quarta-feira, 13 de maio de 2015

"Prende e solta" mostra conflito entre a Polícia e a Justiça

Nessa queda de braço quem perde é o cidadão que insiste em aparecer nos gráficos da violência

No trecho final de “Acorda Amor”, o poeta Chico Buarque diz: “que o bicho é brabo e não sossega. Se você corre, o bicho pega, se fica não sei não. Atenção! Não demora dia desses chega a sua hora. Não discuta à toa, não reclame, clame, chame lá, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão (Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)”. A ironia dos versos revela a inversão de valores de uma sociedade doente que perdeu sua cidadania. Fosse naqueles tempos de ditadura militar ou nestes dias, observamos os mesmos cenários. E versos que jamais perdem a atualidade.

Hoje, vítimas de homicídio se transformam em coloridos gráficos sobre a segurança. Observamos ainda o flagrante conflito entre as forças policiais e as autoridades judiciais. O secretário de segurança, José Mariano Beltrami está nas páginas depois de dizer a frase “pensem bem antes de chamar a polícia” em função do prende e solta de 38 suspeitos de assaltos no Parque do Flamengo, no Centro do Rio.

Evidente que a frase foi pinçada de um discurso mais amplo e, também, não significa que nosso estado tenha o pior cenário. Basta olharmos para o Espírito Santo, São Paulo, Maranhão e Rio Grande do Norte. Beltrami dizia: “Esses caras têm faca. Ele vai numa ferragem aqui na esquina e compra uma faca muito boa. Se isso não é condição para ele responder perante o estado, de maneira exemplar, então pensem bem antes de chamar a polícia”. É um outro contexto. E bem mais grave.

Por motivos sociais que não entendemos, estamos protegendo gente que não produz nada de positivo para a sociedade. Gente que consome droga até enlouquecer para assaltar e matar o primeiro que passar por sua frente.

Elegemos os senhores senadores, deputados e vereadores que fazem as leis do país, do estado e da cidade nos quais vivemos. Os senhores juízes e promotores as interpretam. Alguns - mais próximos de nós - apenas se locupletam.

Andar portando uma faca não é mais crime. A vadiagem não é mais crime. No Brasil, a polícia prende e a justiça solta.

Que mania que essas vítimas de homicídio têm de querer aparecer em estatísticas e colorir gráficos?!
Terceira Via/Show Francisco



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