Maior frente de combate à corrupção do Brasil prendeu "intocáveis" e está ajudando a construir uma Nação na qual o crime não é tolerado
GUILHERME BELIDO
GUILHERME BELIDO

Completando seis anos dia 17 de março, a Operação Lava Jato de combate à corrupção e ao crime organizado no Brasil vem tentando demonstrar – por mais clichê que possa soar a definição –, que ninguém está acima da lei.
Sem que pudesse evitar os danos colaterais inerentes à árdua tarefa à qual está se dispondo, em alguns momentos trouxe preocupação de que houvesse prejuízo à ampla defesa e ao Estado Democrático de Direito. Noutros, foi polêmica e dividiu opiniões. Contudo, para a maioria esmagadora da sociedade, a operação vem prestando relevantes serviços ao País.
Diz-se ‘tentando’ porque vem de muito longe a relação promíscua entre o setor público e o privado, materializada por uma rede de organizações criminosas especializada em roubar o Brasil através das mais sofisticadas práticas fraudulentas.
Logo, não vai ser num piscar de olhos – em seis anos – que o nefasto modus operandi que com frequência vigorou no País sob o manto da impunidade será extinto. Evidente, não em todos os governos ou todos os períodos. Mas, quando pouco, em boa dose de uns e de outros.
Nova realidade e avanços inegáveis
Até meados da década passada ninguém imaginava, nem por devaneio, que notáveis da política, grandes empresários – em particular empreiteiros – e executivos de prestígio pudessem parar na cadeia. Afinal, estamos a falar de algo nunca visto na história do Brasil. Contudo, foram.
A Lava Jato prendeu, entre outras figuras de proa, um ex-presidente da República, ex-governadores, ministros e ex-ministros, um ex-presidente da Câmara dos Deputados e um ex-senador.
Colocou atrás das grades políticos influentes como José Dirceu e – algo impensável até que se visse com os próprios olhos – gigantes no sobrenome e no lastro econômico, como Marcelo Odebrechet e Otávio Marques de Azevedo, donos, respectivamente, da Construtora Odebrechet e da Andrade Gutierrez, junto com a cúpula que dirigia a Petrobras.
Números – Em 70 fases, a Lava Jato denunciou mais de 500 pessoas, realizou centenas de prisões, aplicou 52 sentenças, 253 condenações, cumpriu mais de mil mandados de busca e apreensão e vem recuperando bilhões de reais desviados dos cofres públicos.
Sofrendo pressões que por vezes implicam em diminuir a intensidade das operações, as investigações continuam e, possivelmente em menor escala, muita gente ainda deverá ser presa.
Num leque quase sem fim, a Lava Jato investiga crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e obstrução de justiça.
Entre o ideal e o possível
Com erros e excessos, o saldo da operação é altamente positivo. Não foi fácil partir do zero e enfrentar pressões de toda ordem para investigar o Petrolão – brutal assalto aos cofres da Petrobras – visto através da propina paga pelos empreiteiros a políticos e funcionários da estatal, resultado de superfaturamento nos contratos.
Foi necessário montar a maior frente de investigação da história do Brasil – a força-tarefa formada pela Polícia Federal, PGR, MPF e Receita – para desbaratar o gigantesco escândalo de corrupção engendrado contra a Petrobras, – que se revelou o maior esquema de propina já criado em desfavor do País.
]Entre o ideal e o possível, há considerável distância. Por outro lado, o muito que já foi feito credencia a Lava Jato a seguir em frente, corrigindo eventuais erros do passado e lutando por um Brasil melhor.
Sem que pudesse evitar os danos colaterais inerentes à árdua tarefa à qual está se dispondo, em alguns momentos trouxe preocupação de que houvesse prejuízo à ampla defesa e ao Estado Democrático de Direito. Noutros, foi polêmica e dividiu opiniões. Contudo, para a maioria esmagadora da sociedade, a operação vem prestando relevantes serviços ao País.
Diz-se ‘tentando’ porque vem de muito longe a relação promíscua entre o setor público e o privado, materializada por uma rede de organizações criminosas especializada em roubar o Brasil através das mais sofisticadas práticas fraudulentas.
Logo, não vai ser num piscar de olhos – em seis anos – que o nefasto modus operandi que com frequência vigorou no País sob o manto da impunidade será extinto. Evidente, não em todos os governos ou todos os períodos. Mas, quando pouco, em boa dose de uns e de outros.
Nova realidade e avanços inegáveis
Até meados da década passada ninguém imaginava, nem por devaneio, que notáveis da política, grandes empresários – em particular empreiteiros – e executivos de prestígio pudessem parar na cadeia. Afinal, estamos a falar de algo nunca visto na história do Brasil. Contudo, foram.
A Lava Jato prendeu, entre outras figuras de proa, um ex-presidente da República, ex-governadores, ministros e ex-ministros, um ex-presidente da Câmara dos Deputados e um ex-senador.
Colocou atrás das grades políticos influentes como José Dirceu e – algo impensável até que se visse com os próprios olhos – gigantes no sobrenome e no lastro econômico, como Marcelo Odebrechet e Otávio Marques de Azevedo, donos, respectivamente, da Construtora Odebrechet e da Andrade Gutierrez, junto com a cúpula que dirigia a Petrobras.
Números – Em 70 fases, a Lava Jato denunciou mais de 500 pessoas, realizou centenas de prisões, aplicou 52 sentenças, 253 condenações, cumpriu mais de mil mandados de busca e apreensão e vem recuperando bilhões de reais desviados dos cofres públicos.
Sofrendo pressões que por vezes implicam em diminuir a intensidade das operações, as investigações continuam e, possivelmente em menor escala, muita gente ainda deverá ser presa.
Num leque quase sem fim, a Lava Jato investiga crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e obstrução de justiça.
Entre o ideal e o possível
Com erros e excessos, o saldo da operação é altamente positivo. Não foi fácil partir do zero e enfrentar pressões de toda ordem para investigar o Petrolão – brutal assalto aos cofres da Petrobras – visto através da propina paga pelos empreiteiros a políticos e funcionários da estatal, resultado de superfaturamento nos contratos.
Foi necessário montar a maior frente de investigação da história do Brasil – a força-tarefa formada pela Polícia Federal, PGR, MPF e Receita – para desbaratar o gigantesco escândalo de corrupção engendrado contra a Petrobras, – que se revelou o maior esquema de propina já criado em desfavor do País.
]Entre o ideal e o possível, há considerável distância. Por outro lado, o muito que já foi feito credencia a Lava Jato a seguir em frente, corrigindo eventuais erros do passado e lutando por um Brasil melhor.
Fonte:Terceira Via

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