Para ela, a minimização desse tipo de agressão contra a mulher e contra o feto se dá com educação. “Primeiro, esse tipo de informação, sobre o que é ter um filho, deveria ser passado pela família. Em seguida, a escola deveria complementar a informação, discutir a gravidez e ensinar os aspectos biológicos de uma gestação”, finaliza.

Nenhum comentário: