Principal mudança é a ampliação do horário de funcionamento de diversas atividades comerciais

A Prefeitura de Campos decidiu manter o Município na Fase Vermelha do plano de retomada das atividades econômicas e sociais pela próxima semana, mas flexibilizou parte das medidas sanitárias que vinha impondo no combate à pandemia do novo coronavírus. Entre as principais mudanças estão a ampliação do funcionamento do comércio e a redução da idade de crianças sujeitas à proibição de frequentar locais locais sujeitos a trânsito frequente de pessoas, como estabelecimentos comerciais, estabelecimentos bancários e templos.
Supermercados e similares, padarias, bares e restaurantes passam a poder funcionar até as 22h. Adicionalmente, bares e restaurantes poderão abrir aos fins de semana e oferecer self-service com buffet, desde que haja um empregado do estabelecimento servindo.
Lojas de materiais de construção e de produtos agropecuários estão autorizadas a funcionar de 7h às 17h. Demais atividades comerciais estão liberadas das 9h às 17h. Lojas de conveniência instaladas em postos de combustíveis passam a poder funcionar, mas shows, jogos ou eventos de qualquer natureza continuam proibidos.
A idade mínima para que crianças possam acessar esses espaços passa a ser 6 anos.
As novas medidas constam de decreto publicado em suplemento ao Diário Oficial do Município desta sexta-feira e permanecem em vigor da 0h da próxima segunda-feira (26) até o dia 10 de maio.
O Gabinete de crise volta a se reunir no dia 7 de maio para reavaliar as medidas contra a pandemia do novo coronavírus.
Alto risco
O subsecretário Paulo Hirano conduziu a reunião do Gabinete de Crise nesta sexta-feira, que contou com a participação de equipes técnicas da Prefeitura, dos promotores públicos Marcelo Lessa e Maristela Naurath, do defensor público Lúcio Campinho, de representantes do setor produtivo, vereadores e outros membros da sociedade civil. O subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Epidemiológica, Charbel Kury, detalhou os indicadores que posicionam Campos em quadro de recuo de muito risco para alto risco, mas mantendo a fase vermelha.
“Todo esforço que o prefeito Wladimir Garotinho tem feito, ouvindo a ciência e as equipes técnicas, lutando por novos leitos, adotando medidas restritivas quando necessárias, está gerando resultados, principalmente com a participação da sociedade civil, que deve continuar respeitando ítens como o distanciamento social, uso de máscara, álcool gel”, assinalou Hirano.
Citando o quadro de avaliação da Covid no Estado, Charbel observou que, em 26 de março, Campos estava em área de alto risco e em abril foi para área de muito risco. Na semana passada, Campos retornou à zona de alto risco, graças às medidas de restrição de contato, à vacinação acelerada e o aumento da sensibilidade da vigilância, “revisando todo os casos, procurando até aqueles não são visíveis”.
Charbel explicou que Campos implementou um critério mais severo do que o aplicado pelo Estado, o indicador de leito de espera, usado para os cálculos de risco, o que faz com que os parâmetros municipais sejam mais rigorosos. A combinação de número de casos, de óbitos, taxa de ocupação dos leitos e fila de espera, diz o epidemiologista, desenhou uma matriz de platô, com projeção de descida lenta nas próximas semanas, com forte presença da P1, com pacientes jovens e alta mortalidade, apontando para ações essenciais como o distanciamento social e a vacinação.
Em relação às variantes, Charbel cita que Campos irá realizar estudo genômico das cepas existentes apenas no município, em convênio com a UFRJ, mas apresentou dados mapeados entre os dias 24 e 28 de março de 2021 pelo Estado. O monitoramento relatou que os municípios do Norte Fluminense têm 94,44% de prevalência da variante P1. “Nesta cepa, as mutações existentes contribuem para o agravamento da infecção: a mutação E484k trabalha para fugir do sistema imune, com os anticorpos naturais não reagindo bem ao vírus, o que reforça a necessidade de vacinar quem já foi infectado, enquanto a mutação N501Y, que aumenta de 1,5 vez a 2,5 vezes a taxa de contágio do vírus e a transmissão”, disse Charbel.
O secretário de Saúde, Adelsir Barreto, destacou que apesar do novo cenário epidemiológico sinalizar para a flexibilização de medidas restritivas, a população deve seguir alerta ao cumprimento dos protocolos sanitários: “O vírus é uma arma e o descuido é quem aperta o gatilho, por isso, é importante estarmos conscientes e todos procurarem fazer cada um a sua parte”.
“Em Campos, com todas as medidas associadas, no momento em que houve a restrição de circulação maior das pessoas, com fechamento do comércio, foi uma necessidade imperativa, de reduzir a transmissão. O esforço é múltiplo, vem de todas as esferas para que possamos dar assistência adequada. Houve aumento significativo de número de leitos clínicos e de UTI, em esforço incrível, porque demanda medicamentos, profissionais, equipamentos. Todas medidas, todas decisões, são embasadas em dados corroborados pela ciência”, concluiu o subsecretário Paulo Hirano.
Fonte Terceira Via


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