domingo, 16 de março de 2014

Prefeito Pedrinho Cherene Reconstruindo o município de São Francisco de Itabapoana RJ.

Depois de assumir um município devastado pela irresponsabilidade da administração que lhe antecedeu, onde não faltaram cenas como a cassação, prisão e indiciamento do ex-prefeito Beto Azevedo por uma série de irregularidades na área da Saúde, o médico Pedro Jorge Cherene Junior (Pedrinho Cherene), prefeito de São Francisco de Itabapoana, imaginou estar diante de um desafio insuperável a curto e médio prazo, face ao caos em que encontrou a prefeitura. No entanto, pouco mais de um ano após ser empossado, demonstrou capacidade de enfrentamento e já colhe resultados positivos. Além de tudo, como demonstrou em entrevista a O Diário e à Rádio/TV Diário, o prefeito esbanja otimismo com alguns empreendimentos em curso no entorno do município e em seu próprio território, como os portos Central (Presidente Kennedy/ES) e Canaã (no litoral sanfranciscano), que irão gerar milhares de empregos, além da Ponte Figueiredo, que encurtará a distância do Complexo do Açu. Com este surto de crescimento previsto, espera que o município consiga mudar a realidade do 2º pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Estado.







O Diário (OD) - Como o senhor encontrou a Saúde do município, um setor que, infelizmente, foi destroçado pela gestão do seu antecessor?
Pedrinho Cherene (PC) - Neste primeiro ano de governo, a nossa pretensão era a de arrumar casa, mas fomos ainda além, organizando a prefeitura a um ponto que não imaginávamos. Herdamos uma prefeitura endividada e administrativamente muito bagunçada. Apesar de tudo, ainda conseguimos executar obras de infraestrutura no valor de R$ 4 milhões, com recursos próprios, e em 2014 iremos duplicar esses recursos para este fim, com o mesmo valor do Orçamento, e outros mais R$ 4 milhões de emendas parlamentares. São obras na pavimentação de ruas e construção de sistemas de drenagem, que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Também investimos R$ 5 milhões na aquisição de medicamentos e material hospitalar, na reforma de unidades de saúde e na reposição da frota de ambulâncias. Acho que 2013 foi um ano bom, de bons resultados, apesar dos problemas que herdamos.

OD - A Saúde foi a mais prejudicada...
PC - A Saúde realmente sofreu estragos terríveis, mas conseguimos reorganizar a secretaria, colocando em dia os salários de dezembro, além de 13º e férias dos médicos e demais funcionários, assim como o pagamento aos fornecedores. Reabrimos o Hospital Manoel Carola, que hoje conta com equipamento e insumos como qualquer outra UTI de Campos e que contempla perfeitamente as necessidades de um hospital de atendimento de casos de média complexidade. Hoje temos na rede de saúde 130 médicos em mais de 20 especialidades. De janeiro a outubro, já tivemos um aumento de 300% do número de atendimentos.

OD - Não foi apenas a Saúde que sofreu as consequências do governo anterior. O senhor herdou também dívidas...
PC - Dívidas com a Previdência, de R$ 27 milhões, que estamos pagando através de parcelamento, assim como a dívida de cerca de R$ 4 milhões com a Ampla, com a qual ainda não conversamos para refinanciamento. Fora os fornecedores. A Educação também era uma bagunça, a desorganização era completa. O município deixou de receber verbas federais em razão de não envio de documentação e atualização de dados.

OD - A Saúde e a Educação foram as que tiveram maiores problemas...
PC - Muitos problemas... Encontramos uma tremenda bagunça na Educação, uma completa desorganização na estrutura da secretaria. Escolas sem professores, outras sem funcionários, umas com funcionários demais. Enfim, tivemos que organizar o setor, reabrimos escolas que estavam fechadas, e tivemos um aumento de cerca de 500 alunos na rede pública municipal este ano. E estamos cumprindo uma das metas do Governo Federal, que é a Educação no Campo. No EJA (Educação de Jovens e Adultos), reabrimos três escolas e construímos outra, em Floresta. Buscamos também fazer um trabalho para reduzir o número de crianças fora da sala de aula, conversando com os familiares para saber em que condições se deram a falta de frequência do aluno...

OD - Quais os maiores problemas de São Francisco de Itabapoana para um gestor?
PC - Não temos uma grande concentração urbana, mas uma população dispersa, espalhada em muitos pontos do município, às vezes em comunidades muito distantes umas das outras. Isso gera um custo alto, atender cada localidade. Contamos com um orçamento de R$ 106 milhões, e somos o terceiro maior município em extensão territorial do Estado.

OD - Como está o turismo no município, que conta com mais de 60 quilômetros de litoral?
PC - Este ano, superados os problemas administrativos que tivemos, a fase de arrumação da casa, vamos trabalhar bem essa área do turismo. Já buscamos resgatar algumas festas tradicionais, buscamos fortalecer outros eventos como a Exposição Agropecuária, em Praça João Pessoa, criamos o Festival Gastronômico de Guaxindiba, o projeto de Ecoturismo de Gargaú com a Estação Ecológica de Guaxindiba, e estamos cuidando também de nossas praias dotando o litoral de melhor infraestrutura e segurança, além de uma excelente programação de shows.

OD - Qual é a expectativa de São Francisco de Itabapoana para os próximos anos, situada entre dois grandes portos em fase de instalação na região, o Complexo do Açu e o Porto Central, de Presidente Kennedy, que tem previsão para começar em 2014, empreendimento que pode gerar mais de 4,5 mil empregos?
PC - O Porto do Açu trará maior impacto ainda ao nosso município em razão da ponte que será construída ligando São Francisco a São João da Barra, encurtando a distância. Já o Porto Central fica em Presidente Kennedy, muito próximo da divisa entre os dois municípios. Kennedy é um município com cerca de 10 mil moradores; São Francisco de Itabapoana tem 42 mil habitantes. Então, temos mais trabalhadores a serem qualificados, além de melhor estrutura de atendimento à nova realidade do porto.

OD - O senhor falou em qualificação. Esses grandes empreendimentos trazem expectativas de crescimento, mas também preocupação com relação à capacitação dos trabalhadores.
PC - Nossa preocupação é essa, desenvolver um programa de capacitação visando incluir nossos trabalhadores nestes grandes empreendimentos. Este ano já firmamos parceria e abrimos 650 vagas para cursos profissionalizantes, através da Firjan e o IFF (Instituto Federal Fluminense) e com apoio de outras entidades, onde qualificamos 97 jovens que estão colocados no mercado de trabalho. A diretoria do porto Central já entrou em contato conosco para firmarmos também parcerias visando trabalhar esse programa de capacitação em outras frentes, de acordo com a oferta de mão de obra do empreendimento.

OD - Qual o relacionamento do município com outras esferas de poder com a União e o Governo do Estado?
PC - O município perdeu enormes oportunidades de captação de recursos dos Ministérios das Cidades, dos Esportes, da Saúde porque havia pendências no Tribunal de Contas da União. Então, o que fizemos foi recuperar parcialmente essas verbas a que tínhamos direito com a elaboração de novos projetos. Conseguimos também, através do deputado federal Paulo Feijó, recursos importantes, através de emendas ou mesmo de projetos voluntários. Com o governo estadual, também, recebemos recentemente uma ambulância.

OD - Como está a sua expectativa em relação aos royalties de São Francisco de Itabapoana, o único município situado na zona de produção que não recebe royalties como produtos, mesmo com todas as plataformas em sua direção?
PC - Estamos trabalhando para obter esse nosso direito, já que como você bem disse ficamos situados na mesma direção de municípios que recebem royalties como produtores, inclusive municípios limítrofes, mas recebemos repasses mensais no mesmo volume de outros municípios que não possuem litoral e ficam distantes das plataformas. Esperamos que essa injustiça seja parcialmente corrigida com o terminal portuário de Canaã, na localidade de Barrinha, litoral do nosso município, entre Manguinhos e Buena. A partir da entrada em funcionamento deste porto, o município passará a receber como pertencente à zona de produção secundária, não mais como limítrofe.

OD - Como tem sido tratada a questão da agricultura, a produção de cana e abacaxi, duas grandes culturas do município?
PC - A agricultura e a pecuária ainda são as duas grandes fontes da economia local. Na secretaria havia um maquinário sucateado, e logo adquirimos duas máquinas retroescavadeiras e um trator com grade apara a Secretaria de Agricultura. Além do abacaxi, estamos também buscando diversificação da fruticultura, com o incentivo ao plantio da melancia. Conseguimos reestruturar o atendimento ao pequeno produtor, com programa de estufas de mudas e inseminação artificial, além de assistência técnica e veterinária, além de outro programa de inseminação. E promovemos também um concurso leiteiro, o maior da história do município. Nossa pecuária é uma das mais importantes da região e merece ser fortalecida.

OD - E a cana-de-açúcar?
PC - Nos últimos anos, a Usina Canabrava (em São Diogo, divisa com Campos), que recebe parte da cana do município, atravessou alguns problemas, mas parece que está se recuperando. Agora, a usina Sapucaia está sendo reativada. Mas a grande parte dos plantadores fornece para a Usina Paineiras (Espírito Santo), por uma questão de melhor preço.

Da redação do Jornal O Diário


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