segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Com aumento dos casos de gripe, Tamiflu some das farmácias

Drogarias registram alta procura e não têm previsão de data para reposição do medicamento

POR CLÍCIA CRUZ

Pillar Rust orienta que a medicação deve ser vendida apenas com prescrição médica (Foto: Silvana Rust)

Desde meados de dezembro de 2021, o medicamento Tamiflu (oseltamivir) não está sendo encontrado nas farmácias de Campos. Esta realidade é a mesma em vários estados brasileiros, onde os casos de gripe têm aumentado. O remédio é vendido sob prescrição médica, mas algumas pessoas têm procurado comprar o medicamento com medo de que ele venha a faltar, no caso de uma possível infecção por Influenza H3N2, vírus que está circulante desde o ano passado.

A farmacêutica Pillar Rust, que trabalha em uma drogaria no Parque Tamandaré, esclarece que a medicação deve ser vendida somente sob prescrição médica, apesar de não haver retenção da receita. “O oseltamivir é um antiviral potente, que deve ser usado para casos específicos, não é para a pessoa ter em casa, é preciso ser examinado por um médico, que ateste a necessidade de utilizar essa medicação’’, ressalta Pillar.

Ela também relata que, desde a segunda semana de dezembro, a medicação não chega às prateleiras e que a procura tem aumentado consideravelmente. “No Estado do Rio trabalhamos com três grandes distribuidores e nenhum deles tem o medicamento para entregar, a falta é geral e não temos informação de quando teremos a reposição do estoque”, diz.


O infectologista Telmo Garcia explica que a medicação não é indicada para todos os casos de gripe. “Cientificamente, apesar de alguns bons resultados em alguns casos, o Tamiflu tem baixa repercussão no controle da gripe. Acaba sendo utilizado em demasia e muitas vezes em momentos errados, o que diminui sua eficácia. É fato que sua administração deve ser voltada para casos de grandes proporções, mas com início em momento adequado para que possa ser mais uma ferramenta de controle. O que dificulta ainda mais sua resposta é que seu funcionamento é restrito ao vírus da gripe (Influenza) e em muitos casos a doença viral, muito parecida com a gripe, pode estar sendo causada por outros vírus. O mais importante de tudo é vacinar e tratar precocemente as complicações da gripe, que na maioria dos casos é o que leva a desfechos desfavoráveis”, diz o médico.

Diferente das farmácias, na rede pública ainda tem estoque dos medicamentos, que, segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Campos, é disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Gripe e Covid-19
Campos tem confirmados seis casos de coinfecção por coronavírus e Influenza. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, todos os pacientes passam bem.

Quanto aos casos de Covid-19, a média de testes positivos diariamente é de 31%, com registro exponencial de aumento a partir do dia 3 de janeiro.

Centros de atendimento e testagem de pacientes com sintomas gripais
Campos inaugurou no dia 30 de dezembro quatro centros fixos e uma equipe volante para atendimento e testagem de pacientes com sintomas gripais. São eles: UBS da Penha, UBS Patronato São José, na Lapa; Centro de Saúde de Guarus e a Escola Municipal Farol de São Tomé, situada na Avenida Pinheiro Machado, nº 956, no bairro Rádio Velho. O município adotou a estratégia devido ao aumento na demanda por assistência médica a pacientes com síndrome respiratória aguda de múltiplas causas virais.

“Nesses locais de atendimento, os pacientes fazem teste para afastar a possibilidade de Covid-19 e, havendo resultado negativo, é disponibilizado para aqueles que apresentarem indicação médica, tratamento medicamentoso para bloquear as ações de vírus Influenza”, explica o diretor de Atenção Básica, Rodrigo Carneiro.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura não havia informado o número de atendimentos realizados até o momento e nem o percentual de casos positivos para Influenza.

Vacina
As vacinas para a nova cepa do vírus influenza, denominada H3N2, deverão chegar ao país em março, segundo informações do Ministério da Saúde. O imunizante que será distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022 já está em produção pelo Butantan. Ela é trivalente, composta pelos vírus H1N1, H3N2, do subtipo Darwin, e a cepa B.

Sintomas de gripe e Covid
Os sintomas clássicos da gripe sazonal são febre súbita, tosse (geralmente seca), dor de cabeça, dores musculares e articulares, mal-estar, dor de garganta e coriza. A tosse pode ser forte e durar duas ou mais semanas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No caso do H3N2, os sintomas são os mesmos, com o potencial de causar casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em idosos e imunocomprometidos.

No início da pandemia, a OMS divulgou que os infectados apresentavam sintomas como febre, tosse seca, cansaço e perda do paladar ou do olfato. Após o surgimento das variantes, os sintomas clássicos sofreram mudanças. À medida que a variante delta, descoberta na Índia em outubro de 2020, se espalhava pelo planeta, os sintomas mais comuns da doença passaram a ser febre, tosse persistente, coriza, espirros e dor de cabeça e garganta. Características semelhantes à gripe sazonal. A perda de paladar e de olfato deixou de ser relatada.

Já as infecções pela variante ômicron, descoberta na África do sul em novembro, demonstraram outro padrão sintomático, descrito pela Associação Médica da África do Sul. Segundo a entidade, pacientes infectados pela ômicron apresentavam sintomas como dores pelo corpo, dor de cabeça, dor de garganta e, sobretudo, um cansaço extremo que não era comum nos que contraíram a delta.
Fonte:Terceira Via

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