sexta-feira, 6 de março de 2020

"Gravei meu tio confessando que me estuprava, mas temo falta de punição"


Carla Vanessa Venâncio da Silva, de 35 anos, faz parte de um grupo de mulheres brasileiras que, mesmo formalizando uma denúncia, não conseguem mais levar os homens que as estupraram a julgamento. O fato a abala muito. A ponto de Carla ser capaz de se levantar e realizar suas tarefas domésticas apenas em parte de seus dias. Nos outros, ela sequer sai da cama ou abre as janelas do quarto. Nem mesmo os quatro comprimidos psiquiátricos que ingere diariamente são suficientes para dar conta da rotina. Desempregada, mora no bairro de Pavuna, no Rio de Janeiro, com a mãe, a filha de 11 anos e o irmão.

O cotidiano atual de Carla não condiz com a vida que levava até meados do ano passado. Ela, que estudou até o ensino médio, trabalhava como auxiliar administrativo em uma clínica médica, frequentava reuniões familiares e era vista como uma mulher animada. Mas sempre viveu à sombra de traumas do passado. Conforme eles foram se tornando mais pesados, a doença se agravou: Carla pediu demissão e passou a ficar reclusa. Somente depois de uma tentativa de suicídio Carla conseguiu revelar à família a origem de suas angústias: durante boa parte da infância, entre 3 e 11 anos, foi estuprada pelo tio, irmão do seu pai.

Na época, ao expor a situação para os parentes, conseguiu um vídeo de confissão do abusador.

Na gravação, o homem confirma para a esposa que as acusações são verdadeiras. No entanto, Carla nunca viu o tio pagar pelos seus atos: a denúncia foi feita após a prescrição crime. No caso dela, de acordo com Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direitos da infância e da juventude, o tempo de prescrição seria 16 anos. Para ser levada a julgamento, portanto, a denúncia deveria ter sido feita até os 27 anos. O advogado confirma que, mesmo com a confissão, não é mais possível punir o abusador de acordo com a legislação brasileira. 
Aqui Notícia/Show Francisco

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