segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Parque de exposições da FRC interditado e Fepe deste ano é cancelada

O motivo não é o risco em sua estrutura, mas sim pendências que a FRC garante que serão resolvidas
CAMPOS POR REDAÇÃO

Pendências administrativas da Fundação Rural de Campos (FRC) têm impedido que uma das mais tradicionais instituições de Campos realize eventos em suas dependências. Diante da situação da FRC, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL), decidiu não realizar a 30a Edição da Feira de Preços Especiais (Fepe), que aconteceria em novembro.

O evento sempre aconteceu no pavilhão coberto do Parque de Exposições. De acordo com o comandante do 5o Grupamento de Bombeiro Militar, Rodrigo Rangel Barcelos, as pendências administrativas da FRC se arrastam desde 2015 e, em 2018, a Expoagro só foi realizada graças a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ). Rodrigo nega que o parque esteja interditado, pois o laudo de interdição só é emitido quando o estabelecimento oferece risco eminente ao público, o que, segundo ele, não é o caso.

“Desde 2015, eles vem tentando se regularizar, mas na última vistoria feita pelo 5o GBM, foram identificadas irregularidades administrativas que impossibilitam a emissão de certificados de aprovação e registro. A FRC só terá autorização para promover eventos abertos ao público depois que todas as exigências forem cumpridas ou, por via judicial”.

Sobre o cancelamento da Fepe, a CDL informou que a direção da FRC está empenhada em resolver as pendências até novembro, quando seria realizada a feira. No entanto, por se tratar de um evento de grande porte, envolvendo cerca de 150 expositores e que exige planejamento com antecedência, a Câmara de Dirigentes Lojistas achou por bem não realizar a Fepe em 2018. Ainda segundo a CDL, escolher outro local poderia comprometer o sucesso das edições anteriores.

A equipe de reportagem não conseguiu contato com Ronaldo Arêas, presidente da FRC.

Expoagro recebe críticas
Parte do público da 59a Exposição Agropecuária e Industrial (Expoagro), realizada de 4 a 8 de julho na FRC, não saiu satisfeita do evento. Alguns frequentadores deixaram suas críticas nas redes sociais da entidade. As reclamações vão de banheiro sujo a desorganização. “Acho que banheiro tem que ser prioridade em qualquer lugar, principalmente em grandes eventos.

Deem atenção a essas e outras melhorias para o próximo ano. Criem uma comissão e enviem essa comissão em outras cidades que fazem eventos como esse para se ter uma ideia de organização, deem um pulo em Barretos, por exemplo. Ficou feio a divulgação de alguns eventos secundários cancelando a apresentação por conta de quebra de contrato”, reclamou uma internauta. “A qualidade da feira é inversamente proporcional ao preço do ingresso cobrado a cada ano. Decepção total. Triste em ver uma feira que era uma das maiores do pais definhando a cada ano”, opinou outro internauta a respeito da última feira.

Para o vereador Cláudio Andrade, a FRC deixou de ser um local de grandes eventos. Ele foi expositor da feira agropecuária e industrial este ano e relatou problemas em seu estande durante o período da festa. Cláudio teve problemas com iluminação. “Mais do que a crise, que muito usam como desculpa para diversas coisa, a FRC precisa de uma gestão profissional e que saiba valorizar o seu maior patrimônio, o campista. Na última exposição, como expositor, puder presenciar um clima de muita inexperiência no trato com aqueles que pagaram para apresentar seus produtos. Hoje, em qualquer estabelecimento, temos que ter gestores compromissados e antenados com as tendências. Um gestor que não sai de sua sala e não se apresenta como agregador está fadado ao ostracismo e leva com ele o empreendimento todo”, comentou o vereador.


Tradição em Exposições Agropecuárias
As exposições agropecuárias em Campos começaram em 1954 com a criação da Associação Rural. Em 1966, a Associação Rural foi transformada em Fundação Rural, quando as exposições passaram a ser realizadas anualmente. O prestígio do evento levou ao parque de exposições figuras importantes, como o presidente da república Emílio Garrastazu Médici na década de 1970. A área total de 200 mil m2 abriga pista de grama e de areia, boates, salões, restaurantes, local de leilões, pavilhão coberto com espaço de 6 mil m2 para realização de feiras e eventos como casamentos, formaturas, eventos empresariais.

O local ainda conta com 245 baias de alvenaria cobertas para equinos, 244 argolas para bovinos divididas entre pavilhões de alvenaria cobertos, pavilhão misto para animais de pequeno porte com 26 baias, estrutura com 4 mil m2 para exposição e leilão de ovinos e caprinos, com capacidade para 120 mesas; dois picadeiros para provas de desfiles de animais, complexo administrativo com 1000 m2, incluindo auditório com 100 lugares; ruas urbanizadas, com asfalto, meio fio, calçadas, galeria de águas pluviais, sanitários fixos; entre outras dependências.
Terceira Via

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