Segundo corporação, Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de acidentes deste tipo
POR DANIELA ABREU
Com a proximidade do verão cresce a busca das pessoas por piscinas, praias, rios, cachoeiras e outras áreas de lazer. É também nesta época do ano que há um aumento nos casos de acidentes nestes locais. O perigo fica ainda mais iminente com a busca incansável pelo ângulo perfeito para fotos e vídeos que vão render mais curtidas nas redes sociais. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (Cbmerj), o Brasil já ocupa o 5º lugar no ranking mundial desse tipo de ocorrência. Pensando nisso, a corporação lançou, em suas redes sociais, a campanha “Não arrisque sua vida por likes”, com postagens semanais de vídeos de acidentes ocasionados por selfies em locais perigosos.
“O objetivo da campanha é “fazer a população refletir sobre acidentes e mortes causados por selfies arriscadas, alertando para os perigos de se aventurar na busca pelo clique perfeito”, disse o Corpo de Bombeiros em nota enviada à redação do J3News.
O alerta da corporação, no entanto, não se restringe apenas ao momento da captura das imagens, mas inclui cuidados, de uma forma geral, que os veranistas devem observar. Embora não haja praias ou locais de risco com pedras, encostas e costões no Norte do Estado, sendo características mais presentes na Região dos Lagos, existem as cachoeiras que podem causar acidentes.
As dicas do Corpo de Bombeiros são para que as pessoas busquem locais pertencentes a parques ou reservas que oferecem sinalização e serviço de prevenção; evitem se banhar em locais de correnteza forte; não tomem banho em cachoeiras isoladas e desconhecidas e jamais pulem de pedras altas confiando na profundidade da água, porque, mesmo em cachoeiras conhecidas, o relevo do solo pode mudar por deslocamento de pedras e troncos. “Com isso, existe grande risco de lesões e traumas”, enfatiza o órgão, que orienta os veranistas a não tirarem selfie em locais perigosos.
O Corpo de Bombeiros complementa: “Além disso, não é recomendado entrar na água em dias de chuva intensa, já que existe risco de elevação súbita do nível da água, o que pode acabar arrastando quem está se banhando ou próximo à correnteza. Também não é aconselhável andar pelas pedras, já que pode haver limo em suas superfícies, deixando-as extremamente escorregadias”.
Tragédia ao tirar foto
Em abril de 2016, Bárbara Meireles Barbosa, de 32 anos, morreu no local conhecido como Pedra Rasa, em Rio Preto, Campos. Na época, familiares e amigos contaram que ela já havia feito várias selfies durante o dia e teria se aproximado da beirada da cachoeira para mais um clique, quando escorregou e caiu.
Bárbara teria batido a cabeça e sido arrastada pela força das águas. Ela foi localizada a vários metros de distância do local e chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Cabeça d’água
Em 2017 o cenário da tragédia foi o Parque Estadual do Desengano, conhecido por abrigar algumas das mais belas cachoeiras do Estado, em local de preservação permanente.
A vítima foi a pequena Nina de Fátima França, de apenas cinco anos. Ela estava com os pais em um carro que foi arrastado pela enxurrada, provocada por uma cabeça d’água, que ocorre quando uma grande quantidade de chuva cai em partes superiores de uma cachoeira ou ao longo do rio, aumentando abruptamente o nível da água. O acidente ocorreu no Imbé.
Devido ao difícil acesso ao local, o corpo da criança foi localizado apenas no dia seguinte, preso em uma árvore.
Afogamento
Em março deste ano, três pessoas morreram em um intervalo de menos de uma semana, na Cachoeira do Oriente, em São Fidélis.
No dia 1º, Daiwison de Oliveira Amâncio, de 21 anos, estava se banhando, quando desapareceu na água. Os amigos iniciaram buscas, quando Alex Gabriel Freitas, de 37 anos, também desapareceu. No final de semana seguinte, no dia 6, Lídia Freitas, de 26 anos, também perdeu a vida no local. Ela teria mergulhado e não conseguido retornar à superfície.
Agentes do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) e da Defesa Civil do município estiveram no local, que foi interditado.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, a Cachoeira do Oriente é um local que apresenta risco por conta de uma formação rochosa que fica submersa. A água passa por esse local e acaba “tragando” algumas pessoas, que ficam presas.
J3 News


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