segunda-feira, 6 de abril de 2015

Promotoria vê indícios para condenar pai de Bernardo


Médico Leandro Boldrini é acusado de homicídio quadruplamente qualificado

A promotora Sílvia Inês Jappe, responsável pelo caso do assassinato do menino Bernardo Boldrini, ocorrido em Frederico Westphalen (RS) em abril de 2014, afirmou ao GLOBO que há “indícios suficientes” para condenar o pai do menino por homicídio quadruplamente qualificado. O Ministério Público (MP) atua para que o julgamento dos quatro réus ocorra ainda neste ano.

Segundo a promotora, o médico Leandro Boldrini tem contra si pelo menos quatro agravantes: ter planejado a morte do filho, a vítima ser menor de 14 anos, a participação na ocultação do cadáver e a falsidade ideológica, já que Boldrini — réu na ação penal que investiga a morte do menino, de 11 anos — foi à polícia registrar o desaparecimento do filho dois dias após o assassinato. A morte de Bernardo completou um ano ontem.

O garoto, que vivia com o pai e a madrasta Graciele Ugulini na cidade de Três Passos, noroeste do estado, foi morto no dia 4 de abril supostamente por uma superdosagem de anestésico. O corpo do menino foi encontrado dez dias depois em uma cova comum, em estado de decomposição devido à utilização de soda cáustica. Leandro e Graciele são acusados de serem os autores do homicídio. Uma amiga da madrasta, Edelvânia Wirganovicz, e o irmão dela, Evandro, são apontados como cúmplices.

De acordo com a promotora, o MP pedirá uma pena “mais severa” para o pai. “Para a promotoria não há nenhuma dúvida de que Leandro Boldrini foi autor intelectual e mandante do crime, tendo realizado, inclusive, a divisão de tarefas entre o grupo. Os indícios e provas colhidas até agora no processo são suficientes para uma condenação”, disse Sílvia Inês Jappe.

A promotora não descartou a possibilidade de que o pai receba pena superior a 30 anos de prisão devido aos agravantes. Graciele, acusada de aplicar a dosagem fatal em Bernardo, e Edelvânia, apontada como coautora do homicídio, devem ter penas menores, mas mesmo assim superiores a 20 anos. Outros casos semelhantes ocorridos no país resultaram em penas sempre superiores a 30 anos.

O processo, de 6,6 mil páginas e 32 volumes, está sendo instruído na Vara Judicial de Três Passos e a expectativa é que os quatro réus sejam interrogados ainda no primeiro semestre de 2015. No total, serão ouvidas 53 testemunhas de defesa e acusação. O último depoimento está marcado para o dia 11 de maio. O juiz Marcos Luís Agostini, que cuida do caso, evita contatos com a imprensa, mas divulgou, por meio de sua assessoria, que deverá se pronunciar sobre o caso logo depois dos interrogatórios. A tendência é que Agostini se decida pelo júri popular.
  
Terceira Via/Show Francisco




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