segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Síndrome do Respirador Bucal: Entenda o que é, e saiba como tratar

53,3% dos campistas, na faixa de 0 a 19 anos são acometidos pelo mal
Divulgação / Mauro de Souza

53,3% dos campistas, na faixa de 0 a 19 anos são acometidos pelo mal 
 
Estima-se que mais de 80 mil crianças em Campos sofram de Síndrome do Respirador Bucal (SRB), segundo dados da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. O mal é ocasionado pela inversão no processo respiratório normal para utilização de uma via alternativa respiratória, a cavidade bucal. As consequências influenciam no crescimento e desenvolvimento da criança, em suas habilidades para práticas esportivas e no aprendizado escolar.
Júlia Alves de Jesus, de 11 anos, apresentava dentes tortos e muita dificuldade para respirar pelo nariz. Segundo a mãe, Telma Helena Alves da Silva, de 48 anos, sua filha apresentava sintomas como noites mal dormidas, inquietação noturna, respiração acelerada e ronco, além de babar demasiadamente durante o sono.

“Tudo isso me incomodava e eu acreditava na intervenção cirúrgica. Sempre a levava a médicos pediatras e otorrinos que me confirmaram a necessidade da retirada das amígdalas e adenoide, para correção do problema respiratório”, contou.

 


Já o cirurgião dentista especialista em ortodontia, Dr. Cyro José Miranda, optou por um processo indolor e não cirúrgico através da expansão rápida da maxila, parte superior do maxilar, com o aparelho ortopédico chamado disjuntor. 

Ao descomprimir o arco dentário superior e a cavidade nasal, ocorreu a melhora da passagem de ar pela cavidade nasal.

“Os sintomas acabaram num período curto de dois ou três semanas de tratamento. As noites de sono passaram a ser tranquilas e com certeza minha filha está bem melhor.” Garante a mãe.

Segundo o dentista, a miscigenação de raça acaba por gerar várias alterações de níveis estruturais podendo ocorrer casos de obstrução, total ou parcial, da cavidade nasal. 

Ao desjuntar a maxila, o fluxo de ar é facilitado para a cavidade nasal, que corretamente irá filtrar, aquecer e umidificar o ar.

O mesmo não acontece quando a criança respira pela boca. A captação do ar “in natura”, ou seja, cheio de impurezas, frio e seco, prejudica o processo de troca gasosa, chamado de hematose, diminuindo assim a concentração de oxigênio no sangue. Por isso, as pessoas também se tornam suscetíveis a outras mazelas, como bronquite, rinite, faringite, otite média recorrentes.

“O tratamento dos problemas respiratórios deve abranger uma equipe multidisciplinar, envolvendo diversos profissionais da medicina como otorrinos, pediatras, clínicos gerais, cirurgiões dentistas, ortodontistas, fisioterapeutas e outros. Ciente dos benefícios, através do tratamento alternativo, o projeto de criar um Centro de Referência no tratamento de SRB. O impacto refletiria no número das filas dos postos públicos de saúde, da compra de medicamento particular e pública, redução de patologias, na qualidade de vida dessas crianças, na autoestima, fora as noites de sono tranquilas.” Disse o dentista.

A mudança no arco dentário superior de triangular para uma forma parabólica provoca mudanças faciais, tanto na região de malar (maçã do rosto), quanto no nivelamento da posição dos olhos. E o que aparentemente não tinha jeito, pode se converter numa alternativa para a saúde e influenciar diretamente na autoestima.



 Virna Alencar - Estagiária
Ururau

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