sexta-feira, 16 de março de 2012

Manifestações marcam os 11 anos da tragédia da P-36

(Foto: César Ferreira/Divulgação)
 
Os petroleiros da Bacia de Campos realizaram um dia de manifestações nesta quinta-feira (15), no heliporto do Farol de São Thomé, em Campos (foto ao lado), e nos aeroportos de Macaé e Cabo Frio, para lembrar a passagem dos 11 anos do acidente com a plataforma P-36, que causou a morte de 11 trabalhadores e o afundamento da unidade em março de 2001, na maior tragédia registrada na Bacia de Campos.
Diretores do Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense), familiares de vítimas de acidentes de trabalho, petroleiros acidentados e representantes de movimentos sociais participaram das manifestações. Foram distribuídas publicações com informações sobre a tragédia da P-36 e sobre a situação de insegurança da Bacia de Campos, além de camisas com a frase “Jamais esqueceremos”.
Somente na Bacia de Campos, 119 trabalhadores do setor petróleo morreram desde 1998. E apenas em 2011, o sindicato recebeu 1606 Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT).
Durante as manifestações, foram lidos os nomes dos 11 petroleiros mortos em P-36. Ao final de cada nome, os participantes gritavam “presente”. Depois da leitura, foi respeitado um minuto de silêncio.
Para o coordenador geral do Sindipetro-NF, José Maria Rangel, que participou do protesto em Macaé, o papel do sindicato é “lembrar o que a Petrobrás e demais empresas do setor petróleo querem esquecer”.
“Nós trazemos aqui depoimentos de familiares das vítimas e até algumas das próprias vítimas de acidentes de trabalho na indústria do petróleo para que o trabalhador veja que isso é real, por que a tendência é sempre achar que o acidente nunca vai acontecer com a gente”, disse Rangel.
O sindicalista lembrou que, em 2011, no setor petróleo em todo o país, 17 petroleiros morreram em razão de acidentes do trabalho. “Isso não pode ser considerado normal”, afirmou.
Para ele, o trabalhador “precisa saber que dispõe de instrumentos para fazer a sua parte, no Acordo Coletivo e nas Normas Regulamentadoras”, acionando, por meio do sindicato, os órgãos fiscalizadores como a ANP (Agência Nacional do Petróleo) e o Ministério do Trabalho para exercer a fiscalização nas unidades.
O coordenador geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), João Antônio de Moraes, participou do ato público no aeroporto de Macaé.

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