Ginecologista fala sobre a importância de discutir o tema e cuidar da saúde íntima
POR LETÍCIA NUNES
Após o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para a distribuição gratuita de absorventes íntimos, o tema ‘pobreza menstrual’ tem ganhado cada vez mais espaço nas redes sociais e fora delas. A decisão do chefe de estado traz à tona o debate sobre a necessidade de acolher as mulheres em situação de vulnerabilidade extrema e ainda mostra a dificuldade de criação de políticas governamentais que atendam este público. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) revelam que 25% das adolescentes brasileiras com idades entre 12 e 19 anos já deixaram de estudar por não terem acesso a absorventes. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) classifica como pobreza menstrual a realidade de meninas e mulheres que não têm acesso a recursos para conseguir cuidar da menstruação. A entidade também aponta que, no mundo, mais de 60% deste público não tem acesso a meios para conter o fluxo, muito menos conhecimento sobre o assunto.
A ginecologista Dra. Sumara Valinho indica que este é um momento necessário que acende o alerta para divulgação do tema. “É preciso entrar na intimidade e conversar. Sabemos que muitas conseguem ter acesso ao especialista, mas em outros lugares essa não é a realidade. Muitas mulheres que não conhecem o próprio ciclo menstrual e também não têm como manter a higiene adequada neste período. Imagine uma menina sem condições de comprar absorventes? Imagine passar dias menstruada, sujando a calcinha e sem roupas? Nós precisamos estar no lugar do outro. Existem cidades brasileiras que já adotaram a iniciativa de doar absorventes para estas mulheres. E nós precisamos abraçar essa campanha, juntas”, frisa.
Na literatura médica, meninas de 9 anos até mulheres de 55 anos podem menstruar. A especialista esclarece que trata-se de um grupo vasto de pessoas que precisa não só de conhecimento, mas também de apoio em todos os sentidos, afinal o ciclo menstrual acontece mensalmente, gerando o fluxo de sangue. “É preciso entender que a menstruação é algo que acontece com praticamente todas as mulheres, exceto as que estão na menopausa e aquelas que, por orientação médica, decidiram não menstruar e utilizam medicamentos próprios. Mas, ela precisa estar protegida, para que não fique em uma situação desconfortável. Temos que aprender a encarar o tema de uma forma diferente e parar de rotular. É algo natural, nobre e fisiológico. Graças a este ciclo, a mulher é capaz de gerar um ser dentro do ventre”, destaca Dra. Sumara.

Dra. Sumara Valinho (Foto: Divulgação)
Absorventes e suas variações
Será que existe apenas um tipo de absorvente? Quais outras opções o mercado oferece? Quanto mais informação a sociedade receber, melhores serão as escolhas. Quando o assunto é menstruação, tudo isso vale. A médica explica que, atualmente, existem outras formas de as mulheres se sentirem confortáveis no período menstrual.
“Porque o incômodo de sujar e às vezes o odor ou até a questão de não estar preparada são pontos importantes e que devem ser analisados. Sabemos que ainda há muito tabu em torno do assunto, mas já passou da hora de falar sobre isso. Existem os absorventes externos, que são colados na calcinha e podem ser com ou sem abas, de superfície seca ou suave. O primeiro apresenta um material mais poroso, que eu não indico muito, pois pode causar alergia. O segundo tem cobertura de algodão e tende a irritar menos a região. Existe o protetor diário, que é menor, e que apesar do nome, não é recomendável usar todos os dias, porque abafa a vagina da mulher. Geralmente, oriento usar no início em que o fluxo é reduzido ou no final do período. Outra opção é o absorvente interno, que é introduzido na vagina e oferece mais liberdade às mulheres. Existe o coletor menstrual, que é algo ecologicamente correto e não polui o ambiente. É como se fosse um copinho. Você usa, faz a higiene, lava e reutiliza. Alguns fabricantes dão validade de até 10 anos. E, por fim, temos as calcinhas absorventes com vários tamanhos e modelos. O objetivo é ficar protegida, confortável e não deixar vazar, porque o absorvente vai reter aquele sangue”, detalha a ginecologista.
Diálogo aberto
Quando a mulher tem acesso aos serviços de saúde, a recomendação, segundo Dra. Sumara, é levar as meninas a partir da primeira menstruação a uma consulta com um especialista. “É o momento da orientação. Porque é muito comum ter cólicas menstruais. E ainda surgem dúvidas sobre a questão da higiene íntima, depilação e também em relação à proteção. É necessário trocar o absorvente durante o dia, para evitar o odor, o acúmulo e o transbordamento. O absorvente não consegue suportar. Nestes casos em que a mulher não tem acesso, a divulgação de informações é fundamental, até para o surgimento de mais iniciativas de apoio”, avalia Dra. Sumara.
Absorventes e suas variações
Será que existe apenas um tipo de absorvente? Quais outras opções o mercado oferece? Quanto mais informação a sociedade receber, melhores serão as escolhas. Quando o assunto é menstruação, tudo isso vale. A médica explica que, atualmente, existem outras formas de as mulheres se sentirem confortáveis no período menstrual.
“Porque o incômodo de sujar e às vezes o odor ou até a questão de não estar preparada são pontos importantes e que devem ser analisados. Sabemos que ainda há muito tabu em torno do assunto, mas já passou da hora de falar sobre isso. Existem os absorventes externos, que são colados na calcinha e podem ser com ou sem abas, de superfície seca ou suave. O primeiro apresenta um material mais poroso, que eu não indico muito, pois pode causar alergia. O segundo tem cobertura de algodão e tende a irritar menos a região. Existe o protetor diário, que é menor, e que apesar do nome, não é recomendável usar todos os dias, porque abafa a vagina da mulher. Geralmente, oriento usar no início em que o fluxo é reduzido ou no final do período. Outra opção é o absorvente interno, que é introduzido na vagina e oferece mais liberdade às mulheres. Existe o coletor menstrual, que é algo ecologicamente correto e não polui o ambiente. É como se fosse um copinho. Você usa, faz a higiene, lava e reutiliza. Alguns fabricantes dão validade de até 10 anos. E, por fim, temos as calcinhas absorventes com vários tamanhos e modelos. O objetivo é ficar protegida, confortável e não deixar vazar, porque o absorvente vai reter aquele sangue”, detalha a ginecologista.
Diálogo aberto
Quando a mulher tem acesso aos serviços de saúde, a recomendação, segundo Dra. Sumara, é levar as meninas a partir da primeira menstruação a uma consulta com um especialista. “É o momento da orientação. Porque é muito comum ter cólicas menstruais. E ainda surgem dúvidas sobre a questão da higiene íntima, depilação e também em relação à proteção. É necessário trocar o absorvente durante o dia, para evitar o odor, o acúmulo e o transbordamento. O absorvente não consegue suportar. Nestes casos em que a mulher não tem acesso, a divulgação de informações é fundamental, até para o surgimento de mais iniciativas de apoio”, avalia Dra. Sumara.
Fonte: Terceira Via
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