Nesta terça, time treinou nas Laranjeiras mesmo depois do pôr-do-sol Foto: Alexandre Cassiano / O Globo
RIO — Abel ouviu algumas vezes, calado, que Fluminense e Arsenal de
Sarandí começariam a Libertadores de olho na segunda vaga do Grupo 4
para as oitavas de final, pois a primeira seria do favorito Boca
Juniors. Passadas duas rodadas, se não chega a dar risada deste cenário,
ele saboreia com uma ponta de ironia o fato de que, com a bola em jogo,
a realidade tem sido outra. Nesta quarta-feira, se o Fluminense vencer
seu terceiro compromisso na competição, diante do lanterna Zamora, às
19h45m, no Engenhão, mantém-se líder isolado e, em caso de um empate no
confronto entre os argentinos, abre cinco pontos para o segundo
colocado.
Aí é hora de pisar no freio. Como o "se" é condição que nem
sempre se confirma e a lógica em que o mais forte vence o mais fraco não
se aplica ao futebol, vale convocar o torcedor, pedir-lhe paciência e,
claro, ser agressivo em casa. Neste caso, para não mudar o esquema, Abel
confirmou Rafael Sóbis no lugar de Thiago Neves.
— Thiago busca a
tabela, sabe tirar o adversário da frente. Pelo menos para começar,
preciso de alguém mais agudo, para furar a linha de cinco que eles vão
usar. Por isso, o Sóbis — explicou. — Eles sabem que não têm time para
jogar de igual para igual, então vão se defender.
Irmão de Chávez não vem
De
tão convicto quanto à postura do Zamora esta noite, Abel trabalhou
durante toda a atividade desta terça-feira uma única situação,
justamente a que, imagina, será a tônica da partida: o Fluminense com a
posse de bola, no campo de ataque, tentando furar o bloqueio venezuelano
com nove homens atrás da linha da bola. Pôs os laterais Bruno e
Carlinhos, bem abertos, e os volantes Valencia e Diguinho posicionados
na linha divisória do gramado; Deco, entre as duas linhas defensivas —
com quatro e cinco jogadores — da equipe reserva, armada como o Zamora;
Wellington Nem na direita, Fred no comando do ataque e Sóbis pela
esquerda. A estratégia é fazer a bola chegar em Deco, e este acionar o
trio de atacantes e um dos laterais, dependendo de que lado a jogada for
construída.
— Quero os quatro (Deco, Nem, Sóbis e Fred) rodando
na frente da zaga, trocando de posição para causar a surpresa e quebrar a
dinâmica, tocando muito a bola — revelou Abel. — Espero que o coletivo
esteja bem, mas a jogada individual pode fazer a diferença.
A
escalação de Rafael Sóbis ameniza o clima de mal-estar que se instalou
entre jogador e técnico depois deste, em repreensão a uma jogada que
considerou equivocada, substituir Sóbis no intervalo do Fla-Flu.
—
Ele vai me cobrar sempre, é o jeito dele, estou acostumado — disse
Sóbis. — Se estamos juntos há tempos ganhando títulos, ele sabe que
posso dar algo mais. Tudo tem seu tempo, meu momento vai chegar.
Abel
lembrou que o torcedor terá um papel fundamental. Contra um time
retrancado, que diminui espaços e força os erros de passe, ele pediu
paciência e incentivo, lembrando a noite da última quarta-feira, na
Bombonera, quando, à beira do gramado, emocionou-se ao ouvir o barulho
da torcida diante de 35 mil "bosteros":
— Será um jogo especial, pode nos colocar numa situação boa. Que o torcedor entenda e incentive.
O
Zamora está no Rio com pelo menos um desfalque. Adélis Chávez,
presidente do clube e irmão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
tinha passagem mas cancelou sua vinda ao Rio. Junto com os outros quatro
irmãos do presidente, aguardam em Barinas, cidade natal da família e
sede do Zamora, a volta de Hugo de Cuba, onde está se tratando de um
câncer. Os seis irmãos cumprirão um ritual: irão a um santuário próximo
da cidade orar pela saúde do presidente. O Zamora tem ampla ligação com a família Chávez.
Além do fato de o clube ser presidido por Adelis, o estado de Barinas
foi governado pelo pai de Chávez e hoje é dirigido por Adán, outro irmão
do presidente venezuelano.
Fluminense x Zamora-VEN
Horário: 19h45m
Local: Engenhão
Fluminense:
Diego Cavalieri, Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos;
Diguinho, Valencia, Deco e Rafael Sóbis; Fred e Wellington Nem
Zamora: Forero, Zafra, Semperena, Bustamante e Rodríguez; Briceño, Pérez, González e Peluche González; Yanes e Sierra
Juiz: Patricio Polic (CHI)

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