
CAMPANHA DE VACINAÇÃO Foto: Guito Moreto / Agência O Globo/Rodrigo de Souza
A prefeitura do Rio considera pedir uma maior parcela das futuras remessas de vacina contra a Covid-19 que chegarem ao estado, disse ao GLOBO o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, na manhã desta sexta-feira (12). A medida é uma tentativa de compensar as 42 mil doses aplicadas no Rio a pessoas vindas de outros municípios, conforme apontam os dados da prefeitura. Segundo o secretário, a procura de habitantes de outras cidades pela vacina foi uma das razões da suspensão do calendário de imunização do Rio, divulgada na noite desta quinta-feira (11) pelo prefeito Eduardo Paes. Quando a campanha for retomada, o município poderá também antecipar a data de vacinação de alguns grupos para reparar o atraso desta semana, disse ainda Soranz.
— Notamos um aumento muito grande de pessoas vacinadas por grupo. Não conseguíamos entender muito bem o porquê desse aumento, mas todas as pessoas estavam dentro da faixa etária adequada. Agora, com a análise dos dados, percebemos que o Rio já vacinou 42 mil pessoas de outros municípios. No Sistema Único de Saúde (SUS), é um direito das pessoas se vacinarem. É um sistema único, público e universal, a gente não deve diferenciar quem deve se vacinar ou não pelo local de moradia da pessoa. Mas é necessário se colocar isso no planejamento.
Segundo Soranz, a medida ainda será discutida com o governo do estado e as prefeituras de outros municípios. Uma outra possibilidade, segundo ele, é a criação de um calendário estadual unificado:
— A gente vai discutir com a Secretaria de Estado (de Saúde) e com os outros municípios da região se a gente compensa essa migração com um aporte maior de doses ou se a gente tenta fazer um calendário único para que as pessoas não tenham de se deslocar de seu município de residência.
O secretário afirma que o Rio "sempre considerou" a demanda gerada por visitantes de outros municípios, mas que o volume dessa demanda foi uma surpresa.
— Sempre consideramos, isso naturalmente acontece. Mas não no volume que aconteceu. Foram mais de 5 mil pessoas de Caxias, 4 mil pessoas de Nova Iguaçu, 3 mil pessoas de Niterói... Não esperávamos.
Poucas doses
De acordo com o secretário, um déficit no repasse previsto das doses foi o outro motivo da suspensão:
— Tínhamos a previsão de receber muito mais doses no início de março, principalmente de AstraZeneca. Não recebemos essas doses. E o Ministério replanejou o envio de doses da CoronaVac para os municípios para uma vez por semana, diferentemente do calendário inicial apresentado pelo Instituto Butantan. Com essa redução de novas doses, ficamos muito no limite para manter o calendário de vacinação.
Soranz não deu previsão para a retomada da vacinação, que foi interrompida na faixa das pessoas com 76 anos ou mais. Ele informou, no entanto, que há a expectativa de que o Rio receba do Ministério da Saúde novas doses de vacinas no início da semana que vem — mas não soube estimar a quantidade.
— Damos conta da demanda, o problema é a falta de vacina. Esperamos receber mais doses do Ministério da Saúde, e esperamos que o ministério comece a aumentar o seu aporte de doses, como estava planejado inicialmente, para que a gente possa avançar no calendário, talvez até antecipar alguns dias para compensar o atraso desta semana — afirma.
Segundo o secretário, apesar do hiato na campanha de vacinação, está mantida a meta da prefeitura de vacinar todas as pessoas com 67 anos ou mais ainda no mês de março.
— O Rio de Janeiro é uma das cidades do Brasil que estão mais adiantadas no processo de vacinação. Por isso estamos sempre no limite da falta de doses. Acreditamos que, o quanto antes aplicarmos as doses, mais vidas conseguimos salvar.
Soranz frisou ainda que todas as doses reservadas à segunda aplicação daqueles que já receberam a primeira estão garantidas.
Fonte Extra


Nenhum comentário:
Postar um comentário