sexta-feira, 19 de junho de 2015

Polícia reconstitui morte da menina Natasha em 'casa de reza'

Irmã participou da simulação; polícia quer entender o que aconteceu com criança em cerimônia 
 
A Polícia Civil e a irmã mais velha da menina Natasha Reis Teixeira, de 7 anos, fizeram a reconstituição do que teria acontecido com a criança durante uma cerimônia religiosa em uma ‘casa de reza’ no bairro Parque Aurora, em Campos. A reconstituição foi na tarde desta quinta-feira (18) na Rua São Lino, local onde supostamente funciona um terreiro de umbanda, e atraiu muitos curiosos. Um especialista em religiões também foi ao local com o objetivo de auxiliar a polícia. 



Uma boneca foi usada para simular o que teria acontecido com a vítima. No momento em que o delegado saiu da ‘casa de reza’, uma mulher – que segundo populares seria parente da mãe de santo responsável pela casa – passou mal e precisou ser socorrida por populares para um posto de saúde próximo do local. A imprensa não foi autorizada a acompanhar a reconstituição.

Segundo o delegado Geraldo Rangel, titular da Delegacia do Centro e responsável pelas investigações, a reconstituição foi fundamental para esclarecer algumas questões. “Nós temos duas pessoas indiciadas, mas queremos mais detalhes sobre como tudo aconteceu”, disse o delegado, sem dar outros detalhes sobre a reconstituição.

Membros do Conselho Tutelar acompanharam a irmã de 12 anos da vítima. A criança estaria na cerimônia religiosa na noite de sexta-feira (5) com Natasha e os outros três irmãos, de seis meses, 1 ano e cinco meses e oito anos. Natasha morreu por asfixia na madrugada do sábado (6), após ter saído da cerimônia.

Entenda o caso

Natasha, que morava no bairro Parque Eldorado, morreu na madrugada do último sábado (6), no Hospital Ferreira Machado (HFM). Ela deu entrada na unidade com febre e dores na garganta. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a vítima morreu asfixiada por sufocamento.

Na sexta-feira (12), o padrasto da criança, Marcos Antônio Teixeira, de 49 anos, foi preso em casa suspeito de ter matado a enteada. Segundo o delegado, o homem confessou que batia nas crianças, mas que as agressões eram com o objetivo de educá-las. Ele negou ter matado Natasha. A esposa dele e mãe de Natasha, Graciane Reis Teixeira, contou à polícia que não viu as agressões.

Nesta quinta-feira (18), o caso da morte de Natasha, que parecia estar praticamente solucionado, teve uma reviravolta. O padrasto da vítima, Marcos Antônio Teixeira, preso na última semana, foi solto um dia após a prisão. A mãe da menina e a mãe de santo identificada como Maria das Graças Cabral, foram indiciadas por homicídio.


Segundo o delegado, o caso começou a ser esclarecido depois da prisão de Marcos, que desde o início negou o crime. “Ele foi preso na sexta-feira (12) e solto no sábado. Em depoimento, ele disse que todas as sextas a família participa de sessões no ‘terreiro’ no bairro Parque Aurora. Marcos informou que a mãe de santo teria mandado levar Natasha, já que a menina estaria ‘sob o poder’ de um espírito.

Diante das informações, o delegado convocou a mãe da criança - que a princípio teria culpado o marido de bater na filha. Graciane teria alegado que não sabia quem esganou a menina, pois também estaria “incorporada”. “Ela acredita que a mãe de santo deu solavancos na filha”, explicou o delegado em coletiva na manhã desta quinta (18). 


Terceira Via/Show Francisco
Priscilla Alves




Nenhum comentário: