quarta-feira, 28 de abril de 2021

Tiroteios no Rio atingem 18 pessoas; nove delas morreram

Confrontos entre traficantes e policiais ocorreram em diferentes pontos da capital fluminense

Comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro (Foto: Agência Brasil)

Um vigilante, um marceneiro e uma caixa de supermercado estão entre os 18 baleados na terça-feira (27) nas trocas de tiros entre PMs e traficantes em diferentes pontos do Rio. O vigilante e o marceneiro morreram. Já a caixa de supermercado Bruna Barros Viana, de 39 anos, foi atingida no pescoço, mas sobreviveu. Os confrontos deixaram 9 mortos – seis criminosos, segundo a polícia – e aconteceram no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido, no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e no Morro da Providência, na região central.

Também houve confrontos em outras duas comunidades: Mangueira e Lins, ambas na Zona Norte. Por causa dos conflitos, três postos de saúde nas regiões fecharam as portas e suspenderam a vacinação contra a Covid.

Um dos tiros acertou o vigilante Denis Francisco Lima Paes, de 46 anos, no Morro dos Prazeres. Ele foi ferido na perna e chegou a ser levado com vida para o hospital, mas não resistiu. O vigilante estava voltando para casa para reencontrar a mulher e cinco filhos depois de um dia de trabalho.

A outra vítima é o marceneiro Gemerson Patricio de Souza. Numa rede social, moradores de Tomás Coelho contaram que ele morava em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e trabalhava numa firma no bairro. Testemunhas disseram que Gemerson estava descendo a passarela perto do Morro do Juramento para chegar ao trabalho quando foi atingido.

Já Bruna foi atingida no pescoço por uma bala perdida dentro da van que passava pela Rua Barão de Petrópolis, perto do Morro dos Prazeres. Ela foi levada para o Hospital Souza Aguiar, no Centro, e, segundo a sua irmã, não sente o corpo do pescoço para baixo.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os baleados foram levados para unidades de saúde do Rio. Só no Souza Aguiar foram 9 baleados – sendo que 4 já chegaram mortos ao hospital. Os outros 5, entre eles Bruna, têm quadro estável.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro pediu explicações sobre as ações.

“É muito preocupante, a gente observa que a decisão do Supremo de suspensão das operações policiais, inicialmente, teve um impacto muito significativo na redução de tiroteios, de mortes pelas polícias e de policiais feridos, ela vem, a partir de outubro do ano passado vem sendo interpretado de forma errada”, disse o defensor Daniel Lozoya.

“O indicativo disso é o aumento das operações e das mortes. Tanto que esse ano nós voltamos ao patamar anterior da decisão, uma média de mais de 5 pessoas mortas por dia somente pela polícia do Rio de Janeiro”, destacou.

A Polícia Militar disse que os ataques foram de traficantes e não havia operações nas comunidades, mas moradores contestam essa informação. Dizem, por exemplo, que no Morro dos Prazeres, os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) estavam escondidos na casa de um homem, de tocaia, esperando os traficantes passarem.

Segundo a Polícia Militar, a troca de tiros começou após traficantes atacaram agentes da corporação. O chefe do tráfico do morro, conhecido por ‘Marcelinho dos Prazeres’, e outro traficante, identificado apenas como Gabriel GB, morreram.

A caixa de supermercado foi atingida no pescoço. Outros três homens também foram baleados e levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Ao menos um deles era traficante, mas não há informações sobre a identidade e o estado de saúde dele e dos demais. Os agentes da polícia apreenderam um fuzil, uma pistola, carregadores e drogas.

No Juramento, a troca de tiros entre policiais e traficantes deixou quatro suspeitos baleados. Eles foram socorridos ao Hospital Municipal Salgado Filho. Numa rede social, moradores contaram que um dos mortos no tiroteio era Gemerson, que mora em Caxias e trabalhava numa empresa na Rua Arcádia.

Segundo a PM, o tiroteio começou após uma equipe flagrar traficantes atravessando a passarela que liga o Juramento ao Juramentinho, na Avenida Pastor Martin Luther King Jr, em Tomás Coelho. Policiais do 41º BPM (Irajá) apreenderam um fuzil, uma pistola e uma granada. Por causa do tiroteio, a Clínica da Família Herbert de Souza, em Tomás Coelho, foi fechada. A vacinação contra a Covid foi suspensa.

Na Providência, segundo a PM, equipes da UPP da Providência e da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) estavam em policiamento na comunidade quando foram atacados. Uma pessoa morreu. A PM disse que um criminoso foragido da Justiça, conhecido como Fernandinho da PV, ficou ferido no confronto e levado para o Hospital Souza Aguiar.

A Clínica da Família Nelio de Oliveira, na Gamboa, e o Centro Municipal de Saúde do Santo Cristo também fecharam as portas e suspenderam a vacinação contra a Covid, por segurança.

Na Mangueira, moradores afirmaram em redes sociais que acordaram ao som de tiros. De acordo com os relatos, os disparos começaram por volta das 5h. A Polícia Militar afirmou que policiais da UPP foram atacados a tiros, perto da base da unidade, e reagiram. Um PM ficou ferido e foi levado para o Hospital Souza Aguiar.

A Polícia Militar informou que agentes faziam o patrulhamento no acesso de uma localidade conhecida como Gambá quando foram atacados por criminosos e revidaram. Não há registro de feridos, prisões ou apreensões.

Há dez meses as operações em favelas do Rio estão proibidas pelo Supremo Tribunal Federal, por causa da pandemia. A decisão só autoriza ações em hipóteses excepcionais. E nesses casos, ainda é preciso justificar, por escrito, ao Ministério Público do estado, em até 24 horas. Mas, de acordo com um levantamento do MP, desde o início dessa restrição foram registradas 500 operações em comunidades do estado.
Fonte: Portal G1/Show Francisco

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