domingo, 21 de novembro de 2021

Estradas que foram para o buraco

Em Campos, queixas não faltam entre motoristas; na zona rural de Travessão, todo cuidado é pouco

POR OCINEI TRINDADE
Atenção em dobro| Motoristas e moradores da região relatam prejuízos ao transitar pela estrada que liga Travessão a Guarus (Foto: Silvana Rust)

A deterioração do asfalto em ruas de Campos dos Goytacazes é de fácil constatação. Não é preciso ir muito longe. Os buracos estão espalhados por toda parte. Em estradas vicinais do município, o problema se repete. Reclamações de motoristas só aumentaram nos últimos meses, sobretudo entre profissionais do transporte público, por gastos com manutenção de veículos. As estradas que cortam diversas localidades rurais no distrito de Travessão, por exemplo, estão em péssimo estado. A Prefeitura de Campos diz que pretende recuperar as vias.
Comerciante | Thiago Domingues tem dificuldades para entregar produtos

O comerciante Thiago Domingues possui uma loja de material de construção em Travessão, onde mora. Boa parte de sua clientela mora na zona rural. Três caminhões são utilizados para entrega dos produtos. Segundo ele, o gasto com manutenção dos veículos só aumentou nos últimos tempos por causa da quantidade de buracos espalhados pelas estradas da região.

“Às vezes, temos muitas dificuldades para fazer entregas, pois o caminhão precisa de reparos e manutenção constantes. São muitos prejuízos para as pessoas que moram ou trabalham na região. A cada 100 ou 200 metros, há buracos horríveis. Tem que reduzir muito a velocidade e há uma sucessão de atrasos. Está bem ruim. Para mim, não há pior trecho. Todo o circuito está em péssimo estado”, diz Thiago.

Na região do distrito de Travessão há cerca de 50 quilômetros de estradas vicinais. Na principal delas, a Estrada de Brejo Grande, há alguns trechos sem asfalto algum. Os buracos estão nos acessos às localidades rurais de Balança Rangel, Caxias, Paraíso, Santa Ana, Matutu, Rio do Colégio, Cajueiro, KM 13. Há ainda buracos no caminho das localidades de Campelo e Jacarandá.
Motorista de van | Henrique Soares

Transporte público e prejuízos
Com 28 anos de profissão, motorista de van, Henrique Soares, atua na região de Travessão. A cada viagem do Centro às localidades do distrito, percorre 56 quilômetros. Ao longo do dia, são 330 quilômetros cumpridos. Por causa dos buracos, o tempo para fazer o percurso quase dobra, segundo ele.

“A estrada não existe faz tempo. São muitos buracos. A situação faz com que a viagem demore quase o dobro. Eu poderia fazer em até 70 minutos o percurso, mas cada trajeto leva quase duas horas. O custo de manutenção é grande. Eu tenho impressão de que troco seis por meia-dúzia, pois não vejo lucro. Faço a mesma quilometragem das vans que saem do Centro para o distrito de Vila Nova. Neste trecho a passagem é de R$6. No meu caso custa R$2,75”, queixa-se.
Presidente Cootran | Bruno Santana

Bruno Santana é presidente da Campos Cootran, cooperativa que reúne 72 vans. Parte da frota circula pelas localidades de Travessão. “As estradas estão muito ruins. Há um alto custo de manutenção dos veículos. Está quase inviável continuar operando com as vans. Os prejuízos são grandes. O valor da passagem está defasado. O preço dos combustíveis só aumenta. A tarifa ideal seria entre R$3,50 a R$4,50, mas atualmente é de R$2,75””, comenta.

Projetos de recuperação
Em agosto, o governador Cláudio Castro (PL) anunciou a liberação de R$300 milhões para a Prefeitura de Campos. A verba foi indicada para reforma do Hospital Geral de Guarus (HGG), um novo Restaurante Popular, recuperação das rodovias RJ-204 (Vila Nova-São Joaquim) e RJ-230 (Campos-Bom Jesus do Itabapoana) e estruturação de bairros. Desde então, as obras não começaram. Na ocasião, o prefeito Wladimir Garotinho afirmou que o município precisa recuperar 100 quilômetros de estradas municipais. “Queremos priorizar Farol-Barra do Furado; Farol-Porto do Açu; em Travessão que liga a BR-101 à BR-356; Estrada do Donato e de Sentinela, no Imbé; além de outras 20 estradas”, disse.

O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte se manifestou sobre a situação atual das estradas esburacadas de Campos. Sobre as reclamações dos motoristas, o órgão também se posicionou. Por meio de nota, disse que “a Prefeitura tem realizado diversas ações para recuperação das estradas do município, por meio de parcerias com o Estado; apoios da iniciativa privada, criação do Programa Estrada do Produtor e retomada da operação tapa-buracos”.

O IMTT afirma que “foram recuperados 200 km de estradas vicinais em todo interior do município. A meta é recuperar 1.000 quilômetros até junho de 2022. Foi solicitado à Secretaria de Estado das Cidades o apoio para a recuperação de 20 estradas, mas até o momento a verba ainda não foi liberada”, disse.

Sobre o valor das tarifas das passagens de ônibus e vans, o IMTT esclarece que há um cálculo por quilometragem desde 2019. O órgão está fazendo um levantamento para atualização dos valores. “O instituto já solicitou um histórico com o volume de passageiros nas várias linhas, o que não existe desde 2017, para concluir o estudo”, finaliza.
Fonte:Terceira Via

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