O ex-procurador-geral da Câmara de Campos, Luiz Felippe Klem de Mattos, foi apontado, em inquérito da Polícia Federal e denúncia do Ministério Público Eleitoral, como o intermediador de proposta de suborno ao juiz Glaucenir Oliveira, que atuou na Chequinho e, em novembro, determinou a prisão do ex-secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho. A afirmação é do delegado da Polícia Federal, Paulo Cassiano, que, em entrevista coletiva, na manhã de hoje, informou que a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar o caso. O inquérito deu origem a uma Ação Penal, que corre na 100 Zona Eleitoral. De acordo com o delegado, o responsável por levar a tentativa de suborno, feita através de dois empresários, é Luis Felippe Klem de Mattos. (Veja abaixo vídeo da coletiva)
A quantia oferecida seria R$ 5 milhões através de um empresário e R$ 1,5 milhão através de outro. A quem foi oferecido o valor de 5 milhões também foi esclarecido que "o céu é o limite", dando a entender que a proposta poderia ser aumentada. Os empresários procurados por Luis Felippe são Abdu Neme Jorge Makhluf e Thiago Pereira.
CORREÇÃO: O empresário Abdu Neme citado na denúncia não é o vereador e sim o filho dele, Abinho. A Folha tentou contato com ambos durante o dia, mas não obteve retorno.
Após deixar a Procuradoria da Câmara, Luis Felippe assumiu a Procuradoria da Prefeitura de Quissamã, de onde foi exonerado hoje (leia nota abaixo).
Além disso, a Justiça Eleitoral determinou medidas cautelares, como recolhimento domiciliar aos finais de semana, proibição de ingressar na Câmara dos Vereadores, entre outras.
Segundo Paulo Cassiano, durante as investigações foram interceptadas conversas telefônicas que demonstram uma "subordinação moral" de Felippe ao ex-secretário de Governo de Campos, Anthony Garotinho - hoje condenado na Chequinho e em prisão domiciliar. (Ouça áudio abaixo em que Luis Felippe declara amor ao ex-governador)
Ainda de acordo com o delegado, não há provas que indiquem que a tentativa de suborno tenha como mandante o ex-secretário Anthony Garotinho.
Porém...
— Provas que temos são categóricas em relação ao Klem e que a proposta foi feita em nome do grupo político do Garotinho e para beneficiar o Garotinho. Posso afirmar que houve o crime, feito por pessoa umbilicalmente ligada a ele (o ex-governador). Não é possível dizer categoricamente, neste momento, que o Garotinho tenha encomendado a proposta de suborno — explicou o delegado Paulo CassianoPOSICIONAMENTO DA DEFESA
"O advogado Carlos Azeredo classifica as acusações de tentativa de suborno associadas ao ex-governador Anthony Garotinho como infundadas, ultrapassando as raias da leviandade.
Tais acusações só podem ser fruto da obsessão que determinadas autoridades têm em justificar um processo marcado por arbitrariedades.
Não há uma prova sequer no inquérito da PF que comprove o envolvimento da família Garotinho com essa suposta tentativa de suborno.
É bom lembrar que Garotinho e o seu filho, Wladimir Matheus, entraram com uma notícia crime contra o juiz Glaucenir de Oliveira.
À época em que a acusação veio à tona, inclusive, a ex-governadora Rosinha Garotinho perguntou, numa entrevista, por que Glaucenir não deu ordem de prisão a quem ele diz que propôs o suborno. Não seria esse o procedimento adequado?".
A Prefeitura de Quissamã divulgou nota, exonerando Luis Felippe, então procurador-geral do município:
"Ao tomar conhecimento das informações sobre as investigações, que não envolvem Quissamã, a Prefeitura optou pela exoneração do senhor Luiz Felippe Klem de Mattos do cargo de Procurador Geral do Município e aguarda o desdobramento das averiguações em curso".
PARA LEMBRAR:
O ex-governador e ex-secretário municipal de Governo, Anthony Garotinho, esta preso na casa da Lapa desde quarta-feira da semana passada (13), após ser condenado a 9 anos, 11 meses e 10 dias de prisão por “comandar o esquema criminoso” de troca de votos por Cheque Cidadão.
Na noite de ontem, o juiz Ralph Manhães impôs, na noite desta terça-feira (19), mais medidas restritivas ao ex-governador. O magistrado atendeu parcialmente os pedidos feitos pelo Ministério Público Eleitoral e determinou, entre outras medidas, a proibição de gravações no interior da “casinha da Lapa”, onde Garotinho cumpre prisão domiciliar, além de que a defesa mantenha um registro de todas as pessoas que ingressarem no imóvel e a obrigação de informar o número de telefones celulares e fixo das pessoas que frequentam a residência.


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