Obras foram escritas a partir de 2019 e não haviam sido lançadas devido à pandemia
POR JOÃO MARCOS (ESTAGIÁRIO)
No próximo dia 30, às 17h, o professor, ambientalista e escritor Aristides Soffiati lança 10 novos livros em evento na Academia Campista de Letras (ACL), no Jardim São Benedito. As obras foram escritas a partir de 2019 e ainda não haviam sido lançadas em razão das restrições sanitárias impostas com a pandemia do novo coronavírus.
Aristides define o lançamento concomitante de 10 livros como “megalomaníaco”, mas garante que será, também, um acontecimento “inédito” na cidade.
“Acho que é um gesto megalomaníaco meu e creio que inédito em Campos e região. O motivo é que não pude lançar nenhum livro durante a pandemia e eles se acumularam. Para zerar tudo e tentar a vida normal, propus a Cristhiano Fagundes, presidente da Academia Campista de Letras, esse mega-lançamento. De pronto, ele aceitou com entusiasmo”, conta Aristides.
Os livros que serão lançados por Aristides são: “Espécies Exóticas no Norte do Rio de Janeiro”, “O Dourado e a Piabanha”, “Dez anos de enchentes e estiagens”, “Em meio à pandemia”, “Intervalo”, “O ano da pandemia”, “O manguezal e a humanidade”, “O Norte do Rio de Janeiro no Século XVI”, “Os quatro elementos” e “Primórdios do Modernismo no Brasil, Parte 1”. Os recursos arrecadados com as vendas dos livros serão doados à ACL, que vem enfrentando problemas financeiros nos últimos anos.
De acordo com o escritor, a reclusão ocasionada pela pandemia o estimulou a ler, pesquisar e escrever. “O período de reclusão por causa da pandemia não me inspirou. Fiquei muito triste com tudo o que estava acontecendo. Mais com as pessoas do que com o vírus, pois a virose resulta das más relações da humanidade com a natureza. Além do mais, infelizmente, certos governantes demonstraram descaso com a pandemia. Na verdade, trabalho muito em termos intelectuais depois da aposentadoria. Não senti depressão e ansiedade na reclusão, mas li, pesquisei, escrevi e publiquei mais durante esse período de quase três anos”, diz.

Aos 75 anos, Soffiati se define como uma “máquina de viver” e uma “resistência analógica na era digital”. Ele busca, com as palavras, se expressar e disponibilizar conhecimento para as novas gerações, que na sua opinião, “está desestimulada a ler devido às redes sociais”.
“Nosso mundo não anda bem, mas gosto muito dele. Acho que nosso mundo mudou muito a partir da década de 1990 com as redes sociais. Elas desestimularam a leitura por parte de jovens e adultos. Creio que faço parte de um mundo em extinção. Gosto muito de ler livros e artigos em meio físico. Tenho dificuldade de lidar com o mundo virtual. Aproveito o que resta da era analógica para escrever e publicar livros na esperança de contribuir para o conhecimento do mundo, do Brasil, da região e da cultura em geral”, explica.
Com os 10 livros que serão lançados no próximo dia 30, Aristides Soffiati chegará à sua 34ª obra publicada, mas promete não parar por aí.
“Existem dois tipos de morte: a mental e a física. Ninguém escapa da segunda. Quero escapar da primeira. Até o final dos meus dias, pretendo me expressar em palestras, artigos e livros. Não desejo homenagens, mas contribuir para o conhecimento”, encerra.
Fonte:Terceira Via


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