domingo, 12 de dezembro de 2021

Teatro Múcio da Paixão reabre após seis anos

Unidade do Sesc-Campos foi reformada e modernizada; classe artística e público aplaudem iniciativa

POR OCINEI TRINDADE


Por quase seis anos o Teatro Múcio da Paixão, também conhecido como Teatro do Sesc, ficou fechado. Nesse período, público e artistas de Campos se sentiram um pouco órfãos, sem o tradicional espaço cultural inaugurado em 1972. Em quase cinco décadas, o teatro campista escreveu parte de sua história com centenas de espetáculos realizados em seu palco. Após reforma completa, o espaço reabre neste domingo (11) com a peça infantil “O dedo da bruxa” e outros espetáculos ao longo da semana. Com 103 lugares, som e iluminação modernos, tablado ampliado, o teatro renasce.

O carinho da classe artística pelo Múcio da Paixão vem de longa data. Muitos atores, técnicos e diretores começaram ali. O diretor Fernando Rossi relembra a trajetória. “A primeira vez que pisei no palco foi ali, em 1975, pelas mãos da professora Vilma Rangel. Comecei a fazer teatro com ela, ‘A bruxinha que era boa’, de Maria Clara Machado. Depois veio o curso de iniciação teatral com o professor Orávio de Campos, um grande coordenador artístico. Também no Sesc, em 1979, dirigi ‘Grito Negro’, meu primeiro espetáculo como diretor”, conta.

O Teatro do Sesc Campos foi batizado com o nome do jornalista, professor, teatrólogo, historiador e político campista Manoel Múcio da Paixão Soares, um dos fundadores da Academia Fluminense de Letras e deputado estadual constituinte em 1892. Ele era avô do jornalista e dramaturgo Orávio de Campos. A abertura em 1972 contou com a apresentação de “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes. De lá para cá, grandes atrações teatrais e musicais, com artistas renomados do país passaram pelo palco. Isso colocou Campos na vanguarda da cena cultural do Estado do Rio de Janeiro.
Débora Magalhães

Para a gerente Débora Magalhães, o teatro ficou fechado por exigir muitas intervenções. “Com a reforma, o espaço ficou mais moderno e confortável. A estrutura não acompanhava as necessidades e exigências do público e dos artistas. Ganhou novas cadeiras, camarins e salas de apoio. Também teve o palco nivelado e capacidade ampliada para 103 lugares. A reforma atentou para questões de segurança também. Devido à pandemia, vamos trabalhar com 50% da capacidade no momento”, explica.
Na quarta-feira (15) acontece a apresentação “Retratos do cotidiano de uma cidade”; sexta-feira (17) tem contação de histórias com o grupo Cirandarte; no sábado (18) haverá a peça “As memórias de Sancho Pança”; e no domingo (19) o espetáculo “O circo a céu aberto”.
Winston Churchil Rangel

Memórias teatrais
O artista Winston Churchill Rangel frequenta o Teatro do Sesc desde a sua abertura. “Minha tia Antônia Leitão fazia parte do elenco inicial durante a administração de Josélia Haddad. O diretor teatral Orávio de Campos Soares trouxe muita gente nova ao palco. Participei como ator de um espetáculo sobre Nelson Rodrigues, dirigido pelo saudoso Antônio Roberto Kapi. Fiz um show com a banda Origami Amassado, texto e músicas de minha autoria. Dei aulas sobre literatura de cordel”, cita.
Em 1984, a atriz Neusimar da Hora começou no Grupo Experimental de Teatro do Sesc. “Participei de todos os espetáculos. A reabertura é uma reconquista histórica de toda efervescência que o teatro proporcionou ao nas décadas de 1980 e 1990. A cultura ganha força em um ato de resistência para os artistas no fazer teatral”, define.
Pedro Fagundes


Pedro Fagundes é outro ator que cresceu no local. “Tive oportunidade de estudar nas oficinas e cursos da instituição, fazer intercâmbio com as mais diferentes culturas do país. O Sesc sempre garantiu um suporte artístico com muitos significados. Foram inúmeras peças, mas guardo uma que carrega uma saudade imensa, o clássico ‘O Boi e o Burro a caminho de Belém’, de Maria Clara Machado, onde Maria Helena Gomes vivia o Burro e eu o Boi; dividíamos uma cumplicidade linda em cena”, recorda.
Katiana Rodrigues


A atriz Katiana Rodrigues frequenta o palco do Sesc há 30 anos. “Desde que me entendo como artista. Faz parte da minha evolução através das oficinas e das vezes em que estive em cena. Isso me preenche de gratidão. A reabertura é um renovo. É a esperança de estarmos novamente no palco de um teatro tão importante para a nossa história. Todos ganhamos: artistas e público”, conclui.


Fonte: Terceira Via

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