terça-feira, 30 de agosto de 2022

Escândalo do Ceperj: amigo de Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco, aparece na lista de pagamentos

Foram dois saques na boca do caixa: um em junho e outro em julho, que somam R$ 5.738,80

 

Sargento reformado Ronnie Lessa durante prisão no caso Marielle Franco (Arquivo)

Alexandre Motta de Souza, amigo do sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, denunciado como autor da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do seu motorista Anderson Gomes, que chegou a ser preso por guardar fuzis incompletos que seriam de Lessa e foi acusado de ser laranja do policial, recebeu na boca do caixa dinheiro do Centro de Estudos e Pesquisas do Estado (Ceperj). Foram dois saques: um em junho e outro em julho, que somam R$ 5.738,80.

Motta de Souza está na lista de mais de 27 mil fantasmas do Ceperj e que fizeram saques. Ele consta ocupando o cargo de auxiliar operacional do programa RJ Para Todos – que funciona em parceria com a Secretaria de Governo e tem atividades voltadas para pessoas em vulnerabilidade social.

As contratações do Ceperj estão sendo investigadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ), pela Justiça e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Essas pessoas foram contratadas pelo Ceperj com a autorização para receberem seus salários na boca do caixa, com ordem bancária ou por meio de recibo de pagamento autônomo (RPA). Os saques foram feitos em uma agência do Banco Bradesco, na Rua Dias da Cruz, no Méier. É nesse bairro onde mora Motta.

Motta de Souza, amigo há 20 anos do sargento reformado, tinha acesso à conta e à senha bancária do militar. Para os investigadores, o homem seria laranja do PM na compra de uma lancha e na realização e movimentações bancárias. Em março de 2019, o amigo de Lessa foi preso. Três meses depois ele foi solto, após ter sua prisão revogada pela Justiça do Rio. O jornal Extra tenta contato com sua defesa.

Fuzis apreendidos na casa do amigo de Ronnie Lessa que aparece na lista do Ceperj (Arquivo/Extra)

Em nota, a assessoria de imprensa do governo do Estado afirmou que Alexandre Motta de Souza não é servidor do estado e nem funcionário da Fundação Ceperj, “já que o contrato com a Fundação diz respeito a uma prestação de serviços, sem qualquer tipo de vínculo empregatício”. A nota diz ainda que “as pessoas que realizaram atividades foram selecionadas por meio de um processo seletivo simplificado.”

O órgão ressaltou que “todas as contratações estão suspensas e não há pagamentos sendo realizados” e que “todos os convênios e contratações da Fundação Ceperj estão sendo apurados, para que sejam checadas quaisquer eventuais falhas e a regularidade da prestação de serviços dos colaboradores.” 

Fonte: Jornal Extra/Show Francisco

Nenhum comentário: