Cada dia mais tem se tornado frequente e aumentado consideravelmente a quantidade de crianças e adolescentes que apresentam dificuldades de aprendizagem na escola em função de ansiedade. Ou seja, temos um quadro de crianças que acreditam que não irão conseguir aprender, automaticamente já desencadeiam medos, ficam agitadas e consequentemente geram bloqueios em seus processos cognitivos, assim como crianças e adolescentes que por serem ansiosas, inquietas, não conseguem estar concentradas e perdem o foco a todo momento o que compromete seu processo de aprendizagem.
Entender um pouco como funciona os transtornos de ansiedade assim como suas consequências é de extrema importância principalmente quando estamos falamos de crianças e adolescentes. Assim, primeiramente é preciso entender a diferença entre dois elementos que juntos compõem os transtornos de ansiedade: o medo e a ansiedade propriamente dita.
Enquanto o medo é uma resposta a uma ameaça iminente real ou percebida, como por exemplo, o sentimento manifesto quando nos deparamos com uma situação de perigo, a ansiedade caracteriza-se por uma antecipação a uma situação futura. Ou seja, pessoas ansiosas, sejam elas crianças ou adolescentes, imaginam um possível problema, sofrem com as consequências do que será, e por conseguinte ficam ansiosas. Neste sentido, há uma relação intrínseca entre ansiedade e o medo, vez que quando imagino uma situação que pode me levar ao perigo, dor, sofrimento, mesmo que ainda não tenha acontecido, sinto medo.
Porém, é preciso que tracemos um limiar entre indivíduos que sofrem de ansiedade como consequência de algum problema distinto, ou os que de fato, sofrem de algum transtorno específico de ansiedade e como consequência apresentam bloqueios e sofrimentos sociais em relação à sua vida.
O primeiro caso é muito frequente em adolescentes e crianças inquietas, hiperativas, que geralmente possuem TDAH (déficit de atenção e hiperatividade), pois ao passo que estes indivíduos não conseguem parar, concentrar-se, automaticamente estão ansiosos por algo novo, o que traz sérios problemas principalmente na escola devido ao fato de não conseguirem focar no que está sendo visto, estando ansiosos por todos os outros elementos que despertam sua atenção e em consequência desencadeiam sérios problemas de aprendizagem.
Junto a isso, temos crianças e adolescentes que não tem problemas de concentração, ou quaisquer indícios de inquietude, hiperatividade, mas que apresentam medos, tensões, esquivas sociais, fobias, que são constantes, não simplesmente momentâneos, face uma situação de estresse ou fator específico e que causam sérios prejuízos à vida destes indivíduos. Temos neste caso o transtorno de ansiedade propriamente dito.
Dentre os transtornos específicos de ansiedade, destacaremos três para elucidarmos a questão:
· Transtorno de ansiedade social (fobia social), indivíduos temerosos, ansiosos que se esquivam de quaisquer situações que envolvam interação social e que aparentem situações avaliativas. Exemplo: apresentação de um trabalho escolar em grupo. Fato que compromete o processo de aprendizagem deste indivíduo.
· Agrofobia: quando são apreensivos ou ansiosos mediante situações de uso de transportes públicos, lugares abertos ou fechados, estarem em meio à multidão. Tais situações são temidas por estas pessoas acharem que podem não escapar ou não disporem de auxilio mediante situações de perigo. É o que acontece, por exemplo, com crianças ansiosas em relação às dificuldades de adaptações ao ambiente escolar, onde precisam estar ausentes de seus protetores: “pais”.
· Transtorno de ansiedade generalizada, são associados à preocupações exaustivas em vários domínios como: escola, trabalho, lazer. Geralmente são crianças e adolescentes que possuem “nervo à flor da pele”, fatigabilidade, dificuldade de concentração, os famosos “brancos” ou lapsos de memória, tensão muscular e perturbação do sono, o que afeta consideravelmente a aprendizagem.
É importante frisar que pessoas ansiosas geralmente apresentam algumas características comuns tais como: roer as unhas constantemente, impaciência, auto nível de stress, irritabilidade, compulsão alimentar, dentre outras que podem trazer sérios danos as suas vidas.
Em todos os casos, e principalmente em situações de transtorno de ansiedade generalizado, é importante entendermos que tal problema, se não tratado, desencadeia sérias consequências para a vida escolar destas pessoas quando são ainda crianças, comprometimentos da formação de personalidade e conduta deste indivíduo ao tornarem-se adolescentes e consequentemente, serão marcas que refletirão severamente e de forma dolorosa na vida adulta, tanto nas relações sociais, quanto na vivência profissional destes indivíduos. Ou seja, crianças e adolescentes com transtornos de ansiedade não tratados, possivelmente serão adultos escravos do ontem, e reféns de um amanhã pautado no medo.
(*) Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: neuropsiandressaamaral@gmail.com.
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