
Lula e Alckmin em reunião com parlamentares / Marcelo Camargo/Agência Brasil
O futuro governo do Brasil começa a ganhar forma no Planalto e as reações aos nomes já anunciados pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para os 21 dos 37 ministérios, se dividem na planície goitacá. Na academia, estudiosos da Ciência Política e da área econômica apresentam perspectivas diferentes sobre a equipe apresentada, que ainda contará com mais 16 indicações previstas para a próxima semana.
Já representantes do governo municipal comemoram indicações aos ministérios da Igualdade Racial, Direitos Humanos, Cultura e Educação. Na equipe da pasta de Relações Institucionais, a escolha do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado André Ceciliano (PT), para o comando da Secretaria de Assuntos Federativos da Presidência da República, traz expectativa ao interior fluminense.
ara o cientista político George Coutinho os nomes até agora realmente frustram as expectativas de quem desejava um perfil mais plural e multipartidário, já que a grande maioria dos nomes é do PT.
“A frente ampla até agora parece não dar mostras de sobreviver além do segundo turno das eleições presidenciais (...) Em síntese, há bastante PT, o PT moderado. Há nomes com alta qualificação técnica-intelectual. Há um perfil de centro-esquerda democrática, nada radicalizado. Há uma tonalidade levemente social dada por Lula”, comentou.
Olhar diferente em relação à qualificação técnica dos nomes indicados tem o economista Alcimar Chagas. “Na verdade, fica bem evidente que o critério de escolha para os ministérios foi estritamente político. Não que não tenha que ser político, mas tem que ter um certo equilíbrio também com a técnica. E parece que aí o ideal político subordinou a técnica profundamente. Basta nós olharmos que os principais nomes são indivíduos de confiança do Lula. São homens que têm voto”, avaliou.
Atualmente, no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), existem 23 ministérios. Apesar do maior número de nomeados agora, o eleito Lula disse que vai aumentar o número de ministérios, mas não vai aumentar os gastos. “A quantidade de gente dos ministérios será no máximo comparado a 2010”, disse, prometendo ainda a definição dos 16 nomes que faltam na equipe para a próxima semana. Nomes senadora Simone Tebet (MDB-MS) e da deputada federal eleita Marina Silva (Rede-SP) ainda movimentam reuniões com o próprio Lula, como aconteceu ontem.
Na análise de Coutinho, as 16 pastas indefinidas devem “ser negociadas na bacia das almas da governabilidade”.
“Aí entra menos a direção político-programática e mais o pragmatismo da garantia da sustenta-ção do governo com outros quadros que, queiram ou não, igualmente foram eleitos pelo povo brasileiro. Com as outras pastas a serem negociadas com a centro-direita, o governo não será de solavancos. Pelo contrário, parece o retorno para a moderação de um Lula 1 (primeiro mandato presidencial). Ah, e os mercados? Os mercados seguem intransigentes e a sociedade civil precisa saber o que fará com isso”, disse o cientista político.
O economista Alcimar criticou o aumento no número de ministérios, apontando que a equipe reflete uma política de gastos. “Os nomes estão relacionados naturalmente a uma grande estrutura ministerial que foi criada, ampliando muito mais do que é atualmente. Além dessa estrutura ministerial grandiosa, o que mais me preocupa, na verdade, também é o projeto estratégico de poder que está intrínseco a esse movimento (...) Um populismo exacerbado para um país que eles mesmo afirmam que está quebrado”, afirmou Chagas.
Representatividade no centro de debates
Diante de um país que vivenciou nos últimos anos um governo de extrema direita, as indicações feitas por Lula aos ministérios da Cultura, Igualdade Racial e Direitos Humanos se tornaram protagonistas em discussões. As pastas são ocupadas respectivamente pela cantora Margareth Menezes, a jornalista Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada Marielle Franco, e o advogado Silvio Almeida.
“A atual demanda por representatividade, ou seja, a maior participação de mulheres, indígenas e negros no primeiro escalão, não me parece plausível que as indicações pudessem deixar todos satisfeitos. O perfil do governo seria um arranjo imperfeito e, em última instância, é também demonstração da direção política que se pretende dar”, pontuou George Coutinho.
Sobre os nomes na Cultura e Igualdade Racial, o economista Alcimar das Chagas diz que são considerados apelativos. “Tem uma parte (do ministério), que é uma considera até muito apelativa que é na Cultura. Outra que eu acho um pouco de apelação é a Anielle Franco”.
O subsecretário de Igualdade Racial e Direitos Humanos de Campos, Gilberto Coutinho Júnior, o Totinho Capoeira, ressaltou que a construção do nome das duas e de Silvio de Almeida foi coletiva em resposta à falta de políticas de direitos humanos, de igualdade racial e de políticas de garantias da equidade entre as pessoas humanas.
Para ele, como reflexo do racismo estrutural e do epistemicídio, sempre que há um ministro negro, há uma crítica pesada de um setor da sociedade. “Esses nomes indicados pelo presidente Lula não só são pessoas de extrema representatividade para a comunidade negra, do histórico de luta. Um na militância acadêmica, outro na cultural, outro por direitos de inclusão da comunidade negra. Além de ter essa vivência empírica, também traz consigo uma larga experiência cognitiva, intelectual e técnica”, ressaltou Totinho.
Expectativa no MEC é de retomada e avanço
Quem também aparece entre os nomes já anunciados é o governador e senador eleito pelo Ceará, Camilo Santana, ao Ministério da Educação.
Para o secretário o secretário de Educação, Ciência e Tecnologia de Campos, Marcelo Feres, que já fez parte do Ministério da Educação no governo PT, a escolha de Camilo aponta para uma mudança significativa nas políticas públicas de Educação em praticamente todos os níveis de ensino em relação ao governo que se encerra neste mês.
“As perspectivas são de uma retomada dos princípios que nortearam as políticas de Educação que deram certo nas gestões Lula/Dilma, somadas às boas experiências do estado do Ceará, em especial no âmbito municipal, que é o maior gargalo do sistema brasileiro. Espera-se que haja uma retomada também das metas do Plano Nacional de Educação, vigente até 2024, contextualizado ao momento atual, respeitadas as prioridades e o planejamento orçamentário” comentou Feres.

Secretário Marcele Feres / Prefeitura de Campos
Outro ponto abordado por ele é “o rompimento da agenda de educação pautada numa ideologia que rejeita o conhecimento científico, tenta ocultar a pluralidade da população brasileira, e nega a relevância do patrono da Educação brasileira, Paulo Freire, reconhecido internacionalmente”.
Avanços no ensino superior com a retomada da expansão de vagas universitárias, por meio de políticas como FIES e Prouni, são esperadas pelo secretário, assim como na Educação Profissional e Tecnológica e demais segmentos desde o ensino infantil.
“Espera-se que a mudança de rumo que a Educação tomará na nova gestão possibilite que o MEC possa coordenar ações e políticas públicas nacionais envolvendo as diversas unidades da federação em âmbito municipal, estadual e distrital. E seja um indutor efetivo de políticas públicas que gerem impactos positivos em âmbito municipal e estadual no curto e médio prazos”, disse Feres.

Ceciliano com Lula e Alckmin / Divulgação
André Ceciliano terá papel de interlocutor
Com o primeiro escalão em sua maioria definida, outros nomes também aparecerem como integrantes da equipe e podem trazer benefícios diretos ao estado do Rio de Janeiro e sobretudo ao interior, como é a expectativa sobre o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o deputado André Ceciliano (PT), que assumirá a Secretaria de Assuntos Federativos da Presidência da República, vinculada ao Ministério das Relações Institucionais, que será comandada por Alexandre Padilha (PT).
O deputado confirmou que o nome dele foi formalizado na última quinta-feira (22) após reunião em Brasília. Ceciliano foi convidado pelo próprio Padilha, político veterano do PT, que fez parte da equipe que coordenou as campanhas de Lula e já foi ministro.
O deputado terá papel importante no Palácio do Planal-to, onde ocupará uma sala, e fará parte do grupo mais próximo de Lula, o chamado núcleo duro, participando de toda a articulação político-administrativa das ações do governo federal com estados e municípios.
“É uma honra! Uma experiência nova. Vou estar trabalhando ajudando o Governo em um cargo com muita responsabilidade, interagindo com governadores e prefeitos”, disse Ceciliano, que além de deputado e presidente da Alerj, já foi prefeito de Paracambi.
Ao avaliar alguns nomes dos ministérios, André citou, além de Padilha, o ex-governador de São Paulo e presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB-SP), para o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e a atual presidente da Fiocruz, Nísia Trindade para a Saúde, como peças fundamentais pela experiência que ambos possuem como gestores.
A presidente do diretório do PT, em Campos, Odisséia Carvalho, comentou que os indicados aos ministérios representam a pluralidade e a diversidade. “Representa a população brasileira. Lógico que tem vários critérios sendo usados, dos partidos políticos que compuseram todo o processo eleitoral de apoio a esta proposta de governo, tem também o lado técnico e a gente acredita que estes ministros irão ter a competência de voltar o país a sair do mapa da fome, de investir na Saúde, na Educação, no desenvolvimento, no emprego, é isso desejamos”, disse Odisséia.
Com o primeiro escalão em sua maioria definida, outros nomes também aparecerem como integrantes da equipe e podem trazer benefícios diretos ao estado do Rio de Janeiro e sobretudo ao interior, como é a expectativa sobre o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o deputado André Ceciliano (PT), que assumirá a Secretaria de Assuntos Federativos da Presidência da República, vinculada ao Ministério das Relações Institucionais, que será comandada por Alexandre Padilha (PT).
O deputado confirmou que o nome dele foi formalizado na última quinta-feira (22) após reunião em Brasília. Ceciliano foi convidado pelo próprio Padilha, político veterano do PT, que fez parte da equipe que coordenou as campanhas de Lula e já foi ministro.
O deputado terá papel importante no Palácio do Planal-to, onde ocupará uma sala, e fará parte do grupo mais próximo de Lula, o chamado núcleo duro, participando de toda a articulação político-administrativa das ações do governo federal com estados e municípios.
“É uma honra! Uma experiência nova. Vou estar trabalhando ajudando o Governo em um cargo com muita responsabilidade, interagindo com governadores e prefeitos”, disse Ceciliano, que além de deputado e presidente da Alerj, já foi prefeito de Paracambi.
Ao avaliar alguns nomes dos ministérios, André citou, além de Padilha, o ex-governador de São Paulo e presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB-SP), para o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e a atual presidente da Fiocruz, Nísia Trindade para a Saúde, como peças fundamentais pela experiência que ambos possuem como gestores.
A presidente do diretório do PT, em Campos, Odisséia Carvalho, comentou que os indicados aos ministérios representam a pluralidade e a diversidade. “Representa a população brasileira. Lógico que tem vários critérios sendo usados, dos partidos políticos que compuseram todo o processo eleitoral de apoio a esta proposta de governo, tem também o lado técnico e a gente acredita que estes ministros irão ter a competência de voltar o país a sair do mapa da fome, de investir na Saúde, na Educação, no desenvolvimento, no emprego, é isso desejamos”, disse Odisséia.
Fmanhã


Nenhum comentário:
Postar um comentário