sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Falta leite especial há um mês


“Os jardins da cidade estão bonitos, mas não é capim que alimenta minha filha”. A declaração é de uma mãe que mais uma vez sofre com os problemas na distribuição por parte da Prefeitura do leite especial Neocate. Daniele Quintanilha tem uma filha que necessita do leite desde os primeiros dias de vida e diz estar desesperada, pois não tem condições de comprar o alimento, que no mercado chega a custar mais de R$ 200. Quem precisa do leite especial relata sofrer com atrasos recorrentes desde 2011. Desta vez, a demora já chega, segundo mães, há um mês. Outro programa em risco no município é o de home care. A “Nutrindo — Nutrição e Internação Domiciliar”, responsável pelo serviço, diz que a Prefeitura está devendo mais de R$ 7 milhões à empresa.

Daniele tem cadastro na secretaria municipal de Saúde há cerca de três anos e confirma os atrasos constantes. Nos períodos de falta do Neocate, ela conta com a ajuda de amigos e das redes sociais para conseguir a alimentação adequada para sua filha.

— Construíram uma ‘Disney brasileira’ que ninguém vai visitar. Colocam a culpa na diminuição dos royalties do petróleo, mas eu pago impostos, então as latas não são de graça. Não é possível que um vice-prefeito, que é médico pediatra, não se sensibilize com uma situação dessas. Preciso de uma resposta — declarou emocionada. Daniele acrescentou que as famílias de outras crianças também relatam passar por esse problema.

O médico da filha de Daniele prescreveu a utilização de oito latas do alimento especial por mês. Em caso de falta, a criança começa a apresentar efeitos colaterais, como na última quarta-feira, quando sua filha ficou com febre e foi para o hospital. “Será que vai ser preciso uma criança morrer para resolver esse problema?”, indagou.

A mãe diz ainda que sua “filha hoje tem três anos, mas daqui a pouco vai ter 16, e vai ser eleitora. Eu vou fazer questão de lembrá-la, o que ela está passando atualmente”.

A assessoria de comunicação da secretaria de Saúde informou, através de nota, que o órgão “realizou todos os trâmites administrativos para aquisição das fórmulas especiais de nutrição, que vêm sendo distribuídas ao longo do ano”. Ainda segundo a nota, “a secretaria aguarda a entrega de novos lotes, o que deve acontecer nas próximas semanas. A Gerência de Nutrição está promovendo o recadastramento dos pacientes para garantir que as pessoas em vulnerabilidade social sejam contempladas”.

Dívida com empresa chega a R$ 7 milhões

Diretora da empresa “Nutrindo — Nutrição e Internação Domiciliar”, a médica Sara Cruz, confirmou na manhã dessa quinta-feira (5) que a dívida de mais de R$ 7 milhões da Prefeitura com empresa continua. Ela conta que, após a divulgação do valor, em entrevista coletiva no final de setembro, a Prefeitura efetuou pagamento referente à parte do mês de janeiro. “Estou tendo que conversar com fornecedores para pedir para eles esperarem”.

A distribuição de remédios, equipamentos, além da disponibilização de fisioterapeutas e enfermeiros, podem ser afetados. Ainda segundo a médica, no próximo dia 11 haverá uma audiência pública no Fórum Maria Tereza Gusmão, para tratar sobre o assunto.

Em nota, a Prefeitura informou que já foram “pagos cerca de R$ 22 milhões à empresa” e que “nos próximos dias, novo pagamento será feito.
Folha da Manha/Show Francisco
Júlio César Barreto
Fotos: Tércio Teixeira



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