segunda-feira, 7 de julho de 2014

Pragas destroem pastos e gado morre de fome em São Francisco de Itabapoana RJ

Dois tipos diferentes de lagartas estão causando estragos incalculáveis com morte de animais em São Francisco de Itabapoana

Keylla Thederich

Duas pragas causadas por dois tipos de lagartas diferentes destruíram quase toda pastagem de propriedades rurais na região norte do município de São Francisco de Itabapoana (SFI), uma área que pode chegar a 30 mil hectares de terra. Sem pasto, mais de 500 cabeças de gado já morreram de fome e cerca de 200 pequenos produtores rurais, que foram atingidos, tentam salvar o restante alimentando o rebanho com cana-de-açúcar. A produção de leite, de carne e até mesmo a reprodução do gado estão comprometidas. A recuperação pode levar de dois a três anos. As pragas também ocorreram no município de Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, onde foi decretada situação de emergência.

A infestação das pragas, identificadas como curuquerê dos capinzais ou lagarta dos capinzais (Mocis latipes) e lagarta militar (Spodoptera frugiperda), ocorreu em SFI a partir da segunda quinzena de março e até o final do mês de junho. De acordo com o coordenador regional de Defesa Agropecuária, Cláudio Vilela, as pragas chegaram provavelmente junto com as chuvas, em março, e atingiram tanto a pastagem baixa, como a pastagem alta. "Geralmente quando não tem enchente pode ocorrer a incidência desse tipo de praga, mas não do jeito tão agressivo que ocorreu em São Francisco de Itabapoana. Possivelmente, houve uma mudança no ecossistema, o que provocou a tragédia".

Cardoso e Italva também atingidos

Vilela explicou que as pragas destruíram toda pastagem de forma rápida. "Como o capim é muito parecido, as pragas destruíram a pastagem em poucos dias, até porque, o ciclo das lagartas é bastante rápido". Segundo ele, o combate às pragas também foi comprometido, já que deveria ser feito de forma coletiva, em várias propriedades e ao mesmo tempo, mas não foi possível.

Na região, o coordenador, as pragas ocorreram ainda nos municípios de Cardoso Moreira e Italva. Equipes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e de empresas fornecedoras de sementes coletaram amostras das lagartas e das pastagens para realizarem estudos.

Procurada pela reportagem de O Diário, a assessoria de comunicação da Uenf não deu informações sobre estudos ou pesquisas realizados sobre as pragas. Igualmente a assessoria de comunicação de SFI, contatada por email e telefone, não respondeu aos questionamentos, bem como o secretário municipal de Agricultura, Edmar Henriques.

Recuperação pode levar até 3 anos

Segundo Vilela, além da morte do gado, os produtores rurais da região só irão se recuperar das perdas em dois ou três anos. "O prejuízo imediato foi a morte do gado e a redução na produção de leite e de carne. Em médio prazo, a reprodução do gado pode estar comprometida e a recuperação só acontecerá em longo prazo, já que as pastagens só voltarão a nascer em dezembro", explicou.

O coordenador ressaltou ainda que a maioria dos produtores rurais tem dificuldade para alimentar o gado e muitos estão vendendo o rebanho a preços muito baixos para evitar perdas maiores. "Os produtores estão buscando cana até no Rio de Janeiro para conseguirem alimentar o gado", revelou.

Situação de emergência em Presidente Kennedy

Em Presidente Kennedy, divisa com SFI, as pragas ocorreram entre os meses de março, abril e maio deste ano. No município, onde 70% das áreas de pastagem foram afetadas, a prefeitura chegou a decretar "situação de emergência", no dia 17 de abril.

De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Agricultura, a infestação destruiu mais de 35 mil hectares de pasto, atingindo diretamente mais de 120 produtores rurais da região. Os prejuízos causados, segundo o município, ultrapassam R$ 1 milhão, já que houve uma queda superior a 950 mil litros na produção de leite no primeiro trimestre.

Para amenizar a situação dos produtores rurais, a prefeitura adquiriu e distribuiu mais de oito mil toneladas de cana-de-açúcar para alimentar o gado, além de auxiliar os atingidos na compra e distribuição de ração e com máquinas para o replantio de pastagem.

Fonte: O Diário/Show Francisco
Divulgação / Heraldo Negri - Embrapa



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