Bárbara Cabral (estagiária)Fotos: Tércio Teixeira/Fmanhã/Show Francisco
Após várias semanas de chuva, o sol, mesmo que de forma tímida, finalmente apareceu na região. Na manhã deste sábado (23), a temperatura mais quente atraiu alguns turistas para o litoral de São Francisco de Itabapoana, nas praias de Gargaú, Guaxindiba e Santa Clara. Com pequena movimentação, as praias foram elogiadas pela tranquilidade e maré mansa, mas a sujeira e falta de infraestrutura foram alvos de críticas de banhistas e comerciantes locais.
Conhecida pelos cataventos gigantes da Usina de Energia Eólica de São Francisco, a praia de Gargaú foi a que registrou menor movimento. Apesar disso, o lugar foi muito elogiado pelos frequentadores, como a capixaba Francisca Nezi, 60 anos. “Sou de Vila Velha, no Espírito Santo. A última vez que estive aqui foi há 30 anos. Aqui tem essa paisagem fantástica, que é esse contraste do mar com a lagoa e os pescadores. Acho bonito como, após anos, Gargaú ainda mantém esse aspecto típico de cidade do interior, o que é raridade hoje em dia”, disse.
Em Guaxindiba, que teve movimento razoável na manhã de ontem, a segurança e ambiente familiar foram destacados pelos banhistas. “Frequento Guaxindiba há 30 anos e acho que a praia melhorou muito. Aqui é bom para trazer a família, porque é tranquilo, o mar é calmo e é uma praia muito segura. Venho todo verão”, disse a professora aposentada Sônia Mothé, 59 anos.
Dentre as principais praias do município de São Francisco, Santa Clara foi a escolha da maioria dos turistas e veranistas e registrou movimento um pouco maior, comparando-se às demais.
O advogado Penilton Muniz, 62 anos, resolveu trocar a praia de Farol de São Thomé, em Campos, pelo litoral de SFI e não se arrepende. “É a minha primeira vez aqui e estou achando ótimo. Frequentei Farol por 20 anos, e é muito diferente. O mar de Santa Clara é muito mais calmo e em questão de segurança nem se fala”, contou.
Comerciantes apontam queda em vendas
Nas praias, outro problema comum, desta vez relatado pelos comerciantes locais, é a diminuição da quantidade de turistas no período de verão. “Este ano foi o pior, sem sombra de dúvidas. Aqui já não tem muito movimento normalmente, com essa crise então, só piorou. Esperamos esta época para que o comércio lucre mais com a vinda dos turistas, mas está difícil. O número de frequentadores reduziu muito por aqui”, contou Joilson Bueno de Oliveira, que trabalha como vendedor em SFI há mais de 30 anos.
Já para o comerciante Carlos Roberto Cordeiro, 63 anos, uma solução seria a implantação de mais atrativos na região. “Tenho quiosque em Guaxindiba há 10 anos. Acho que se a praia tivesse mais festivais, talvez isso atraísse mais turistas. Meus amigos que têm comércio em Gargaú, por exemplo, sofrem, porque lá é morto. O caminho para a praia não ajuda. Você tem que andar metros e metros para chegar até o mar. Que turista vai querer um lugar desses?”, desabafou.
Críticas à sujeira e falta de investimento
Apesar dos elogios, o litoral de São Francisco não escapou de algumas críticas. Entre elas está a sujeira nas praias e a falta de investimento.
Segundo o guarda civil Cassiano Macedo, 42 anos, alguns frequentadores também contribuem para os problemas nas praias. “Passo todo verão em São Francisco. Gosto muito daqui, porque é propício para as crianças, sempre trago a família toda, mas se há um ponto em comum entre Guaxindiba, Santa Clara e Gargaú é a sujeira. Não atribuo a culpa somente às autoridades, mas também aos frequentadores. De fato, falta educar esses turistas. Se cada um tivesse consciência, não veríamos tanto lixo no mar e na areia das praias”, reclamou.
Para Ana Paula Souza, que mora em São Francisco há 12 anos, a região é pouco explorada pelas autoridades. “Acho que a região litorânea de São Francisco tem um potencial enorme para o turismo. Sabemos que a cidade é rica, mas não vemos essa riqueza sendo colocada nas praias. Aqui ainda não tem água encanada, por exemplo. A região ainda é muito atrasada em alguns quesitos. Acho que ela precisa ser mais olhada pelos governantes”.




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