Apesar do incentivo do Governo Municipal à revitalização, houve baixa adesão por parte da iniciativa privada

À espera | Centro histórico aguarda ações para restaurar movimentação (Fotos:Josh)
Por Marcos Curvello e Clícia Cruz
Contemplado com um projeto de revitalização que reúne esforços da Prefeitura e de entidades do setor produtivo, a área central de Campos é reconhecida pelo seu conjunto de prédios históricos, predominantemente do estilo eclético. Os edifícios, parte dos quais fechados, estão no coração do Projeto Retrofit 4.0, que pretende revitalizar o Centro, apostando em novos usos residenciais e comerciais dessas construções. Apresentada a comerciantes e empresários em 16 de junho, a iniciativa começou a ser implementada com a abertura de cadastro para adesão de interessados no dia 20 de junho. O município não divulgou o número de proprietários que já aderiram ao projeto, mas o período de adesão, que se encerraria neste domingo (20) foi ampliado por mais 30 dias, seguindo até 20 de setembro.

Por Marcos Curvello e Clícia Cruz
Contemplado com um projeto de revitalização que reúne esforços da Prefeitura e de entidades do setor produtivo, a área central de Campos é reconhecida pelo seu conjunto de prédios históricos, predominantemente do estilo eclético. Os edifícios, parte dos quais fechados, estão no coração do Projeto Retrofit 4.0, que pretende revitalizar o Centro, apostando em novos usos residenciais e comerciais dessas construções. Apresentada a comerciantes e empresários em 16 de junho, a iniciativa começou a ser implementada com a abertura de cadastro para adesão de interessados no dia 20 de junho. O município não divulgou o número de proprietários que já aderiram ao projeto, mas o período de adesão, que se encerraria neste domingo (20) foi ampliado por mais 30 dias, seguindo até 20 de setembro.

Sem atividade | Área concentra grande número de prédios fechados
O secretário municipal de Planejamento, Mobilidade e Meio Ambiente, Cláudio Valadares, disse que esse período a mais para a adesão também servirá para o aprimoramento do projeto. “Em virtude do aperfeiçoamento da proposta e finalização de todo arcabouço legal inerente à espacialidade do Centro Histórico de Campos, vamos adiar por mais trinta dias a adesão por chamamento público dos proprietários de imóveis com interesse. Estamos agregando mais valor ao tema através de uma ação que irá dinamizar sobremaneira os imóveis tombados e, em virtude de tal fato, informamos que estamos tratando de um projeto muito importante para a cidade e isso demanda mais algum tempo de maturação da ideia. Com certeza vamos dinamizar o comércio, a moradia no centro, as atividades culturais e artísticas, o paisagismo com novas praças e áreas verdes buscando priorizar a qualidade de vida neste novo espaço, sendo a Secretaria de Planejamento Mobilidade e Meio Ambiente, junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, responsáveis por esta transformação, dinamizando a política urbana do governo Wladimir Garotinho”, destacou o secretário.

O secretário municipal de Planejamento, Mobilidade e Meio Ambiente, Cláudio Valadares, disse que esse período a mais para a adesão também servirá para o aprimoramento do projeto. “Em virtude do aperfeiçoamento da proposta e finalização de todo arcabouço legal inerente à espacialidade do Centro Histórico de Campos, vamos adiar por mais trinta dias a adesão por chamamento público dos proprietários de imóveis com interesse. Estamos agregando mais valor ao tema através de uma ação que irá dinamizar sobremaneira os imóveis tombados e, em virtude de tal fato, informamos que estamos tratando de um projeto muito importante para a cidade e isso demanda mais algum tempo de maturação da ideia. Com certeza vamos dinamizar o comércio, a moradia no centro, as atividades culturais e artísticas, o paisagismo com novas praças e áreas verdes buscando priorizar a qualidade de vida neste novo espaço, sendo a Secretaria de Planejamento Mobilidade e Meio Ambiente, junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, responsáveis por esta transformação, dinamizando a política urbana do governo Wladimir Garotinho”, destacou o secretário.

Edvar Chagas preside a CDL Campos
O Projeto Retrofit 4.0 prevê alterações nas leis de uso e ocupação do solo para possibilitar a conversão de edifícios comerciais em residenciais ou mistos, bem como incentivar a construção de novos prédios e a requalificação de imóveis antigos para ampliar a oferta de moradia. Soma-se a isso uma série de outras ações nas áreas de mobilidade, infraestrutura, segurança e urbanismo, incentivos fiscais e políticas públicas para estimular comércio, turismo, cultura e esporte na região central.
A área beneficiada se estende da Avenida 15 de Novembro, ao norte, à Rua Siqueira Campos, ao sul; e da Avenida José Alves de Azevedo, a oeste, à Rua Marechal Floriano, a leste. Uma breve volta pela região delimitada no projeto revela dezenas de prédios em diferentes estados de conservação, muitos deles desocupados.

O Projeto Retrofit 4.0 prevê alterações nas leis de uso e ocupação do solo para possibilitar a conversão de edifícios comerciais em residenciais ou mistos, bem como incentivar a construção de novos prédios e a requalificação de imóveis antigos para ampliar a oferta de moradia. Soma-se a isso uma série de outras ações nas áreas de mobilidade, infraestrutura, segurança e urbanismo, incentivos fiscais e políticas públicas para estimular comércio, turismo, cultura e esporte na região central.
A área beneficiada se estende da Avenida 15 de Novembro, ao norte, à Rua Siqueira Campos, ao sul; e da Avenida José Alves de Azevedo, a oeste, à Rua Marechal Floriano, a leste. Uma breve volta pela região delimitada no projeto revela dezenas de prédios em diferentes estados de conservação, muitos deles desocupados.

Humberto Chagas
Parte daquele que é considerado, com frequência, um dos principais acervos de arquitetura eclética do Estado do Rio, os edifícios do Centro de Campos também incorporam outros estilos de construção, conforme afirma o arquiteto Humberto Neto das Chagas.
“São predominantemente construções ecléticas, que se caracterizam, em sua maioria, por um ecletismo vindo da França, e aí a gente tem uma referência bem típica que são os torreões da sede da Lira de Apolo. O ecletismo chegou ao Brasil entre 1880 e 1890. Vem logo após o neoclássico, o que causa alguma confusão entre os dois. Porém, o neoclássico já tem uma coisa de simetria, um ritmo mais certo, e o ecletismo quebra um pouco isso. Vai até aproximadamente 1930, quando já temos construções de outros estilos, como o art déco, o art nouveau antes disso um pouco, e depois algumas construções neocoloniais. A predominância seria essa na região do Centro. Também temos algumas construções da época do Império”, enumera Humberto.

Parte daquele que é considerado, com frequência, um dos principais acervos de arquitetura eclética do Estado do Rio, os edifícios do Centro de Campos também incorporam outros estilos de construção, conforme afirma o arquiteto Humberto Neto das Chagas.
“São predominantemente construções ecléticas, que se caracterizam, em sua maioria, por um ecletismo vindo da França, e aí a gente tem uma referência bem típica que são os torreões da sede da Lira de Apolo. O ecletismo chegou ao Brasil entre 1880 e 1890. Vem logo após o neoclássico, o que causa alguma confusão entre os dois. Porém, o neoclássico já tem uma coisa de simetria, um ritmo mais certo, e o ecletismo quebra um pouco isso. Vai até aproximadamente 1930, quando já temos construções de outros estilos, como o art déco, o art nouveau antes disso um pouco, e depois algumas construções neocoloniais. A predominância seria essa na região do Centro. Também temos algumas construções da época do Império”, enumera Humberto.

Eclético | Área central mescla prédios comerciais com construções históricas
Piloto na 7 de Setembro
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Edvar Chagas Jr., ressalta a importância desse acervo e afirma que o repovoamento do Centro é uma forma de ajudar a conservá-lo. “Campos tem vários prédios históricos, uma arquitetura eclética muito forte. É preciso um novo uso desses edifícios, tanto comerciais quanto residenciais. Vamos em busca de políticas de incentivo e de uma revitalização da área central, não só com o apoio da Prefeitura, mas também com o investimento do empresariado para a gente ter manutenção. O Centro precisa ser repovoado. Com vida, ele será cuidado”, opina.
Entre as propostas discutidas está um projeto piloto na Rua 7 de Setembro. “Da Rua Marechal Floriano até o Centro, estão todos os imóveis praticamente fechados. Começar por ali, revitalizando esses prédios, fazendo divisões de vários boxes para o comércio popular e dar um uso para esses imóveis, que estão de portas fechadas”, diz Edvar.
As transformações do Retrofit
De acordo com o projeto elaborado pela Prefeitura de Campos, a Praça Duque de Caxias, que fica em frente ao Campos Shopping, e a Praça Batalhão Tiradentes, que fica na Rua 7 de Setembro, serão remodeladas. O projeto também prevê a construção de uma praça ao lado da Catedral do Santíssimo Salvador, além da construção de quiosques e bancas de jornais em formato de bondinhos.
Para os terrenos vazios, a previsão é de construção de pokets parks, com espaços instagramáveis e colocação de food trucks.
A revitalização do Cais da Lapa, com pintura artística e a reforma dos prédios que serão utilizados pela Secretaria de Turismo também fazem parte do novo momento de revitalização do Centro.

Na parte de infraestrutura, estão listadas intervenções em áreas de alagamento, a retomada da conversão subterrânea da fiação, cuja tubulação foi instalada durante o governo de Rosinha, e a restauração de calçadas, bancos e monumentos, além da construção de novos quiosques e bancas de jornal — estas com design que lembra antigos bondes de passageiros.
Há previsão também de melhorias dos serviços públicos na área central e investimento na mobilidade, com ampliação e redesenho de calçadões e ciclovias, criação de estação de bicicletas elétricas, integração modal do transporte público e implantação da linha Centro Histórico x Pelinca, que será feita por ônibus elétricos batizados de Ligeirinhos.
Construtores vêem possibilidades de negócios
De acordo com o presidente da Redecon (Rede de Construtores de Campos), Gilberto Manhães, para tornar o Centro mais habitado serão necessárias várias adequações, inclusive havendo necessidade de mudanças no Código de Obras do Município. Ele também acredita que a expansão do comércio para outros bairros e a formação de novos centros comerciais que surgem de forma espontânea, como o comércio de Goitacazes, do IPS e de vários bairros do subdistrito de Guarus, acabam afastando as pessoas do Centro, já que elas encontram o que precisam nestes bairros.

“Para trazer as pessoas para morarem no Centro há necessidade de muitas mudanças, como, por exemplo, oferecer a possibilidade de prédios mistos, que possam mesclar salas comerciais com apartamentos, precisa reduzir a exigência do número de vagas de garagem nos prédios, porque também não existe tanto espaço, além da revisão das autorizações, das instalações, dos edifícios. São alterações complexas, que não podem ser feitas de forma açodada, porque podem trazer problemas no futuro”, ressalta o construtor.
Gilberto também acredita que o programa do Governo Federal, Minha Casa Minha Vida, é uma boa solução para fomentar as moradias no local. “A Prefeitura já se reuniu com a Caixa, para buscar entendimento sobre o assunto, porque o subsídio é uma forma interessante para atrair a população para o Centro. É claro que também para que as pessoas possam vir é preciso que haja atrativos, como, por exemplo, o transporte público funcionando bem”, conclui.
Piloto na 7 de Setembro
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campos, Edvar Chagas Jr., ressalta a importância desse acervo e afirma que o repovoamento do Centro é uma forma de ajudar a conservá-lo. “Campos tem vários prédios históricos, uma arquitetura eclética muito forte. É preciso um novo uso desses edifícios, tanto comerciais quanto residenciais. Vamos em busca de políticas de incentivo e de uma revitalização da área central, não só com o apoio da Prefeitura, mas também com o investimento do empresariado para a gente ter manutenção. O Centro precisa ser repovoado. Com vida, ele será cuidado”, opina.
Entre as propostas discutidas está um projeto piloto na Rua 7 de Setembro. “Da Rua Marechal Floriano até o Centro, estão todos os imóveis praticamente fechados. Começar por ali, revitalizando esses prédios, fazendo divisões de vários boxes para o comércio popular e dar um uso para esses imóveis, que estão de portas fechadas”, diz Edvar.
As transformações do Retrofit
De acordo com o projeto elaborado pela Prefeitura de Campos, a Praça Duque de Caxias, que fica em frente ao Campos Shopping, e a Praça Batalhão Tiradentes, que fica na Rua 7 de Setembro, serão remodeladas. O projeto também prevê a construção de uma praça ao lado da Catedral do Santíssimo Salvador, além da construção de quiosques e bancas de jornais em formato de bondinhos.
Para os terrenos vazios, a previsão é de construção de pokets parks, com espaços instagramáveis e colocação de food trucks.
A revitalização do Cais da Lapa, com pintura artística e a reforma dos prédios que serão utilizados pela Secretaria de Turismo também fazem parte do novo momento de revitalização do Centro.

Na parte de infraestrutura, estão listadas intervenções em áreas de alagamento, a retomada da conversão subterrânea da fiação, cuja tubulação foi instalada durante o governo de Rosinha, e a restauração de calçadas, bancos e monumentos, além da construção de novos quiosques e bancas de jornal — estas com design que lembra antigos bondes de passageiros.
Há previsão também de melhorias dos serviços públicos na área central e investimento na mobilidade, com ampliação e redesenho de calçadões e ciclovias, criação de estação de bicicletas elétricas, integração modal do transporte público e implantação da linha Centro Histórico x Pelinca, que será feita por ônibus elétricos batizados de Ligeirinhos.
Construtores vêem possibilidades de negócios
De acordo com o presidente da Redecon (Rede de Construtores de Campos), Gilberto Manhães, para tornar o Centro mais habitado serão necessárias várias adequações, inclusive havendo necessidade de mudanças no Código de Obras do Município. Ele também acredita que a expansão do comércio para outros bairros e a formação de novos centros comerciais que surgem de forma espontânea, como o comércio de Goitacazes, do IPS e de vários bairros do subdistrito de Guarus, acabam afastando as pessoas do Centro, já que elas encontram o que precisam nestes bairros.

“Para trazer as pessoas para morarem no Centro há necessidade de muitas mudanças, como, por exemplo, oferecer a possibilidade de prédios mistos, que possam mesclar salas comerciais com apartamentos, precisa reduzir a exigência do número de vagas de garagem nos prédios, porque também não existe tanto espaço, além da revisão das autorizações, das instalações, dos edifícios. São alterações complexas, que não podem ser feitas de forma açodada, porque podem trazer problemas no futuro”, ressalta o construtor.
Gilberto também acredita que o programa do Governo Federal, Minha Casa Minha Vida, é uma boa solução para fomentar as moradias no local. “A Prefeitura já se reuniu com a Caixa, para buscar entendimento sobre o assunto, porque o subsídio é uma forma interessante para atrair a população para o Centro. É claro que também para que as pessoas possam vir é preciso que haja atrativos, como, por exemplo, o transporte público funcionando bem”, conclui.
Fonte:J3News


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