segunda-feira, 20 de março de 2017

Processo que atinge Atafona, em SJB, também é realidade em várias cidades pelo país

Contribuição humana colabora para o processo

Avanço do mar na Praia de Atafona, na cidade de São João da Barra, ao longo de décadas (foto: Isaias Ferbnandes)

Léo Menezes

O avanço do mar é um fenômeno registrado no litoral de 17 estados brasileiros banhados pelo Oceano Atlântico. Levantamentos recentes apontam que o fenômeno está acontecendo de forma mais intensa em alguns locais, o que vem mudando o mapa litorâneo. Especialistas preveem alterações ainda mais significativas nos próximos anos. Um exemplo claro na Região Norte Fluminense é a Praia de Atafona, na cidade de São João da Barra (SJB), onde o mar já “engoliu” vários bairros, durante décadas, e continua avançando em direção à costa.

O historiador ambiental Aristides Soffiati revela que os cientistas que estudam o assunto são quase unânimes em afirmar que o nível do mar está subindo. Para muitos, essa elevação deriva do aquecimento climático, que derrete as geleiras e dilata as águas marinhas.

“Por outro lado, eles verificam que as cidades também estão avançando em direção ao mar, como é o caso de Rio das Ostras (Região dos Lagos) e de muitas outras, sendo que os dois fenômenos combinados resultam em erosão da costa e em destruição de edificações”, explicou Soffiati.

Contribuição humana colabora para o processo

De acordo com Soffiati, a intervenção do homem, sem dúvidas, está colaborando muito para esse processo. O aquecimento global, que é responsável pelo aumento do nível do mar, a construção de portos sem estudo de impacto ambiental e assoreamento dos rios são fatores essenciais para causar esse avanço. “No caso de Atafona, especificamente, o desmatamento da bacia produziu erosão e assoreamento. As barragens, ao longo dos leitos, reduziram a vazão hídrica e sólida. As transposições também”, explicou.

A Praia do Açu, em SJB, é um exemplo de como a erosão marítima tem se estendido a outras praias, além de Atafona. Soffiati defende o parecer feito pelo geógrafo Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Campos, que segundo ele, existe uma corrente que transporta areia do Açu numa época do ano e a devolve em outra. “Os espigões construídos nas duas margens do estaleiro do porto estão impedindo este processo. A Praia do Açu só perde areia. A que vai fica retida no espigão do sul e a que volta, no espigão do norte. A título de hipótese, pergunto se essa interferência do porto não está também agravando a erosão em Atafona?”, questionou Soffiati.

PRAIAS ARTIFICIAIS PODEM SER A SOLUÇÃO para o problema

Ao ser questionado sobre até que ponto a erosão marinha vai chegar, Soffiati afirma que não tem como garantir um limite.

“Se lembrarmos que há cinco mil anos o mar chegou até Lagoa de Cima, não podemos descartar um novo avanço. O atual, perto do que ocorreu há cinco milênios, é apenas um avanço considerado insignificante. A solução que tem sido mais reclamada é a criação de uma praia artificial com pedras e coberta de areia”, ressaltou o ambientalista, acrescentando que a solução é um investimento muito dispendioso para um tempo de crise econômica.

“Mesmo com a economia funcionando normalmente, a solução é muito cara, além do mais, não é garantida, mas isso foi aplicado na cidade de Marataízes (Estado do Espírito Santo) e deveríamos esperar para acompanhar o comportamento da praia artificial de lá”, observou ainda o ambientalista.
O DiárioNF/Show Francisco

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