terça-feira, 24 de setembro de 2019

Luz, celular, ação

Festival com filmes de até um minuto feitos com telefones celulares pretende reunir talentos em Campos 
POR OCINEI TRINDADE


Equipe idealizadora (Foto: Carlos Grevi)

As redes sociais digitais se tornaram plataformas para a divulgação de vídeos realizados por meio do telefone celular. A tecnologia permite facilmente que imagens e áudios sejam compartilhados por usuários. Alguns desses vídeos podem alcançar milhares ou milhões de acessos. Inspirados por influências do cinema e das mídias eletrônicas, o fotógrafo e videomaker Romeu Lins se juntou ao jornalista Fernando Leite para criarem o “Festival 1 Minuto”. Eles pretendem reunir talentos da cidade. Os melhores vídeos feitos com celular farão parte de uma mostra em Campos.

Romeu Lins conta que o festival tem como lema “uma idéia na cabeça e um celular na mão”, livremente inspirado no conceito do Cinema Novo, nos anos 1960, onde cineastas defendiam o conceito “uma câmera não mão e uma ideia na cabeça”. Na época, com ajuda de câmeras cinematográficas como a Super-8, grandes nomes do cinema brasileiro se destacaram como Glauber Rocha, Ruy Guerra, Domingos de Oliveira, Nelson Pereira dos Santos, entre outros.


Fernando Leite e Romeu Lins (Foto: Carlos Grevi)

De acordo com Fernando Leite, o “Festival 1 Minuto” tem o objetivo de promover entretenimento e estimular as pessoas a desenvolverem sua criatividade, além de descobrir novos valores e talentos na área de audiovisual em Campos dos Goytacazes. O “Festival 1 minuto” não restringe temas aos participantes. Belezas naturais do município, lendas locais, gente anônima ou figuras ilustres e folclóricas, manifestações artísticas e arquitetura local são algumas possibilidades.

As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de outubro por email no endereço festivalumminutovideocelular@gmail.com. Os interessados devem saber tratar-se Concurso de Produção Amadora de vídeos, produzidos através de aparelhos de telefonia móvel. Não será permitido uso de outros equipamentos como câmeras de vídeo profissionais ou fotográficas em geral. As inscrições são gratuitas e mais de um vídeo por candidato poderá concorrer. Os melhores vídeos serão selecionados para uma exposição. Os considerados melhores por uma comissão julgadora serão exibidos em uma apresentação no Teatro de Bolso, no dia 14 de novembro.

Os organizadores do festival lembram que os critérios de julgamento avaliarão roteiro original, fotografia e criatividade. O vídeo editado com duração de um minuto deve estar no formato H264 (1920 x 1080). A premiação oferecerá troféus e equipamentos celulares, além da exposição dos trabalhos.

Do Super8 ao Smartphone


Winston Churchil: escritor e documentarista fala de cinema e festivais (Foto: Patrícia Bueno)

O escritor Winston Churchil Rangel, de 77 anos, tem muita história para contar. Algumas delas passam pelo cinema. Nos anos 1970, ele participou de vários festivais promovidos pelo saudoso Nicolau Louzada, no extinto cinema Dom Marcelo, em Campos. Venceu com um curta-metragem rodado em Super-8, chamado “Os Goytacazes”. Infelizmente, o filme se perdeu, mas ficaram as memórias. “O cinema lotava, era muito prestigiado o festival. Para montar o filme, colávamos a película com durex”, lembra aos risos o dublê de cineasta e documentaria. Churchil realizou três documentários nos anos 2000.

“Os documentários abordam os ciclos econômicos de Campos. “O Mel de Tacho” é sobre o açúcar; “O Boi de Vento” é sobre o gado; “O Fundo do Poço” fala do petróleo. Cada economia gerou consequências culturais. Produzi e dirigi os vídeos. Na ocasião, a prefeitura faria a distribuição nas escolas, mas pousou aquele avião da Federal e levou o governo Mocaiber, e isto não ocorreu”, ironiza.

Winston Churchil Rangel é um dos jurados convidados para avaliar os trabalhos inscritos no “Festival 1 Minuto”. Ele é adepto do celular para postar vídeos em suas redes sociais. “Gosto da ideia de realizar filmes assim com o celular, mas filme de um minuto é para cascudo. Voltei a morar em Campos e tenho visto muita gente talentosa na cidade”, conclui.
Fonte:Terceira Via

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