domingo, 12 de abril de 2020

Economia delivery e online em circulação

Profissionais estão se reinventando em tempos de crise econômica


Jeferson é motoboy há 13 anos e destaca os cuidados que tem no trânsito

A economia não parou. Mudou. E ela tem circulado de moto. Alimentação, remédios, roupas, cosméticos e outras necessidades têm chegado aos consumidores por meio desses profissionais autônomos e liberais sobre duas rodas. Literalmente, eles estão se tornando os donos das ruas e avenidas de Campos. Com pouca circulação de veículos maiores, como carros, caminhões e ônibus, as motocicletas estão ganhando mais espaço. Tamanho espaço, ainda assim, não tem sido suficiente para eles. O Jornal Terceira Via flagrou, motoqueiros empinando as motos, circulando na contramão, desrespeitando sinal de trânsito, entre outras irregularidades.

O barulho causado por motociclistas também incomoda quem está em reclusão social ou quarentena. Com os canos de descarga alterados, cada arranque do motor parece mais potente. “A cidade está mais silenciosa, o ar parece mais purificado. A gente, em casa, tenta relaxar na medida do possível em meio a tanta informação e preocupação com o coronavírus. Mas sempre somos surpreendidos por motoqueiros exagerados que fazem questão de chamar atenção pelo barulho que provocam. Isso muito me incomoda. Onde está a fiscalização?”, questiona o aposentado Luiz Carlos Souza Azeredo, de 71 anos, que mora em um prédio residencial no Centro.

Por meio de nota, a Prefeitura de Campos informou que a Guarda Civil Municipal tem feito fiscalizações para coibir irregularidades no trânsito.

Bom exemplo
O motoboy Jefferson da Silva, que atua no ramo há 13 anos, é um dos profissionais que percebeu o aumento da demanda de trabalho durante este período de pandemia. Ele atualmente trabalha 12h por dia e a estimativa é que receba em média R$ 800 a mais no final do mês. “O trabalho aumentou neste período de uma forma geral, principalmente os pedidos de farmácias e de serviços de bancos, porque ninguém quer sair de casa com medo do coronavírus. Hoje tudo depende da gente que é motoboy. Se os motoboys pararem, para tudo. Quero destacar que sou habilitado, tenho minha moto em dia e cumpro todas as obrigações da lei”, falou.


Rayza tem lucrado com vendas

Chocolate de Páscoa
A pandemia de coronavírus alterou os planos de muita gente em relação à Páscoa. No caso de venda de ovos de chocolates, em Campos, apesar da crise, há quem não reclame. É o caso de da psicóloga Raysa Oliveira e da gastróloga Yasmim Fonseca. Elas fabricam artesanalmente ovos recheados em suas residências. O uso das redes sociais é fundamental para promover e vender seus produtos.

De acordo com Raysa, as encomendas este ano foram maiores que no ano passado. A entrega dos produtos nos domicílios é feita por meio de uma taxa incluída na venda dos chocolates.

“Fomos surpreendidas com o número de pedidos graças às redes sociais. Eu trabalho com minha mãe que tem a conta Meri Doces e Artes no Instagram e no Facebook. Por causa das redes, os compartilhamentos chegam às pessoas que acabam nos procurando. A dificuldade este ano é encontrar produtos para embalagens em papelarias, por causa do comércio fechado em tempos de quarentena. Só vendemos por encomendas”, diz Raysa.


Yasmim faz ovos para vender

Yasmim Fonseca, proprietária da Sweet Sugar, também teve dificuldade de achar produtos, apesar de ter se planejado desde dezembro. Ela fabrica mais de 300 ovos por ano. Por causa do coronavírus, decidiu reduzir a produção para 100 unidades. Apesar da quarentena, conseguiu bater a meta e todos os ovos foram vendidos. As redes sociais também ajudam a divulgar seus produtos.

“Meus produtos são totalmente artesanais, com chocolate nobre e de qualidade. Informo nas embalagens o valor nutricional. Acho que consigo ter uma margem de lucro boa com preço justo. Não cobro pela entrega. Eu e meu irmão nos responsabilizamos por isto, a fim de proteger os produtos com temperatura adequada”, diz.

Comércio de roupas
A empresária Vanessa Findlay, que trabalha com vendas há 15 anos, está com a loja fechada há cerca de 20 dias. Mas, em tempos de crise, ela se reinventou: vende pelas redes sociais e faz as entregas aos seus clientes. “O que estamos vendendo não chega perto do que a gente vende com a loja aberta, mas já ajuda muito. Vivemos do comércio e não podemos parar totalmente. Essa foi uma forma que encontrei e que está sendo eficaz. Mando várias fotos para as clientes e escolho uma cliente por semana para deixar uma mala com os produtos para elas verem. Faço entregas todos os dias, inclusive aos domingos, de acordo com a demanda. Também estou dando descontos na coleção nova, fazendo entregas grátis e oferecendo vale-compras. Isso tudo que está acontecendo é muito novo pra mim e para todos, mas acredito que o que devemos fazer é nos reinventar e continuar”.

Massas delivery
O casal empreendedor Bruno Macedo, de 35 anos, e a mulher Isabela Pimentel, começou um negócio em 2018, em Campos. Eles fabricam massas com fermentação natural. Pães e pizzas são os carros-chefe da microempresa que sempre apostou no sistema delivery ou taking way, quando o cliente vai até o local retirar o produto comprado. Porém, em tempos de coronavírus, o casal viu o movimento aumentar. “Com isso, estamos nos consolidando ainda mais no mercado. Como sempre apostamos nesse meio de trabalho, não precisamos nos adaptar. A rotina do cliente, no entanto, mudou. Sem sair de casa para se alimentar, já que os restaurantes estão fechados, têm que fazer pedidos. Por isso, sempre lembram da gente. Não sei ao certo quanto aumentou nosso trabalho, mas estamos produzindo, sim, muito mais”, garantiu.

Daniel sentiu também um efeito negativo em seu negócio. Por trabalhar com farinha italiana, está tendo que comprar o produto de outra empresa, já que a importação do material está dificultada. “Soube que os contêineres vindos da Europa estão travados em Portos do Brasil, por isso não tem conseguido chegar”, conta.


Jeferson fala sobre educação à distância

Das salas de aula para educação online
A revolução tecnológica aconteceu há tempos, mas educação não acompanhou essas mudanças. O modelo vigente ainda é aquele tradicional, pautado em aulas expositivas nas mesmas salas de aulas do passado. Não à toa, diante da crise do coronavírus e da necessidade do isolamento social, esse talvez seja o setor que mais encontra dificuldades de adaptação.

No momento, a prioridade tem sido cumprir o calendário letivo. Nesse sentido, instituições que já investiam na chamada “Educação à Distância” saíram na frente. É o caso da Universidade Candido Mendes que possui o Núcleo de Soluções Educacionais, responsável por pensar o ensino a partir da inserção da tecnologia, e colhe agora os frutos dessa atitude inovadora. Mas o diretor do núcleo e especialista na área, Jeferson Pandolfo, pontua que há diferenças entre o sistema de EAD, que preza pela autonomia do aluno, e a aprendizagem remota emergencial. “O que muitas instituições têm feito nesse momento é manter o modelo tradicional de ensino por meio de ferramentas tecnológicas”, explicou.

No colégio Alpha, por exemplo, foi implantado um esquema de aulas não presenciais, em horário regular, e a interação entre professor e aluno acontece por meio de um ambiente virtual. O YouTube e o WhatsApp também tornaram-se aliados. De acordo com a diretora pedagógica, Ana Beatriz Machado Alves, a escola está procurando “da melhor forma possível, seguir com os estudos dos alunos dentro desse novo modelo”.

Na rede pública de ensino de Campos, as aulas estão suspensas até o dia 30 de abril e ferramentas para repor o tempo perdido ainda estão sendo estudadas, considerando que os estudantes, em sua maioria, não possui computador em casa.

Quanto à rede estadual, desde o dia 30 de março foi firmado um convênio com o Google a fim de que as atividades sejam mantidas por meio da plataforma Classroom. Ainda de acordo com o Governo do Rio, os alunos que não tiverem acesso à internet receberão o material impresso em suas casas e, após o retorno das atividades presenciais, poderão ter aulas de reforço. O método de avaliação e provas bimestrais dependerá do período de interrupção das atividades presenciais.

Já escolas da rede pública estadual com cursos técnicos, de formação de professores e ensino cívico-militar, as disciplinas práticas serão aplicadas somente após a normalização das aulas presenciais.
Fonte:Terceira Via


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