
Vacinação contra a Covid-19: UFRJ desenvolve um imunizante Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pediu autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realizar estudos clínicos das fases 1 e 2 de sua vacina contra a Covid-19, chamada de S-UFRJvac. Os documentos estimam a participação de 1.020 voluntários na primeira rodada. Não foram enviados ao órgão, porém, os detalhes específicos sobre como serão realizados os testes, seu tipo de análise, se haverá grupo placebo, a posologia do imunizante e o centro coordenador dos estudos.A vacina começou a ser desenvolvida em 2020. Em março desse ano, os pesquisadores passaram a fazer todo o desenvolvimento novamente, para obter o IFA referente a diversas variantes do coronavírus, como a Gama, que hoje é a dominante no Brasil, e a Delta, que é a cepa mais transmissível já tem transmissão comunitária nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em texto publicado no site da Coppe-UFRJ, a professora Leda Castilho, que coordena o desenvolvimento do imunizante, explicou: “Os estudos em animais já finalizados, feitos com as versões do IFA do vírus original e da variante Gama, mostraram uma grande capacidade de induzir a formação de anticorpos. Quando comparamos os níveis de anticorpos neutralizantes obtidos nos animais, estes foram superiores aos níveis encontrados em 90% dos soros de 20 indivíduos que tiveram Covid e também a todos os soros de 13 indivíduos vacinados que testamos”, relata a professora, que coordena o Lecc.
A vacina está na fase chamada de protótipo. Já se sabe, neste primeiro momento, que a tecnologia usada pelos desenvolvedores é a de proteína recombinante. Trata-se do uso da proteína S — de spike — do vírus produzida em laboratório, o que permite a redução de efeitos colaterais da vacina. Para poder despertar o sistema imune, porém, é preciso administrar uma segunda substância adjuvante.
Em nota, a Anvisa informou que já vinha realizando reuniões com os pesquisadores da UFRJ desde 2020. O encontro mais recente ocorreu há um mês e meio, quando os técnicos apresentaram a estratégia de desenvolvimento dos estudos em laboratórios e em animais.
— Um pedido de autorização de estudo é dividido em duas partes. A primeira é como se fosse o tronco de uma árvore, onde você conta a história da vacina, sua tecnologia e apresenta o plano de desenvolvimento — explica Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa.
Depois desse tronco, que é o que a UFRJ apresentou à Anvisa na última sexta-feira, imediatamente é esperado que sejam enviados os galhos, que são os tipos de estudo, quais serão os centros de pesquisa e se haverá placebo.
Nesse raciocínio, o que falta para o estudo — e é parte fundamental para a aprovação por parte da Anvisa — são os detalhes específicos do ensaio clínico. Que, em resumo, vão explicar como o desenvolvedor planeja chegar aos resultados das duas primeiras fases, normalmente dedicadas a analisar a segurança e a produção de anticorpos do imunizante. Não há prazo conhecido, porém, para que essas informações sejam entregues.
Fonte Extra


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