quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Governador diz acreditar que fechamento da fronteira não impedirá ajuda humanitária

Antonio Denarium afirma que fechamento da fronteira cria um 'clima tenso' na região. Brasil anunciou que usará fronteira para enviar alimentos e medicamentos para venezuelanos.

Boletim: Maduro anuncia que o governo vai fechar a fronteira da Venezuela com Brasil
Jornal Hoje


Boletim: Maduro anuncia que o governo vai fechar a fronteira da Venezuela com Brasil

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), disse nesta quinta-feira (21) acreditar que, embora crie um "clima tenso" na região, a decisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro de fechar a fronteira com o Brasil não impedirá a entrega de alimentos e medicamentos aos cidadãos do país vizinho.

Denarium deu a declaração depois que o presidente da Venezuela anunciou o fechamento da fronteira com o Brasil a partir das 20h (21h pelo horário de Brasília) desta quinta. Até as 17h30, a fronteira permanecia aberta.

Fronteira entre Brasil e Venezuela, por volta das 17h30 (horário brasileiro) desta quinta-feira (21) — Foto: Alan Chaves/G1

Até a última atualização desta reportagem, não havia manifestação oficial do Brasil sobre a decisão do governo venezuelano de fechar a fronteira. Consultada, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que o assunto é analisado pelo Ministério das Relações Exteriores. Procurado, o ministério não se manifestou.

O estado de Roraima fica na fronteira com a Venezuela e se tornou nos últimos anos a principal porta de entrada de imigrantes que fogem da crise política, econômica e social que vive o país.

Denarium está em Brasília, onde discutiu com o governo federal a entrega de ajuda humanitária aos venezuelanos, anunciada pelo Palácio do Planalto na terça-feira (19).

Para o governador, um dos reflexos do fechamento da fronteira será a entrada de venezuelanos no Brasil por fora dos pontos oficiais de controle.

“A fronteira é seca. Então, se uma pessoa não quiser passar pela fronteira, onde é o local oficial, passa pelas ‘laterais’. Temos 1.850 quilômetros de fronteira", disse.

"Vai é inibir aquelas pessoas que querem entrar de forma legalizada. Elas não vão entrar, vão ficar esperando a fronteira abrir", declarou.

O governo brasileiro enviará alimentos e medicamentos até as cidades de Boa Vista e Pacaraima, em Roraima. A intenção é que os produtos sejam retirados no Brasil por venezuelanos, que para isso cruzariam a fronteira em caminhões.

"Não vai impedir a distribuição da ajuda humanitária. Acredito que, mesmo que esses gêneros alimentícios e medicamentos estejam em território brasileiro, não teria dificuldades em distribuir isso entre os venezuelanos, mesmo com a fronteira fechada. É atravessar e pegar a ajuda”, disse o governador ao G1.

Governador Antônio Denarium (PSL) durante entrevista na Assembleia Legislativa de Roraima na última terça (19) — Foto: Pedro Barbosa/G1 RR

O Brasil anunciou o envio de ajuda humanitária à Venezuela ao atender um pedido do autodeclarado presidente do país, Juan Guaidó.

Presidente da Assembleia Nacional, Guaidó é um dos principais líderes de oposição a Maduro, cujo novo mandato presidencial não é reconhecido por parte da comunidade internacional.

O Brasil, junto com os Estados Unidos, está entre os países que considera Guaidó o presidente interino da Venezuela. Entre os países que reconhecem a presidência de Maduro, estão China e Rússia.

Questionado se teme algum confronto no estado, Denarium reconheceu que o clima fica "tenso" com o fechamento da fronteira, mas afirmou que o Brasil é um "país pacífico".

“Na verdade, fica um clima tenso, vamos dizer assim. O Brasil é um país pacífico, nós não temos nenhum problema com a Venezuela. O que nós estamos fazendo é ajuda humanitária, é para aquelas pessoas que precisam de medicação e alimentos e estão morrendo", afirmou.

G1/Show Francisco


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