terça-feira, 14 de maio de 2019

Alerj se mobiliza para rever exclusões de policiais militares


Divulgação. 
Medida foi anunciada em audiência pública na última semanaA Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vai solicitar ao governador Wilson Witzel (PSC) a revisão das expulsões de policiais militares que apresentem irregularidades. A medida foi anunciada em audiência pública na última semana para discutir as possíveis arbitrariedades no processo de desligamento dos agentes.

No encontro, ex-policiais e associações de classe argumentaram que parte das expulsões aconteceu contrariando decisões do conselho administrativo, e não foram revertidas mesmo após a absolvição das transgressões na Justiça.

“Há dois meses houve uma audiência da Comissão de Segurança Pública, ao qual faço parte, e o tema era assunto de Polícia, e desta forma eu trouxe essa discussão à tona, porque a audiência era para tratar de outros assuntos, como a extinção das UPPs. Eu apresentei o tema do nosso Regime Disciplinar, o RDPM, que é arcaico e precisa ser revisado urgente. E consequentemente procurar saber dos policiais que foram expulsos covardemente, arbitrariamente. A audiência no plenário da Alerj contou com Ministério Público, a Defensoria Pública, entre outros, que tem grande conhecimento da causa. Muitos dos excluídos participaram. O que nós buscamos é que o Governador junto ao Comando Geral olhe caso por caso. Temos a certeza que muitos policias foram expulsos por outros governos arbitrariamente”, declarou o deputado Gil Vianna (PSL).

Uma das principais críticas feitas durante a audiência foi a tomada de decisões a partir de critérios subjetivos, como destacou Wallace Bastos, diretor da Associação de Apoio ao Agente da Segurança e Ex-policiais (Apasepol). “Os governos anteriores diziam que estavam cortando na carne excluindo diversos policiais. Fizemos um estudo que comprovou que 71% de todos esses excluídos ganharam nos processos do conselho, tiveram o aval do comandante do batalhão, mas os comandantes-gerais da época simplesmente discordaram e excluíram os policiais”, criticou.

As normas que regem os processos de avaliação disciplinar são muito antigas. Um dos pontos é o fato de que uma investigação deve durar até 15 dias, tempo considerado insuficiente para uma elucidação justa, e que o policial acusado não pode responder sobre as provas que foram apresentadas contra ele, e o tempo de duração do processo gera exclusões sumárias. Esta é a posição da Defensoria Pública.

“O CD (processo administrativo disciplinar) no Batalhão que é formado de três oficiais em seu colegiado. Defendemos que quando o policial for inocentado dentro do Batalhão, que é onde ele atua e é reconhecido, sendo absolvido o processo seja extinguido, e não como acontece e vimos claramente em diversos casos, indo ao Comando Geral para dar o parecer final, e lá 90% dos casos, mesmo com a absolvição do Batalhão, acabam indo para a rua. Ai, pior, o policial ganha na Justiça Comum e fica impedido de retornar numa tremenda arbitrariedade que vem sendo cometida ao longo dos anos por diversos governos. Se o policial cometer algo de errado, aí sim tem que pagar pelo erro”, enfatizou Gil Vianna.

Outro ponto abordado foi a diferença dos processos para exclusão dentro da própria corporação. Enquanto os oficiais da PM só podem ser excluídos por decisão judicial, os praças são expulsos por determinação do comandante-geral após parecer do conselho disciplinar.

Presente na audiência, o atual corregedor da PM, coronel Joseli Candido, disse que os conselhos administrativos têm caráter opinativo, mas destacou que, apesar de não haver previsão legislativa, a corporação possui normas internas que “garantem uma oitiva com o acusado ao final do processo, assim como as alegações finais”.

“Estive presente no debate e defendi que de fato seja revista essa forma adotada que contraria uma série de posições de nós militares. O policial da ativa de hoje poderá ser o excluído injustamente amanhã. Não defendo proteção ao que for cometido de forma arbitrária, e sim o justo. Em meu discurso abordei no plenário da Alerj a questão da sobrecarga de trabalho. Nós da Polícia Militar somos a única categoria da segurança pública que não tem a escala justa, com um dia de trabalho e três de folga. Todas as outras categorias, Guarda Municipal, Seape, Polícia Civil, Federal e Rodoviária por exemplo, inclusive vigilantes particulares tem a escola 24 horas por 72”, declarou o vereador de Campos, Cabo Alonsimar (PTC).
Ururau/Show Francisco

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