segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Ano novo, boletos novos

2022 chegou e com ele vem uma série de gastos, como IPVA, IPTU, material escolar, que podem desequilibrar o orçamento

POR GABRIELA LESSA
Família Paixão | “Nunca sabemos como será o próximo mês”

Todo início de ano é a mesma coisa: há um aumento significativo nas despesas domésticas, já que algumas contas são geradas nesta época, como o IPTU, IPVA, matrícula e materiais escolares, por exemplo. Em análise feita pelo economista Alexandre Delvaux, as famílias continuarão enfrentando dificuldades em 2022, devido à falta de emprego e à alta da inflação, que resulta na diminuição da renda real do brasileiro, deixando o orçamento familiar mais apertado do que já está. Segundo o economista, o controle das finanças familiares neste período é ainda mais importante.

Em primeiro lugar, Alexandre Delvaux cita a necessidade de se planejar, pois muitas contas ficam concentradas neste início de ano. Além disso, as festas de fim de ano e as férias também pressionam as finanças. “Aí vem a pergunta: O que fazer? A resposta depende das condições da família. Ou seja, como elas tratam as suas finanças. Se houve prudência e parte do 13° salário foi aplicado ou se foi criado, ao longo de 2021, um fundo para pagar as despesas do início de 2022, as coisas vão ficar mais fáceis”, pontua.

Planejar as finanças acaba sendo uma necessidade, principalmente para famílias grandes com a da servidora pública, Fabrinne Paixão, que é casada e tem três filhos, sendo uma menina de 10 anos e os gêmeos de 5. “Eu e meu marido dividimos as despesas. Buscamos não fazer gastos desnecessários muitas vezes ao mês. Para a nossa família, ficou mais complicado no ano passado, pois a nossa vida financeira ficou voltada para o tratamento de saúde dos nossos filhos. E ainda sofremos com os índices inflacionários. Então, 2021 foi um ano de muita renúncia e disciplina”, desabafa.

Visualizar as despesas

O economista chama a atenção para a redução de gastos para não ficar no “vermelho”. “Se houver a possibilidade de poupar dinheiro, a regra é ‘apertar o cinto’, reduzir os gastos para pagar os boletos e evitar problemas como a negativação ou endividamento”, diz.

Paralelo ao planejamento financeiro está a “visualização” das despesas. Segundo Alexandre Delvaux, torna-se necessário colocar no papel todas as receitas e todos os gastos, permitindo a identificação dos principais itens e o que é possível fazer para manter o orçamento sob controle. “A regra de ouro é gastar menos do que recebe e guardar a diferença para imprevistos. Quando isso não é possível, a consequência mais comum é o endividamento. O planejamento e o controle evitam exatamente que ocorram déficits que levam ao acúmulo de dívidas”.

Família Paes | “As despesas são organizadas”

O gerente administrativo Diego Paes, casado e com um bebê de 6 meses, busca fazer esse planejamento ao longo do ano, para que não haja aperto diante de alguma necessidade. “Minhas despesas são organizadas em planilhas de contas fixas, contas variáveis, contas imprevisíveis e urgentes. Com essa organização, eu consigo saber o que gastei nos meses anteriores, presente e o que posso gastar ou investir no futuro. Com o nascimento do meu filho, a minha rotina financeira mudou completamente, pois muito do que tinha poupado ou investido eu precisei retirar para cobrir as despesas do bebê, contudo, já estava planejado dentro das necessidades reais”, explica.

Dicas pontuais para economizar
Alguns tópicos citados para o economista Alexandre Delvaux, que podem auxiliar no controle financeiro e economia da renda são: cortar gastos desnecessários, evitar desperdícios, planejar as compras, não parcelar no cartão, não usar o cheque especial, pagar em parcela única, negociar com credores e, se for necessário fazer algum empréstimo, buscar as menores taxas.

Ele ainda explica que o ideal é sempre tentar guardar uma parte da renda mensal. “Quanto maior o valor poupado, maior a tranquilidade da família, pois ela passa a ter uma reserva para imprevistos e não precisa recorrer a empréstimos ou parcelamentos que custam caro”, afirma.

Esses são hábitos de Diego Paes, que não abre mão de organizar a sua renda e fazer projeções de gastos. “Sabendo o que tenho de despensas, consigo organizar meu salário. Ele é dividido em 60% para todas as despesas, 20% para investimento financeiro e pessoal, 10% para bem-estar e 10% para reserva de emergência”, fala.


Renda x necessidade de gastos
Para Alexandre Delvaux, as famílias têm precisado se organizar ainda mais, pois os gastos aumentaram e a renda não acompanhou, resultando na perda de poder aquisitivo. “Os brasileiros estão pagando caro pela gasolina e energia elétrica, produtos de higiene pessoal, gêneros alimentícios, impostos etc. Por outro lado, os rendimentos não acompanham os preços. Isso exige um controle mais rigoroso e muita austeridade de todos os membros da família”, analisa.

Tanto o gerente administrativo quanto a servidora pública precisaram fazer muitas adaptações nas suas despesas, já que o custo de vida tem dificultado gastar além do necessário. “A alta da inflação tira a dignidade do cidadão. Os gastos elevados com a gasolina, energia e alimentação nos fizeram reduzir os passeios, cinemas, supérfluo etc. Nunca sabemos como será o próximo mês. É preciso fazer escolhas”, finaliza Fabrinne Paixão.
Fonte:Terceira Via

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