Medos e transtornos de ansiedade são alguns dos problemas observados por educadores e pais de alunos
POR OCINEI TRINDADE
(Fotos: Silvana Rust)
Nos últimos dois anos, a pandemia de Covid-19 forçou instituições de ensino, famílias e estudantes em geral ao isolamento e a repensar novas formas de aprendizado. O ensino remoto foi a saída. O medo do contágio e da morte tomou conta de quase todos. Retornar às atividades presenciais provocou muitos debates. Com a vacinação e a diminuição dos casos da doença em Campos, as aulas estão praticamente normalizadas, com os devidos cuidados sanitários. Entretanto, profissionais de educação têm observado comportamento de medo, ansiedade e estranhamento entre alunos dos primeiros anos escolares. Alguns têm necessidade de apoio psicológico, o que causa preocupações entre os pais.

Nos últimos dois anos, a pandemia de Covid-19 forçou instituições de ensino, famílias e estudantes em geral ao isolamento e a repensar novas formas de aprendizado. O ensino remoto foi a saída. O medo do contágio e da morte tomou conta de quase todos. Retornar às atividades presenciais provocou muitos debates. Com a vacinação e a diminuição dos casos da doença em Campos, as aulas estão praticamente normalizadas, com os devidos cuidados sanitários. Entretanto, profissionais de educação têm observado comportamento de medo, ansiedade e estranhamento entre alunos dos primeiros anos escolares. Alguns têm necessidade de apoio psicológico, o que causa preocupações entre os pais.

Angelica e Enzo | Mãe buscou
ajuda profissional para o filho
O fisioterapeuta Fábio Magalhães e a pedagoga Angelica Nicolau são pais do pequeno Enzo, de 7 anos. O menino está no terceiro ano do Ensino Fundamental. Eles contam que o isolamento e a distância física da escola e dos colegas de turma trouxeram sofrimento ao filho. Com a notícia de que as aulas presenciais retornariam, Enzo se mostrou apreensivo e com medo, por causa das informações que lhe chegavam da Covid-19, como risco de contaminação, doença e morte. O menino precisou de aportes pedagógico e psicológico.
“Ficou nítido o medo e a preocupação com contaminação e de infectar a gente em casa. Ao mesmo tempo, ele queria voltar à escola e viveu um conflito. Acionei a escola, que prontamente atendeu com suporte psicológico e pedagógico. Mostraram a ele passo a passo como seria a volta, a organização, sobre higiene e distanciamento, uso de álcool, carteiras afastadas, distanciamento. Eu e meu marido optamos pela terapia, por ele sentir alguns medos. Sentimos a necessidade de cuidar disso logo no início para não se tornar algo pior com o tempo. As famílias precisam ser acompanhadas. O equilíbrio emocional do meu filho é meu principal desejo no momento”, diz Angélica.

ajuda profissional para o filho
O fisioterapeuta Fábio Magalhães e a pedagoga Angelica Nicolau são pais do pequeno Enzo, de 7 anos. O menino está no terceiro ano do Ensino Fundamental. Eles contam que o isolamento e a distância física da escola e dos colegas de turma trouxeram sofrimento ao filho. Com a notícia de que as aulas presenciais retornariam, Enzo se mostrou apreensivo e com medo, por causa das informações que lhe chegavam da Covid-19, como risco de contaminação, doença e morte. O menino precisou de aportes pedagógico e psicológico.
“Ficou nítido o medo e a preocupação com contaminação e de infectar a gente em casa. Ao mesmo tempo, ele queria voltar à escola e viveu um conflito. Acionei a escola, que prontamente atendeu com suporte psicológico e pedagógico. Mostraram a ele passo a passo como seria a volta, a organização, sobre higiene e distanciamento, uso de álcool, carteiras afastadas, distanciamento. Eu e meu marido optamos pela terapia, por ele sentir alguns medos. Sentimos a necessidade de cuidar disso logo no início para não se tornar algo pior com o tempo. As famílias precisam ser acompanhadas. O equilíbrio emocional do meu filho é meu principal desejo no momento”, diz Angélica.

Psicóloga | Isabela diz que teve um aumento de 30 crianças na espera
Ainda não há estudos ou estatísticas oficiais sobre distúrbios emocionais ou psíquicos entre estudantes após o retorno às aulas presenciais. Contudo, alguns profissionais da área de educação e de psicologia de Campos afirmam que a procura de pais por especialistas em ensino e em apoio emocional cresceu durante o período e também após a volta às aulas este ano. A psicóloga Isabela Barcelos conta que em 2020 foi o auge da busca por terapia.
“Cheguei a ter 30 crianças na fila de espera por vagas e consultas. Aumento de 30% delas com quadro de ansiedade por causa do isolamento. Com esse retorno às aulas, percebo crianças menores com mais dificuldades. As que estão com 4 anos, estavam com 2 anos no início da pandemia. Esse público ficou muito tempo privado de socialização. Muitas não estão sabendo lidar com o convívio social e turma cheia. Têm dificuldades com o ambiente escolar, em dividir espaço e brinquedos, de aprender a dialogar. Vejo muita criança introvertida, com timidez patológica, quadros de ansiedade. Há medo do que é novo em geral, além do transtorno de ansiedade de separação. Ficaram muito tempo em contato direto com família e cuidadores”, destaca Isabela.

Ainda não há estudos ou estatísticas oficiais sobre distúrbios emocionais ou psíquicos entre estudantes após o retorno às aulas presenciais. Contudo, alguns profissionais da área de educação e de psicologia de Campos afirmam que a procura de pais por especialistas em ensino e em apoio emocional cresceu durante o período e também após a volta às aulas este ano. A psicóloga Isabela Barcelos conta que em 2020 foi o auge da busca por terapia.
“Cheguei a ter 30 crianças na fila de espera por vagas e consultas. Aumento de 30% delas com quadro de ansiedade por causa do isolamento. Com esse retorno às aulas, percebo crianças menores com mais dificuldades. As que estão com 4 anos, estavam com 2 anos no início da pandemia. Esse público ficou muito tempo privado de socialização. Muitas não estão sabendo lidar com o convívio social e turma cheia. Têm dificuldades com o ambiente escolar, em dividir espaço e brinquedos, de aprender a dialogar. Vejo muita criança introvertida, com timidez patológica, quadros de ansiedade. Há medo do que é novo em geral, além do transtorno de ansiedade de separação. Ficaram muito tempo em contato direto com família e cuidadores”, destaca Isabela.

Pedagoga | Denise Tinoco afirma que o retorno é positivo
Dificuldades de aprendizagem
A pedagoga Denise Tinoco diz que pesquisas científicas têm mostrado que o isolamento, aliado à falta de estrutura e à exposição exagerada às telas eletrônicas, acabou gerando uma série de desajustes no desenvolvimento infantil. “Há dificuldades de aprendizagem, interação social e de criar vínculos. Essa mistura terrível de fatores trouxe consequências para a vida das crianças na adaptação social, e, principalmente, no meio escolar. No retorno presencial dos estudos, todas estas faltas de habilidades estão aparecendo e forçando as famílias e as escolas a solicitarem apoios pedagógicos diversos”, explica.
Angélica Nicolau observa sobre o risco de pressionar crianças com conteúdos excessivos nesse retorno presencial. “Precisamos salientar a cobrança sobre os alunos pequenos em relação ao resgate do tempo perdido, não só pelo lado educacional, mas também do emocional. A pandemia deixou muitos órfãos. Essas perdas mexeram com todos. É preciso cautela, carinho e mais dedicação à estrutura emocional, para depois pensar com o conteúdo das matérias. É preciso desenvolver habilidades para depois correr atrás do conhecimento”, acredita.
Segundo Denise Tinoco, as consequências da pandemia sobre o aprendizado infantil poderão levar anos para serem superadas. “Infelizmente, este retorno escolar se deu de maneira desencontrada, sem ritmo e ratificou o vácuo de interação e aprendizagem tão temido. Isto poderá, segundo especialistas, durar até 30 anos para recuperar o tempo perdido”, comenta. Quanto ao comportamento e aspecto emocional dos alunos pequenos, a psicóloga Isabela Barcelos se diz otimista: “Esse retorno vejo como algo muito positivo, por estarem em contato com as pessoas. A gente precisa do convívio. Isso é bom para os adolescentes também. Quanto às crianças maiores, já vemos uma diminuição da demanda que surgiu durante a pandemia em 2020 e 2021. Agora, com o convívio social na escola, ao poderem sair e estar com os amigos, o quadro de ansiedade vai diminuído”, conclui.
Dificuldades de aprendizagem
A pedagoga Denise Tinoco diz que pesquisas científicas têm mostrado que o isolamento, aliado à falta de estrutura e à exposição exagerada às telas eletrônicas, acabou gerando uma série de desajustes no desenvolvimento infantil. “Há dificuldades de aprendizagem, interação social e de criar vínculos. Essa mistura terrível de fatores trouxe consequências para a vida das crianças na adaptação social, e, principalmente, no meio escolar. No retorno presencial dos estudos, todas estas faltas de habilidades estão aparecendo e forçando as famílias e as escolas a solicitarem apoios pedagógicos diversos”, explica.
Angélica Nicolau observa sobre o risco de pressionar crianças com conteúdos excessivos nesse retorno presencial. “Precisamos salientar a cobrança sobre os alunos pequenos em relação ao resgate do tempo perdido, não só pelo lado educacional, mas também do emocional. A pandemia deixou muitos órfãos. Essas perdas mexeram com todos. É preciso cautela, carinho e mais dedicação à estrutura emocional, para depois pensar com o conteúdo das matérias. É preciso desenvolver habilidades para depois correr atrás do conhecimento”, acredita.
Segundo Denise Tinoco, as consequências da pandemia sobre o aprendizado infantil poderão levar anos para serem superadas. “Infelizmente, este retorno escolar se deu de maneira desencontrada, sem ritmo e ratificou o vácuo de interação e aprendizagem tão temido. Isto poderá, segundo especialistas, durar até 30 anos para recuperar o tempo perdido”, comenta. Quanto ao comportamento e aspecto emocional dos alunos pequenos, a psicóloga Isabela Barcelos se diz otimista: “Esse retorno vejo como algo muito positivo, por estarem em contato com as pessoas. A gente precisa do convívio. Isso é bom para os adolescentes também. Quanto às crianças maiores, já vemos uma diminuição da demanda que surgiu durante a pandemia em 2020 e 2021. Agora, com o convívio social na escola, ao poderem sair e estar com os amigos, o quadro de ansiedade vai diminuído”, conclui.
Fonte:Terceira Via


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