domingo, 24 de janeiro de 2021

Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia comemora seu centenário

 Entidade médica, dona de vasta memória, foi uma das primeiras a ser criada no Estado do Rio de Janeiro 

POR BERNARDO RUST (ESTAGIÁRIO)

Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC) completa neste mês de janeiro 100 anos de fundação. Com influência significativa na sociedade campista, a SFMC faz parte também da história de Campos, já que, por diversas vezes, seus presidentes foram escolhidos também prefeitos da cidade, mesmo não sendo médicos.

Segundo a diretora da SFMC, Vanda Terezinha, a sociedade surgiu após um grupo de médicos perceber que era preciso se reunir, para conversar, debater casos clínicos, entre outras situações. “As reuniões aconteciam sempre no auditório da Santa Casa de Misericórdia ou na casa de um deles. E daí surgiu a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia. Em 1924, a entidade foi reconhecida pela Câmara Federal como Sociedade de Utilidade Pública”, contou Vanda.

Percebendo que o grupo só aumentava e que a demanda da população também era grande, os médicos decidiram, então, com recursos próprios, construir um hospital para atender gratuitamente as pessoas.

“Eles se juntaram para construir um complexo hospitalar para atender à população. Cinco anos depois, em 1926, foi inaugurado o primeiro prédio, a Policlínica Admardo Tavares. Mais tarde, em 1934, foi fundada a Maternidade Zina Duarte. E em 1941, o sonho dos médicos que pertenciam à sociedade se concretizou. Foi construído naquele ano o Hospital Infantil de Campos, atendendo, assim, todas as pessoas da cidade”, afirmou Vanda.

Os anos se passaram e os médicos que iam se associando à instituição foram percebendo que era preciso que a SMFC conseguisse caminhar com as próprias pernas.

“Eles entenderam que era preciso fazer com que a sociedade caminhasse sem doações. Então, em 1961, quarenta anos depois dela ter sido fundada, foi criada a Fundação Benedito Pereira Nunes, que tem como objetivo principal até hoje angariar recursos para a sociedade. Uma das filhas da Fundação e também da Sociedade é a Faculdade de Medicina de Campos, que atualmente é renomada e reconhecida internacionalmente, sendo a preferência de muitos estudantes de todo o país que buscam um ensino de qualidade”, comentou.

Durante os primeiros anos da sociedade, muitos dos seus presidentes também foram eleitos prefeitos de Campos, tamanha a importância que era a participação da SFMC. Em boletins da medicina, também é possível acompanhar a história de várias doenças no município, além de outras partes da história local, como a grande enchente de 1966. Hoje, a sociedade continua tendo um papel de destaque, principalmente para os médicos.

“Antes da pandemia, os médicos se reuniam aqui, uma vez na semana, para conversar e debater casos clínicos. Além disso, promovemos alguns encontros e congressos, onde recebemos profissionais de todo o Brasil e até mesmo de outros países para palestras e debates, que acrescentam bastante. Também promovemos eventos culturais. Já fizemos, por exemplo, o Dia do Samba, no centenário do ritmo, com a presença da cantora Lene Moraes. Ela preparou uma homenagem para os sambistas da planície e fez seu show, no Teatro Trianon, apenas com músicas compostas por artistas locais, como Wilson Baptista, Roberto Ribeiro, Geraldo Gamboa, entre outros”, comentou Vanda Terezinha.

Com pandemia, um centenário virtual Para o centenário, a programação que seria realizada pela SFMC teve de ser adiada por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Estávamos preparando uma grande homenagem pelos 100 anos da instituição. Porém, por conta da pandemia, fomos obrigados a adiar tudo. Então, para comemorarmos o nosso centenário, vamos realizar uma missa neste domingo (24), no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, para marcar a data. Além disso, na última sexta-feira (22), tivemos o lançamento oficial do nosso livro de 10 anos, que conta a história da sociedade, além de todos os seus presidentes, boletins e outras informações importantes sobre a Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia”.

Em um século, muitas histórias foram escritas dentro da sociedade. Uma narrativa que faz parte do município de Campos e que é desconhecida por muitos. “São cem anos prestando serviços à sociedade campista. Aqui guardamos um pedacinho da história local e tenho orgulho de dizer que a SFMC faz parte da história campista. Uma pena não podermos comemorar com um grande evento.
Fonte Terceira Via

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