segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Coreto no Jardim do Liceu completa três meses de interdição

Local é tombado pelo Inepac e corre risco de desabamento de guarda corpo e teto

POR YAN TAVARES
Foto: Josh

O coreto da Praça Barão do Rio Branco, conhecida como Praça do Liceu, foi interditado em julho pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Segundo o órgão, o espaço apresenta sérios riscos, como desabamento do forro e queda dos guarda-corpos. Porém, desde então, nenhuma providência emergencial foi tomada pelo poder público. A interdição completa três meses na próxima quarta-feira (13). Mas os problemas na área não estão restritos apenas ao estado de conservação do coreto. No local há bancos quebrados e o chafariz está desativado.


Em 13 de julho, o J3News noticiou a decisão do Inepac de interditar o coreto, dando conta de que ela foi tomada para preservar o bem histórico. “A interdição do coreto foi realizada em virtude do atual estado de conservação do bem e para evitar aglomerações no equipamento. O Instituto reforça que a medida é de segurança e que é apenas para o coreto”, disse o órgão à época.


Apesar da interdição e do risco de desabamento do forro, moradores em situação de rua continuam frequentando o coreto, conforme constatou a equipe de reportagem do J3News durante a produção desta matéria, no último dia 4. Visivelmente em mau estado de conservação, o local não tem nenhuma sinalização dando conta da proibição, nem mesmo isolamento ou vigilância para evitar que seja frequentado.

É o que destaca Geovani Laurindo, atual chefe do Escritório Técnico Regional do Norte Fluminense do Inepac: “Emitimos um pedido de interdição do coreto desde novembro de 2022, por conta de uma vistoria que realizamos lá. Nela, foi verificado o péssimo estado dele. O coreto está oferecendo riscos de acidentes, especialmente para quem estiver na sua parte interior. São problemas graves. O primeiro é no forro, que tem peças de madeira que estão apodrecidas, algumas delas já meio soltas. Outra coisa muito séria é a parte da estrutura de guarda-corpo, que está com várias peças trincadas. E as pessoas, durante os eventos, ficavam aglomeradas, debruçadas ali, expostas a uma possível queda. A instalação elétrica do local é precária também e o coreto tem toda estrutura metálica, impondo um perigo de choque elétrico. A escadaria, antes tinha um corrimão, hoje já não tem mais”, pontuou Geovani Laurindo.


Membro do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam), o jornalista Cássio Peixoto, opina que a situação em que se encontra o coreto poderia ter sido evitada. “O local não precisava chegar ao que chegou. A gente cansou de avisar que ele não suportava shows, entre outras coisas e continuaram fazendo. Passou da hora dele ser fechado e reformado. E precisa o quanto antes ser lacrado mesmo, o que não foi feito até agora”, destaca.

Pedidos de providências
“Fizemos um pedido à Secretaria de Obras no fim do ano para que fosse feita uma obra de reparo e restauro do coreto. No mês passado, fizemos uma nova notificação à Prefeitura para que ele fosse isolado da forma correta, para impedir o acesso das pessoas. Obtivemos a resposta de que vai ser feito um levantamento para que seja promovida a reforma. O prazo dado foi de 45 dias”, concluiu o chefe do Inepac no Norte Fluminense.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura, mas não obteve nenhum posicionamento sobre a situação.
Fonte: J3News

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