sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Corte de verba federal para Educação gera manifestação em Campos

Estudantes da Uenf organizaram um ato em frente a instituição na tarde desta quinta-feira



Cerca de 2 mil estudantes bolsistas de universidades públicas de Campos estão sem receber remuneração com o corte de verba federal determinado por meio de um decreto assinado pelo Presidente Jair Bolsonaro. Alunos pesquisadores da Uenf se reuniram em frente à instituição na tarde desta quinta-feira (8) para protestarem.

“Recebemos esta notícia pelas redes sociais anteontem e este corte está comprometendo mais de 60% dos alunos que recebem este auxílio pra continuar estudado. Para receber este valor, nos é exigida dedicação exclusiva, portanto, não podemos trabalhar em outros locais. Não teremos como pagar contas, aluguel ou transporte e não sabemos o que fazer. Estamos contando com apoio do Congresso Nacional para vetar o decreto”, disse a doutoranda em políticas sociais, Carem Abreu.


Guilherme Vasconcelos, doutorando em sociologia política, disse que o corte é resultado do tratamento do governo para Educação de um modo geral. “A bolsa da Capes é a remuneração do estudante/trabalhador para custear toda a vida, desde as pesquisas à sobrevivência e a falta deste dinheiro representa a interrupção do nosso trabalho”, falou.

Para o reitor da Uenf, professor Raul Palácio, o corte de verba representa a falta de atenção que o Governo Federal deu para a Educação e as universidades ao longo de quatro anos. “É o clímax de um governo que não deu atenção para a ciência e o ensino. Aqui na Uenf são 367 bolsistas de mestrado, doutorado, além do sistema de ensino à distância que também está sendo afetado. Tutores, monitores e terceirizados do setor de manutenção não foram pagos este mês. Estamos agindo do ponto de vista político, em contato com a Alerj e com equipe de transição do Governo Federal. Também conversamos com a UFF e com a UFRRJ. Internamente, abrimos o bandejão para distribuir almoço e jantar de graça para este público e temos certeza de que a entrada do novo governo vai resolver esta questão.
Professora Ana Costa, diretora da UFF

A Professora Ana Costa, diretora da UFF Campos, informou que a instituição possui mais de 1 mil bolsistas prejudicados. “São mais de 7 mil estudantes prejudicados em todo o estado. Isto prejudica não só o ensino, a pesquisa e a extensão, mas também a gestão. Não conseguiremos pagar o pessoal da limpeza, e da guarda do patrimônio.São recursos já empenhados que as unidades não poderão executar o pagamento . Vejo como uma crueldade neste momento de crise”, falou Ana.

Para o economista Ranulfo Vidigal, o valor pago aos bolsistas varia de R$1 a R$2 mil. “Os estudantes fazem importantes pesquisas. Com este corte, os investimentos ficam paralisados e a estrutura física se deteriora. A expectativa é de que o próximo governo reverta esta situação com muita rapidez”, defendeu Vidigal.
J3News

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