segunda-feira, 23 de março de 2015

Ritalina e crianças: especialistas de Campos falam sobre benefícios, riscos e tratamentos

O Campos 24 Horas aborda, novamente, um assunto que gerou centenas indagações no último domingo: TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade em crianças e adolescentes. Desta vez, além da neuropsicopedagoga Andressa Amaral, o assunto também é tratado com a médica pediatra e neonatologista, Dra Nazareth Machado Félix. Elas falam de forma mais aprofundada sobre o medicamento Ritalina, usado por milhões de crianças.
Seu filho não para quieto nem para comer. Anda de um lado para o outro, sobe nos móveis, derruba as cadeiras que encontra pelo caminho, corre pela casa. Espalha roupas e objetos. No colégio, sua agitação atrapalha aos colegas. A desatenção e a inquietude interferem também no rendimento escolar. Não termina as lições, comete erros grosseiros nos exercícios, esquece conteúdos que dominava satisfatoriamente até bem pouco tempo? Então você deve prestar atenção nas considerações que as duas profissionais conceituadas de Campos fazem a seguir sobre diagnósticos e tratamentos.

TDAH na visão da Pediatra e Neonatologista Nazareth Machado Félix e da Neuropsicopedagoga Andressa Amaral

Com enorme repercussão, o assunto foi abordado em uma entrevista no domingo passado, com a neuropsicopedagoga Andressa Amaral, que hoje deixa de ser somente a entrevistada e passa a figurar como responsável pelas perguntas feitas à médica Dra Nazareth Machado Félix. Além das perguntas, Andressa Amaral também faz considerações. 


Veja as respostas da médica pediatra e neonatologista Nazareth Machado Félix aos questionamentos da neuropsicopedagoga Andressa Amaral sobre TDAH, especialmente sobre o que diferencia essencialmente os casos em que crianças e adolescentes realmente necessitam de tratamento com medicação, dos casos em que há necessidade acompanhamento multidisciplinar, sem medicação.

Andressa Amaral – “Primeiramente gostaria de agradecer a presença da amiga e profissional Pediatra e Neonatologista Dra Nazareth, que aceitou meu convite com muita presteza para conversar conosco acerca de sua larga experiência clínica e a grande incidência de crianças com diagnósticos precipitados de TDAH.

Em nossa conversa, a pediatra iniciou mencionando um fator muito importante que é o fato de muitos profissionais da área agirem por vezes no imediatismo e até por pressão dos familiares acerca de uma solução rápida para o caso, prescrevendo o uso de Ritalina, o que nem sempre deve ser a primeira opção e conduta a ser adotada, visto que o medicamento produz efeitos colaterais”.

Nazareth Machado Félix - “ É importante falar que, dependendo do grau e potencialização do transtorno, a medicação se faz necessária, desde que com um diagnóstico preciso e concluso por meio de uma equipe multidisciplinar”.

Andressa Amaral –
“Essa questão abordada pela nossa convidada especial Dra Nazareth acerca do diagnóstico preciso é de extrema importância para o resultado satisfatório no tratamento, por isso é indispensável a atuação da família e seu posicionamento no tratamento da criança ou adolescente com TDAH.

E quando falamos do posicionamento familiar, compartilhamos da mesma opinião, vez que os senhores pais e familiares, são os principais atores da equipe multidisciplinar que agem no tratamento de crianças com TDAH.

Para explicitar a importância da participação familiar no tratamento do TDAH, indaguei à Dra Nazareth sobre seu olhar em relação à atuação dos pais na sociedade moderna, invadida pela tecnologia”.

Nazareth Machado Félix- “ Vivemos em uma geração marcada por uma ausência física e emocional por parte dos pais no processo educacional de seus filhos. A realidade é que hoje é convencional e oportuno, em função do dia-a-dia agitado que vivemos, tentar suprir com equipamentos tecnológicos de última geração, uma presença e atenção que são insubstituíveis, e é neste momento que o afeto, o diálogo e a base familiar se tornam obsoletos, e aí, quando uma família se depara com um diagnóstico de um filho com TDAH, por vezes é muito mais fácil e imediato atuar com uso de medicação, de modo que a criança apresente um resultado momentâneo, o que pode acarretar possíveis efeitos colaterais, a estar enquanto família, disposta a vivenciar uma mudança real de hábitos familiares e comportamentais que é o ideal nestas situações”.

Andressa Amaral – “E quando falamos em hábitos familiares, reforçamos a importância e eficácia da terapia comportamental, e principalmente quando feita de forma integrada com a família, na eficácia do tratamento de crianças acometidas pelo TDAH, pois é através desta conduta que novos hábitos de comportamento são desenvolvidos, tanto com a criança que possui TDAH, assim como com os familiares, de modo que novos hábitos sejam adotados e consequentemente as funções executivas do cérebro deste paciente são estimuladas de modo a responderem de forma muito positiva ao tratamento. 


Para falar destes hábitos familiares, por vezes equivocados, e que precisam mudar para a eficácia do tratamento. Pedi que a nossa convidada Dra Nazareth Machado Félix exemplificasse em função de sua vasta experiência profissional, falasse acerca do assunto. E a mesma trouxe de forma muito interessante a questão do uso da chupeta como um equivocado instrumento de regulação, ao passo que o choro é uma forma de manifesto da criança para o mundo ao seu redor… é um “dizer não”. No momento em que a chupeta não deixa que esse ciclo natural se desenvolva, por vezes, os pais estão provocando um caráter inibitório no comportamento da criança. E, mais tarde, ou você terá um adolescente que se esconde atrás de uma personalidade mascarada ou um jovem quer dizer o sim de uma forma mais agressiva, e acaba sendo vista como uma criança problemática. Por isso a importância desta revisão de conceitos acerca dos hábitos familiares que a cada dia se tornam mais difusos.

Outra questão que tratamos de caráter fundamental, em relação ao uso desmedido de Ritalina e seus derivados como um facilitador da aprendizagem, é o olhar dos pais para os filhos adolescentes em fase de vestibular, que por muitas vezes, segundo nossa convidada especial, Dra Nazareth Félix, fazem uso destes medicamentos como agentes que melhoram a aprendizagem, sem o devido acompanhamento médico e diagnóstico indicativo da necessidade real do medicamento”.

Nazareth Machado Félix – “ Nestes casos, fica o convite aos colegas de profissão a um cuidado todo especial no momento da prescrição do medicamento e aos exageros por vezes elucidados no consultório por parte dos familiares para induzir a avaliação do profissional ao erro e prescrição indevida do medicamento”.

Andressa Amaral - “Ainda falando do diagnóstico do TDAH, enfatizamos o papel da escola nesta questão que é fundamental em grande escala na detecção do problema, vez que na grande maioria, por afetar as funções executivas do cérebro, há um reflexo imediato no processo de aprendizagem da criança ou adolescente com TDAH, o que é muito mais facilmente observado na escola. Porém, o grande problema encontrado é que há uma gama de profissionais que ainda não conseguem entender o limiar entre uma criança levada ou com reais indícios de TDAH.

Neste sentido o papel da escola e de uma equipe pedagógica preparada é fundamental no diagnóstico e evolução do tratamento.

Para finalizar nosso satisfatório bate-papo de hoje, pedi que nossa convidada Dra Nazareth Félix resumisse em sua visão e experiência profissional, o que de fato possa ser um tratamento eficaz e de sucesso aos portadores de TDAH”.

Nazareth Machado Felix – “É indispensável a participação da família em primeiro lugar, na aquisição e prática efetiva de novos hábitos que irão auxiliar a criança ou adolescente em seu acompanhamento, depois a escola como mediadora da aprendizagem e o elo entre o paciente e a família na construção do saber, e uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, neuropsicopedagogos, psicólogos, fisioterapeutas, pediatras, fonoaudiólogos, de modo que estes, através de um trabalho de direcionamento comportamental e integrado possam chegar ao melhor resultado para o paciente de modo que o mesmo tenha uma vida absolutamente normal mesmo tendo TDAH.”

Andressa Amaral – “Para finalizar, reitero todas as ponderações feitas pela nossa convidada Dra Nazareth Félix e reforço que é preciso de fato, que se tenha muita cautela com o diagnóstico e tratamento adotado para crianças acometidas pelo Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois em se tratando de processos cognitivos, uma conduta adotada inadequadamente num tratamento poderá incorrer em danos irreversíveis ao indivíduo no decurso de sua vida.

Aproveito para agradecer a grande quantidade de leitores que aderiram ao nosso projeto de levar conhecimento sempre, e continuamos à disposição para dirimir dúvidas e receber sugestões acerca do tema”.

Vale lembrar que esta série de reportagens faz parte do Projeto ‘Cietec e Você’, do Centro Integrado Educacional Técnico de Campos(Cietec/Campos), que sorteará entre os participantes bolsas de 100% para cursos profissionalizantes. Ao final do texto, confira como o leitor pode enviar suas perguntas e concorrer.

Para enviar seus questionamentos, acessem o site: www.cietecrj.com, no link fale conosco, e mande suas dúvidas.


Campos 24 Horas/Show Francisco
 Por: Fabiano Venancio 



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